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Cia. E. F. Sul do
Espírito Santo (1902-1907)
E. F. Leopoldina (1907-1975)
RFFSA (1975-1996) |
MATILDE
Município de Alfredo Chaves, ES |
| Linha do Litoral - km 559,396 (1960) |
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ES-0195 |
| Altitude: 515 m |
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Inauguração: 15.03.1902 |
| Uso atual: centro cultural |
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com trilhos |
| Data de construção do
prédio atual: 1902? |
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| HISTORICO DA LINHA: O
que mais tarde foi chamada "linha do litoral" foi construída por diversas
companhias, em épocas diferentes, empresas que acabaram sendo incorporadas
pela Leopoldina até a primeira década do século XX. O primeiro trecho,
Niterói-Rio Bonito, foi entregue entre 1874 e 1880 pela Cia. Ferro-Carril
Niteroiense, constituída em 1871, e depois absorvida pela Cia. E.
F. Macaé a Campos. Em 1887, a Leopoldina comprou o trecho. A Macaé-Campos,
por sua vez, havia constrtuído e entregue o trecho de Macaé a Campos
entre 1874 e 1875. O trecho seguinte, Campos-Cachoeiro do Itapemirim,
foi construído pela E. F. Carangola em 1877 e 1878; em 1890 essa empresa
foi comprada pela E. F. Barão de Araruama, que no mesmo ano foi vendida
à Leopoldina. O trecho até Vitória foi construído em parte pela E.
F. Sul do Espírito Santo e vendido à Leopoldina em 1907. Em 1907,
a Leopoldina construiu uma ponte sobre o rio Paraíba em Campos, unindo
os dois trechos ao norte e ao sul do rio. A linha funciona até hoje
para cargueiros e é operada pela FCA desde 1996. No início dos anos
80 deixaram de circular os trens de passageiros que uniam Niterói
e Rio de Janeiro a Vitória. |
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A ESTAÇÃO: A estação
de Matilde foi inaugurada em 1902 ainda pela E. F. Sul do
Espírito Santo. Chamava-se à época Engenheiro
Reeve. Este nome foi pouco depois alterado para Matilde,
que era mesmo o nome do povoado que ali existia, e transferido para
uma estação do ramal Sul do Espírito Santo,
entre Espera Feliz e Coutinho. A estação
ficava próxima à ponte da ferrovia sobre o rio Benevento.
A linha havia chegado aí e parado, em 1902. A Leopoldina retomou
as obras com o objetivo de levar a linha até Cachoeiro do
Itapemirim. "A época da greve dos operários da E. F. Vitória
a Minas coincidiu com a retomada da ligação ferroviária Matilde-Cachoeiro
de Itapemirim, pela Leopoldina (em 1907). A celebrada Estrada
Sul do Espírito Santo, iniciativa do Governo Muniz Freire, com a finalidade
de ligar Vitória a Cachoeiro, estancou em Matilde, quando da crise
de 1900. Meu pai foi o primeiro tarefeiro admitido pelo famoso engenheiro
Caetano Lopes, chefe da construção. Acampou à margem da ponte sobre
o rio Benevente, que logo adiante, 500 metros talvez, se despeja em
belíssimo salto de mais de sessenta metros de altura. Foi um sorriso
em nossa angustiosa vida de garimpeiros. Depois do salto belíssimo,
a paisagem que o rio descreve - erodindo espigões cobertos de quaresmeiras
e samambaias, em contraste com o prateado das embaúbas, o verde escuro
dos cafezais em pequenos talhões, o milharal em desordem, as casas
de colonos de tanto em tanto, com seus telhados agudos ora de zinco,
ora pintados a zarcão, ora de tabuinhas negras de caruncho, aquelas
capelas devotas com sineiras em torres piramidais - empresta um bucolismo
tranqüilo ao povoado que estacionara com a crise do café do fim do
século e com a paralisação da construção da estrada de ferro. Dividia-se
em Matilde Velha e Matilde Nova, onde por primeiro se localizaram
os italianos, a uns três quilômetros acima da cachoeira. Matilde era
distrito e centro de convergência de outros núcleos a nordeste. Meia
dúzia de casas, igrejinha, venda, padaria, da qual Dona Matilde era
a padeira. A escola construída pelos colonos foi fechada pelo governo,
que lá instalou a delegacia de polícia, porque a professora, coitada,
lecionava em italiano. A Matilde Nova esboçou-se junto à ponte e à
estação da estrada de ferro, que se chamava Engenheiro Reeve, em homenagem
póstuma ao profissional inglês, tocaiado com dois tiros de espingarda.
Vinha de Iriritimirim, última parada, na época, trazendo doze contos
de réis para o pagamento dos operários. Ainda teve tempo de salvar
o dinheiro, atirando a maleta numa ramada de espinhos arranha-gato.
Eram poucos os moradores de Matilde Nova. O guarda-chaves, Seu Batistella,
casado e com filhas, hospedava seu superior hierárquico, Pedro Sposito,
agente da estação. A família de maior nomeada era a de Giacomo Provedel.
Influente negociante e homem prestativo foi também Ângelo Modulo.
Havia o armazém do Lisandro Nicoletti, comprador de café e grande
proprietário, estabelecido em Vitória, cujo gerente, em Matilde, era
o ferreiro mecânico Aurélio Mainardi. Certa vez Lisandro Nicoletti
foi tocaiado por um bando e só escapou porque se fez de morto, depois
de receber mais de dez tiros. Só perdeu o animal de sela. Tempos depois
tentaram saquear-lhe a casa de negócios. Não foi só o atentado ao
engenheiro Reeve que perturbou o sossego da pacata colônia de italianos;
oriundos de Treviso, Udine, Beluno e Cremona, chegados de 1880 a 1890,
eram boa gente. O distrito contava 370 famílias e foi perturbado várias
vezes por bandos de jagunços. De quando
ACIMA:
A estação em 1910 (O Malho, 27/10/1910). ABAIXO: Restaurada
depois de anos de abandono, voltou a ser uma belíssima construção
(Foto Cleverson G. Carmo Jr., janeiro de 2012).

