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Cia. Mogiana de
Estradas de Ferro (1900-1971)
FEPASA (1971-1998) |
BARRACÃO
Município de Ribeirão Preto,
SP |
| Linha-tronco original - km 314,264 |
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SP-0998 |
| Altitude: 517 m |
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Inauguração: 01.06.1900 |
| Uso atual: fechado (2011) |
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com trilhos |
| Data de construção do
prédio atual: 1900? |
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| HISTORICO DA LINHA: A linha-tronco
da Mogiana teve o primeiro trecho inaugurado em 1875, tendo chegado
até o seu ponto final em 1886, na altura da estação de Entroncamento,
que somente foi aberta ali em 1900. Inúmeras retificações foram feitas
desde então, tornando o leito da linha atual diferente do original
em praticamente toda a sua extensão. Em 1926, 1929, 1951, 1960, 1964,
1971, 1973 e 1979 foram feitas as modificações mais significativas,
que tiraram velhas estações da linha e colocaram novas versões nos
trechos retificados. A partir de 1971 a linha passou a ser parte da
Fepasa. No final de 1997, os trens de passageiros deixaram de circular
pela linha. |
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A ESTAÇÃO: Em 1886, continuando
com a política de núcleos coloniais para imigrantes
do Governo Imperial e também paulista, foi fundado o Núcleo
Colonial Senador Antonio Prado (sim, o que depois foi Prefeito
de São Paulo e Presidente da Companhia Paulista de Estradas
de Ferro por 28 anos), em terras devolutas para a fixação
de mão-de-obra onde se estabeleceram (pelo menos neste caso)
colonos alemães, portugueses, cearenses e, em sua maior parte,
italianos. A proximidade da linha-tronco da Mogiana, que cortava as
diversas glebas do núcleo mais ou menos no meio, acompanhando
o alto ribeirão Preto (sim, o córrego), facilitou a
fixação desses colonos, que adquiriam os lotes (chamados
então de chácaras) e ali moravam, plantavam e tinham
pequenas indústrias e artesanatos. Segundo Adriana
Capretz Borges da Silva, a estação já existiria
no ponto onde hoje está, desde 1892 - provavelmente como um
estribo simples para o desembarque desses colonos para o barracão,
um galpão próximo, que abrigava os imigrantes que chegavam
à cidade. Somente em 1900, a estação de Barracão
foi finalmente inaugurada com o mesmo prédio, bem ao estilo
Mogiana, que hoje ali está com pequenas modificações.
O seu nome foi dado tendo como motivo o tal galpão, que nomeou
tanto a estação quanto os bairros ao seu redor, chamados
por muitos anos de Barracão de Cima (hoje Ipiranga)
e Barracão de Baixo (hoje Campos Elísios).
O prédio, que foi destruído por um incêndio no
início do século 20, era o equivalente a uma hospedaria
de imigrantes, como existia por exemplo na cidade de São
Paulo. Daqui passou a sair o ramal de Sertãozinho, que
já existia desde o ano anterior. Dado interessante: embora a estação
existisse desde 1900, os terrenos onde ela estava somente foram comprados
pela Mogiana em 1913, quando ela adquiriu diversos lotes que jamais
haviam sido vendidos ou ocupados por colonos, junto à atual
rua Capitão Salomão e ao lado dos lotes 6a e 7a do loteamento
original do Núcleo Antonio Prado, pagando esses lotes
compridos e numerados de 1 a 25 (no mapa abaixo eles aparecem como
pequenos riscos com a linha da Mogiana cortando-os ao meio) Eram 3,2
hectares pelos quais a ferrovia pagou 25:600$000. O ramal de Sertãozinho,
a partir de 1914, passou a se ligar com o ramal de Pontal,
da Cia. Paulista, permitindo a ligação entre as duas linhas-tronco
principais das duas companhias. Em 1964, com a modificação da linha-tronco
da Mogiana, a estação passou a fazer parte do próprio ramal, ficando
fora do tronco, e o ramal passou a sair da nova estação de Ribeirão.
