|
|
|
Cia. Mogiana de
Estradas de Ferro (1883-1971)
FEPASA (1971-1976) |
RIBEIRÃO
PRETO
Município de Ribeirão Preto,
SP |
| Linha-tronco - km 312,525 (1937) |
|
SP-2049 |
| |
|
Inauguração: 23.11.1883 |
| Uso atual: demolida |
|
sem trilhos |
| Data de construção do
prédio atual: 1885 (já demolido) |
| |
|
|
| |
| HISTORICO DA LINHA: A linha-tronco
da Mogiana teve o primeiro trecho inaugurado em 1875, tendo chegado
até o seu ponto final em 1886, na altura da estação de Entroncamento,
que somente foi aberta ali em 1900. Inúmeras retificações foram feitas
desde então, tornando o leito da linha atual diferente do original
em praticamente toda a sua extensão. Em 1926, 1929, 1951, 1960, 1964,
1971, 1973 e 1979 foram feitas as modificações mais significativas,
que tiraram velhas estações da linha e colocaram novas versões nos
trechos retificados. A partir de 1971 a linha passou a ser parte da
Fepasa. No final de 1997, os trens de passageiros deixaram de circular
pela linha. |
| |
A ESTAÇÃO: Depois de esperarem
alguns anos pelos trilhos da Companhia Paulista, a estação de Ribeirão
Preto foi inaugurada na linha da Mogiana, com alguma frustração
por parte do povo da cidade, em 1883, com um prédio provisório. Este
situava-se em local diferente, no que hoje é a Vila Virgínia.
Embora não se tenha certeza, alguns estudiosos afirmam que uma casa,
que hoje fica na rua Caramuru, em sua parte alta, logo após
a rua Guatapará, seria a que um dia abrigou essa primitiva
estação. Outros dizem que não, que a estação
estaria em frente a essa casa, e, realmente, há uma foto dos
anos 1880 que mostra uma casa junto aos trilhos e próximos
à casa da hoje rua Caramuru. Em outubro de 1884, foi construído
o novo prédio, no lugar definitivo, para a estação, que teria sido
inaugurado em 7/9/1885, e que passou a ser uma das mais importantes
da Mogiana. Em 1914, foi concluído e entregue à companhia, pelo famoso
arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo, o projeto da
nova estação, "ampla e bela". Como a sua

ACIMA: Desenho do projeto de Ramos de Azevedo, publicado
na revista O Malho de 1917.
construção levaria tempo, optou-se por reformar a antiga,
enquanto a construção não se iniciasse, o que acabou por nunca acontecer.
Quadros a óleo mostrando o "futuro" prédio ficaram expostos por anos
nas lojas da cidade. Em 01/06/1965, com uma das inúmeras modificações
e retificações da Mogiana, os trens de passageiros passaram a seguir
para a nova estação, então fora da cidade. A velha estação passou
a ser chamada de Ribeirão Preto-ramal. Na verdade, a estação
estava já aguardando o seu final desde maio de 1964, quando
a variante Bento Quirino-Entroncamento, pronta desde o final
de 1961, passou a ter o tráfego dos trens de passageiros. As
sete estações da linha antiga foram fechadas nesse dia,
mas a estação de Ribeirão Preto-nova ainda
não estava pronta. O trem vinha, então, pela variante,
passava direto pela nova estação e entrava por uma ligação
improvisada até a velha estação. Em junho de
1965, porém, isso

