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Q R S T U
VXY Mogiana em MG
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(1886-1964)
Ribeirão Preto
Barracão
Alto
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No ramal de Sertãozinho (1964-2001):
Ribeirão Preto-nova
Barracão
Iracema
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Tronco CM - 1935
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 2007
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Cia. Mogiana de Estradas de Ferro (1900-1971)
FEPASA (1971-1998)
BARRACÃO
Município de Ribeirão Preto, SP
Linha-tronco original - km 314,264   SP-0998
Altitude: 517 m   Inauguração: 01.06.1900
Uso atual: fechado (2011)   com trilhos
Data de construção do prédio atual: 1900?
 
 
HISTORICO DA LINHA: A linha-tronco da Mogiana teve o primeiro trecho inaugurado em 1875, tendo chegado até o seu ponto final em 1886, na altura da estação de Entroncamento, que somente foi aberta ali em 1900. Inúmeras retificações foram feitas desde então, tornando o leito da linha atual diferente do original em praticamente toda a sua extensão. Em 1926, 1929, 1951, 1960, 1964, 1971, 1973 e 1979 foram feitas as modificações mais significativas, que tiraram velhas estações da linha e colocaram novas versões nos trechos retificados. A partir de 1971 a linha passou a ser parte da Fepasa. No final de 1997, os trens de passageiros deixaram de circular pela linha.
 
A ESTAÇÃO: Em 1886, continuando com a política de núcleos coloniais para imigrantes do Governo Imperial e também paulista, foi fundado o Núcleo Colonial Senador Antonio Prado (sim, o que depois foi Prefeito de São Paulo e Presidente da Companhia Paulista de Estradas de Ferro por 28 anos), em terras devolutas para a fixação de mão-de-obra onde se estabeleceram (pelo menos neste caso) colonos alemães, portugueses, cearenses e, em sua maior parte, italianos. A proximidade da linha-tronco da Mogiana, que cortava as diversas glebas do núcleo mais ou menos no meio, acompanhando o alto ribeirão Preto (sim, o córrego), facilitou a fixação desses colonos, que adquiriam os lotes (chamados então de chácaras) e ali moravam, plantavam e tinham pequenas indústrias e artesanatos. Segundo Adriana Capretz Borges da Silva, a estação já existiria no ponto onde hoje está, desde 1892 - provavelmente como um estribo simples para o desembarque desses colonos para o barracão, um galpão próximo, que abrigava os imigrantes que chegavam à cidade. Somente em 1900, a estação de Barracão foi finalmente inaugurada com o mesmo prédio, bem ao estilo Mogiana, que hoje ali está com pequenas modificações. O seu nome foi dado tendo como motivo o tal galpão, que nomeou tanto a estação quanto os bairros ao seu redor, chamados por muitos anos de Barracão de Cima (hoje Ipiranga) e Barracão de Baixo (hoje Campos Elísios). O prédio, que foi destruído por um incêndio no início do século 20, era o equivalente a uma hospedaria de imigrantes, como existia por exemplo na cidade de São Paulo. Daqui passou a sair o ramal de Sertãozinho, que já existia desde o ano anterior. Dado interessante: embora a estação existisse desde 1900, os terrenos onde ela estava somente foram comprados pela Mogiana em 1913, quando ela adquiriu diversos lotes que jamais haviam sido vendidos ou ocupados por colonos, junto à atual rua Capitão Salomão e ao lado dos lotes 6a e 7a do loteamento original do Núcleo Antonio Prado, pagando esses lotes compridos e numerados de 1 a 25 (no mapa abaixo eles aparecem como pequenos riscos com a linha da Mogiana cortando-os ao meio) Eram 3,2 hectares pelos quais a ferrovia pagou 25:600$000. O ramal de Sertãozinho, a partir de 1914, passou a se ligar com o ramal de Pontal, da Cia. Paulista, permitindo a ligação entre as duas linhas-tronco principais das duas companhias. Em 1964, com a modificação da linha-tronco da Mogiana, a estação passou a fazer parte do próprio ramal, ficando fora do tronco, e o ramal passou a sair da nova estação de Ribeirão. Quando foi construída a linha nova, foi feita uma alça de ligação da nova com a linha antiga e para se atingir a velha, um desvio passou a sair de Ribeirão-nova. Depois de uma enorme curva, ele encontrava a linha antiga, precisamente entre as estações do Alto e de Barracão. Isso servia para acessar o ramal de Sertãozinho, as grandes instalações da Ribeirão-velha (oficinas, estação central, depósitos,etc) e o ramal de Guatapará, até a sua extinção, em 1976. Com a efetivação da linha nova e a demolição "de toda e qualquer coisa que lembrasse ferrovia nas cercanias da então futura rodoviária de Vila Tibério (1)", a alça passou apenas a servir de acesso para o ramal de Sertãozinho, e a estação passou a fazer parte do ramal. Portanto, ainda existe um trecho, mesmo que pequeno, da antiga linha-tronco no meio de Ribeirão Preto. Barracão esteve por muitos anos desativada, depois de por vários anos, e há até meados dos anos 1990, ser o palco de uma curiosa manobra de trens cargueiros que se dirigiam de Ribeirão-nova para o ramal de Sertãozinho, e que complicava o trânsito de veículos na avenida Dom Pedro I, ali ao lado - a manobra existia justamente porque o trem tinha de entrar num trecho que sobrou da linha original do tronco da Mogiana e que seguia para a Vila Tibério e voltar para entrar no ramal. Como o ramal está desativado desde 1998, isso não ocorre mais. Em 2011 o prédio estava fechado.
As casas do núcleo eram feitas com o suor do rosto: "...construíram a casa deles, colocaram plantas, cobriram e meu pai morou lá até completar um ano. Depois eles se mudaram para uma casa que fizeram recolhendo barro de um buracão. Amassaram com os pés, faziam uns tijolos grandes. Aquela casa existe ainda. Os tijolos eram só para eles, não vendiam. O madeiramento das árvores foi feito com as árvores do lugar, aqui só tinha mato. Compraram as telhas. Era um casarão muito grande, tinha uma sala comprida no meio, os dormitórios dos lados e no fundo tinha duas cozinhas. A sala parecia um salão, os quartos também, com janelas grandes de madeira" (Sônia Girotto, 11/2000, depoimento para Adriana Capretz Borges da Silva).