em quando os italianos se assustavam. Habitualmente moravam
nos fundos de seus estabelecimentos comerciais e a peça mais importante
era a cozinha, onde a família se movimentava. Enquanto as panelas,
em meia fervura, cozinhavam as iguarias, as zelosas paronas tricotavam
ou costuravam, com suas máquinas manuais, as roupas dos maridos e
das crianças" (Luiz Serafim Derenzi, descrevendo o local
da estação nos anos 1920; reproduzido de http://gazetaonline.globo.com/estacaocapixaba).
O livro do Patrimonio Cultural do ES, de 1991, dá a data de
inauguração da estação como sendo 1910,
com a presença do Presidente Nilo Peçanha.
Segundo também o mesmo livro, a desativação da
mesma se deu nos anos 1980, e hoje é patrimônio tombado
pelo Estado. Nem por isso, deixa de estar totalmente abandonada e
saqueada em 2007: "Detalhes do nome, só em um lado, o outro
já foi arrancado; muro pichado, salão principal destruído,
piso queimado, mato entrando no portão de carga, cobertura semi-destruida..."
(Afonso Celso Gonçalves, agosto de 2007).
(Fontes: Cleverson G. Carmo Jr.; Afonso Celso Gonçalves;
Sebastião Faria Camargo; Fabio de Oliveira Lima; O Malho, 1920;
Agência Estado; Patrimonio Cultural do ES: 1991; Luiz Serafim
Derenzi: Caminhos Percorridos, s/data; http://gazetaonline.globo.com/estacaocapixaba;
Edmundo Siqueira: Resumo Histórico da Leopoldina Railway, 1938;
Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; Guias
Levi, 1932-79) |
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A estação, no início do século 20.
Foto Agência Estado |

A estação em 1991. Foto do livro do Patrimonio
Cultural do ES, 1991 |

A estação em 1991. Foto do livro do Patrimonio
Cultural do ES, 1991 |

A estação em 1991. Foto do livro do Patrimonio
Cultural do ES, 1991 |

Estação de Matilde, provavelmente anos 1990. Foto
Sebastião Faria Camargo |

A estação abandonada em 2007. Foto Fabio de Oliveira
Lima |

A estação abandonada em 2007. Foto Fabio de Oliveira
Lima |

A estação finalmente restaurada, em 2011. |
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| Atualização:
23.01.2012
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