ACIMA: Estação e parte do pátio
de Ribeirão Preto, entre os anos de 1900 e 1905 (Cartão
postal).
acabou, no dia da inauguração da nova estação,
que fechou para passageiros. O que se fazer com ela, então?
A pressão de políticos, comerciantes e do jornal "Diário da Manhã",
da cidade, contrários ao processo de tombamento que corria para o
velho prédio, acabou por ser mais forte: a estação, que chegou a abrigar
por algum tempo o Grupo Escolar da Vila Tibério, foi derrubada
no final de 1967. A pressão começou no início desse ano, com o jornal
referindo-se à estação como "monstrengo", "pardieiro",
antro de imundície e mau cheiro, e ao pátio onde estava a rotunda
(oficina das locomotivas, mais à frente), como "triângulo da malária".
Em 3 de janeiro, o jornal publicou uma reportagem, indignado com o
fato de que a Mogiana havia nesse dia recomeçado o embarque e desembarque
de passageiros na estação, para o ramal de Guatapará, além
de o Grupo ainda estar sendo mantido no prédio. Conseguiram desajolar
o Grupo, mas a estação ainda resistiu por algum tempo, com a Mogiana,
que estava prometendo a sua demolição há tempos, não cumprindo suas
promessas. Constantemente o jornal publicava a mesma fotografia aérea
do pátio da Mogiana, afirmando que "por ali passaria uma grande
avenida", etc.. Mas, até julho, a pressão cedeu. Em agosto de
1967, entretanto, a Mogiana e a Prefeitura firmaram um acordo para
a derrubada das instalações e a construção, por parte da ferrovia,
da estação rodoviária no local. No mesmo mês, começaram as demolições
e, em outubro, vários dos edifícios estavam no chão, inclusive o da
velha estação de passageiros, da qual somente restou a plataforma.
Até dezembro, pouca coisa se

Acima, a bela fachada da estação,
por volta de 1930 (Foto do Arquivo Histórico de Ribeirão
Preto, publicada no jornal A Cidade de 8/11/2006).
alterou, os trilhos continuavam passando por ali, por causa
do ramal de Guatapará, que era considerado de "segurança nacional",
por unir os troncos da Mogiana e da Paulista, sendo considerado, até,
a possibilidade da ampliação de sua bitola para 1,60m. Em janeiro
de 1968, mudaram-se as instalações que ainda estavam na rotunda e
em outros prédios. A oficina do departamento de tração e a reparação
foram para outras estações; a de locomotivas a vapor passou para as
estações de Uberaba e de Franca; a de carros e vagões,
para Campinas, e as de locomotivas diesel-elétricas, para Ribeirão-nova.
No mesmo mês, foi finalmente erradicada a plataforma, a fim de unir
as ruas General Osório, que era a que antes começava exatamente
à frente da porta de entrada da estação velha, e a rua Martinico
Prado, que era a sua continuação do outro lado. Antes, apenas
a rua Duque de Caxias, no ponto em que mudava o seu nome para
Luiz da Cunha, tinha uma passagem de nível que permitia aos
automóveis cruzar a linha, exatamente ao lado da estação. Também em
janeiro, vários desvios foram retirados do local e somente os trilhos
que agora eram parte do ramal de Guatapará ainda sobraram.
Com essa união,