Cerveja INVICTA com a figura da estação de Barracão (fev/2014, cessão Tales Cardoso).

ACIMA: Parte do Núcleo Antonio Prado, no local hoje parte do bairro do Ipiranga. Vê-se a linha da Mogiana, tronco, e a estação, assinada com uma flecha (essa marca foi feita pelo autor deste site). Para cima na figura (na realidade, sentido nordeste na realidade; ver mapa recente, abaixo nesta página) a linha ainda existe hoje (2006). Para baixo, a linha já foi retirada há muitos anos. Na época do mapa, ainda não existia o ramal de Sertãozinho, inaugurado em 1899 e que cortava os lotes longos de 1 a 11 (onde estão assinalados pela autora do trabalho de onde o mapa foi extraído as marcas dos nomes das ruas do loteamento, de 9 a 15). Esses lotes foram comprados pela Mogiana para que o ramal pudesse ser construído. A estação do Barracão está mostrada entre os lotes 6a e 7a (últimos à direita, ao lado da linha) e o ribeirão Preto. A rua 3 é a avenida Dom Pedro I, sendo que ao lado da estação ela se chama Capitão Salomão. É sempre interessante assinalar que o Núcloe Colonial abrangia uma área bem maior do que a constante no mapa acima, que somente mostra a parte próxima à estação, que aqui nos interessa. (Mapa extraído da obra de Adriana Capretz Borges da Silva, Campos Elísios e Ipiranga, Memórias do Antigo Barracão, Editora COC, 2006). ABAIXO: A estação do Barracão, vazia em agosto de 2011 (Foto Marcelo Tomaz).

ACIMA: Esquema do pátio de Barracão em novembro de 1968 (Clique sobre a figura para ter maiores informações) (Acervo Museu da Companhia Paulista, Jundiaí, SP - Reprodução Caio Bourg). ABAIXO: A estação de Barracão em 11/4/1977. Pela data, ela havia sido fechada para passageiros havia poucos meses, com a supressão desses trens no ramal de Sertãozinho (Foto: José Roberto Pascon).


ACIMA: A estação do Barracão , ao lado direito da rua Capitão Salomão (nro 2). O pontilhado vermelho mostra o antigo leito da Mogiana dirigindo-se à não mais existente estação de Ribeirão Preto na Vila Tibério. Ali não existem mais trilhos desde há muito, fato que gerava a manobra dos trens, junto ao (nro 2). e que hoje não mais ocorre justamente por falta dos trens para o ramal. A nordeste da estação (retângul vermelho junto ao nro 2), a bifurcação para o ramal (à esquerda) e para a estação de Ribeirão-nova (essa linha que se juntava à variante Bento Quirino-Entroncamento era remanescente do tronco original, de 1886). Finalmente, o trecho em vermelho (no Ipiranga) mostra a continuação dos trilhos, que ainda estão lá hoje (2006), mas que o mapa estranhamente não mostrou, nesta edição de 1998. Note-se ainda a noroeste dos trilhos o bairro do Ipiranga, antido bairro do Barracão de cima, e a sudeste, parte do de Campos Elísios, antigo bairro do Barracão de Baixo (Star Guia, 29a edição, 1998).
(Fontes: Ralph M. Giesbrecht: pesquisa local; Silvio Rizzo; Tales O. C. Cardoso; Marcelo Tomaz; Dirceu Baldo; Rodrigo Cabredo; José Roberto Pascon; Caio Bourg; Museu da Cia. Paulista, Jundiaí, SP; Cia. Mogiana: relatórios anuais, 1875-1969; Cia. Mogiana: Relação oficial de estações, 1937; Adriana Capretz Borges da Silva: Campos Elísios e Ipiranga - Memórias do Antigo Barracão, Editora COC, 2006; Star Guia, Ribeirão Preto, 29a edição, 1998; Diário da Manhã, 1967-1976; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
     

A estação de Barracão, c. 1910. Acervo Ralph M. Giesbrecht

Em foto de 1990, a estação de Barracão. Foto Rodrigo Cabredo

Em 29/12/1999, a estação de Barracão. Foto Ralph M. Giesbrecht

Em 29/12/1999, a estação de Barracão. Foto Ralph M. Giesbrecht

A estação, em dezembro de 2000. Foto Dirceu Baldo

A estação em 2007. Foto Daniel, Ribeirão Preto

A estação em 27/3/2016. Foto Silvio Rizzo
   
     
Atualização: 29.03.2016
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.