ACIMA: A rotunda de Ribeirão Preto com a
litorina da Mogiana em foto de 1938 (Revista SPR, janeiro de 1939).
desapareceu todo e qualquer traço do velho prédio de embarque
de passageiros. A estação de Ribeirão Preto-ramal, com a demolição,
havia sido transferida para um pequeno cubículo, perto de onde era
a rotunda. Esta estaçãozinha era conhecida pelo apelido de JP, que
era o seu código dentro da Mogiana (depois, já na Fepasa, o código
seria alterado para RR). Tinha até chefe: o senhor Antonio de Freitas,
que havia sido chefe da estação de Igaçaba, na linha do
Rio Grande. Em 10/10/1969, a área que um dia abrigou a estação
e todo o pátio de manobras e oficinas, como um todo, foi oficialmente
extinta. "No início de 1968, eu e meus pais fomos de
trem para São Paulo, e morávamos perto da estação
de Ribeirão Preto-velha; ela tinha acabado de ser demolida,
e no fim do pátio tinha uma casinha que sobrou: ali ficou sendo
o local de embarque, era essa a chamada JP... Uma composição
com uma diesel e dois ou três carros levaram a gente pela alça
de ligação até Ribeirão-nova: aí
embarcamos numa litorina que seguria para a Capital logo depois."
(Dirceu Baldo, 08/2002). E embora o traçado do ramal de
Guatapará, ex-Jataí, devesse ser mudado para se ligar diretamente
ao ramal de Sertãozinho, passando por área do câmpus da USP,
somente a partir de 1972 a linha começou a ser alterada, e na verdade
não tão longe, continuando a se ligar à estação de Barracão
e não aos trilhos que iam para Sertãozinho. Até outubro de
1976, os trilhos do ramal ali ficaram, com tráfego, restos do antigo
tronco da Mogiana, e, com a JP, até julho anterior,
com os trens do ramal passando. Somente aí foram retirados,
às pressas, depois do ramal finalmente fechado, para a inauguração
da estação rodoviária, que se deu em novembro
de 1976. Para os lados da rua Guatapará, onde estava a rotunda, foi
construído um prédio para abrigar a Câmara Municipal, e o resto do
pátio foi transformado em jardins. Sobraram apenas algumas pequenas
casas de turma, na parte de trás dos jardins, que ainda hoje estão
bem conservadas. Do lado da estação, num outro prédio, saía, até 1940,
o ramal da Fazenda Dumont, particular, dirigindo-se em direção
ao que hoje é a cidade de Dumont, com bitola de 0,60 m. Este
prédio, que continuou em pé com funções
de escritório da ferrovia, também foi demolido no final
de 1967. (VEJA TAMBÉM RIBEIRÃO
PRETO-NOVA)
(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local; Rodrigo
Cabredo; Celso Frateschi; Dirceu Baldo; Hélio Fávaro; Antonio C. Belviso;
Ivan Roberto de Siqueira Jr.; Museu de Jundiaí; O Malho, 1917;
Arquivo Municipal de Ribeirão Preto; Rubem Cione: História
de Ribeirão Preto, 1987; Memórias de Ribeirão Preto,
2000; Cia. Mogiana: Relatórios anuais, 1875-1969; Fepasa: relatórios
anuais; Cia. Mogiana: relatório oficial de estações,
1937; Revista SPR, 1939; Diário da Manhã, Ribeirão Preto, 1967/76;
A Cidade, 8/11/2006; Star Guia, 1998; Mogiana: Álbum, 1910;
revista Horizonte Geográfico, nro. 55, 1998; Mapa - acervo
R. M. Giesbrecht) |
| |
|
|

Foto da estação de Ribeirão Preto, c. 1910
Foto da revista Horizonte Geográfico no. 55, originalmente
do Álbum da Mogiana |

Plataforma da estação, c. 1910. Álbum da
Mogiana, Museu de Jundiaí |

Pátio da estação. O prédio está
ao fundo, quase no centro da foto, c. 1910. Foto cedida por
A. C. Belviso |

Foto da estação, ao fundo à direita, enevoada,
1927. Foto do livro Memórias de Ribeirão Preto,
2000 |

No centro da foto, a enorme plataforma da estação,
em 1949. Foto do arquivo municipal de Ribeirão Preto |

Plataforma de embarque da estação. Foto do jornal
Diário da Manhã, de 09/06/1956. |

Plataforma da estação, vista da passagem de nível
da rua Duque de Caxias, em 1963. Foto cedida por Ivan Roberto
de Siqueira Jr. de Ribeirão Preto |

Plataforma da estação, vista da passagem de nível
da rua Duque de Caxias, em 1963. Notem o trem de passageiros
ainda a vapor. Foto cedida por Ivan Roberto de Siqueira Jr.
de Ribeirão Preto |

A famosa rotunda e o pátio de Ribeirão, em 1963.
Entre a cidade e o pátio, vê-se na foto a linha
do ramal de Guatapará. Foto cedida por Ivan Roberto de
Siqueira Jr. de Ribeirão Preto |
|
| |
|
|
| Atualização:
22.02.2012
|
|