Quando foi construída a linha nova, foi feita uma alça de ligação
da nova com a linha antiga e para se atingir a velha, um desvio passou
a sair de Ribeirão-nova. Depois de uma enorme curva, ele encontrava
a linha antiga, precisamente entre as estações do Alto e de
Barracão. Isso servia para acessar o ramal de Sertãozinho,
as grandes instalações da Ribeirão-velha (oficinas, estação
central, depósitos,etc) e o ramal de Guatapará, até a sua extinção,
em 1976. Com a efetivação da linha nova e a demolição "de toda
e qualquer coisa que lembrasse ferrovia nas cercanias da então
futura rodoviária de Vila Tibério (1)", a alça passou apenas a
servir de acesso para o ramal de Sertãozinho, e a estação
passou a fazer parte do ramal. Portanto, ainda existe um trecho, mesmo
que pequeno, da antiga linha-tronco no meio de Ribeirão Preto.
Barracão esteve por muitos anos desativada, depois de por vários
anos, e há até meados dos anos 1990, ser o palco de uma curiosa manobra
de trens cargueiros que se dirigiam de Ribeirão-nova para o
ramal de Sertãozinho, e que complicava o trânsito de veículos
na avenida Dom Pedro I, ali ao lado - a manobra existia justamente
porque o trem tinha de entrar num trecho que sobrou da linha original
do tronco da Mogiana e que seguia para a Vila Tibério e voltar
para entrar no ramal. Como o ramal está desativado desde 1998,
isso não ocorre mais. Em 2011 o prédio estava fechado.
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As casas do núcleo eram feitas com
o suor do rosto: "...construíram a casa deles,
colocaram plantas, cobriram e meu pai morou lá até
completar um ano. Depois eles se mudaram para uma casa que
fizeram recolhendo barro de um buracão. Amassaram com
os pés, faziam uns tijolos grandes. Aquela casa existe
ainda. Os tijolos eram só para eles, não vendiam.
O madeiramento das árvores foi feito com as árvores
do lugar, aqui só tinha mato. Compraram as telhas.
Era um casarão muito grande, tinha uma sala comprida
no meio, os dormitórios dos lados e no fundo tinha
duas cozinhas. A sala parecia um salão, os quartos
também, com janelas grandes de madeira" (Sônia
Girotto, 11/2000, depoimento para Adriana Capretz Borges da
Silva).
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Cerveja INVICTA com a figura da estação
de Barracão (fev/2014, cessão Tales Cardoso).
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ACIMA: Parte do Núcleo Antonio Prado, no
local hoje parte do bairro do Ipiranga. Vê-se a linha da Mogiana,
tronco, e a estação, assinada com uma flecha (essa marca
foi feita pelo autor deste site). Para cima na figura (na realidade,
sentido nordeste na realidade; ver mapa recente, abaixo nesta página)
a linha ainda existe hoje (2006). Para baixo, a linha já foi
retirada há muitos anos. Na época do mapa, ainda não
existia o ramal de Sertãozinho, inaugurado em 1899 e que cortava
os lotes longos de 1 a 11 (onde estão assinalados pela autora
do trabalho de onde o mapa foi extraído as marcas dos nomes
das ruas do loteamento, de 9 a 15). Esses lotes foram comprados pela
Mogiana para que o ramal pudesse ser construído. A estação
do Barracão está mostrada entre os lotes 6a e 7a (últimos
à direita, ao lado da linha) e o ribeirão Preto. A rua
3 é a avenida Dom Pedro I, sendo que ao lado da estação
ela se chama Capitão Salomão. É sempre interessante
assinalar que o Núcloe Colonial abrangia uma área bem
maior do que a constante no mapa acima, que somente mostra a parte
próxima à estação, que aqui nos interessa.
(Mapa extraído da obra de Adriana Capretz Borges da Silva,
Campos Elísios e Ipiranga, Memórias do Antigo Barracão,
Editora COC, 2006). ABAIXO: A estação do Barracão,
vazia em agosto de 2011 (Foto Marcelo Tomaz).

ACIMA: Esquema do pátio de Barracão
em novembro de 1968 (Clique sobre a figura para ter maiores informações)
(Acervo Museu da Companhia Paulista, Jundiaí, SP - Reprodução
Caio Bourg). ABAIXO: A estação de Barracão em
11/4/1977. Pela data, ela havia sido fechada para passageiros havia
poucos meses, com a supressão desses trens no ramal de Sertãozinho
(Foto: José Roberto Pascon).

ACIMA: A estação do Barracão
, ao lado direito da rua Capitão Salomão (nro 2). O
pontilhado vermelho mostra o antigo leito da Mogiana dirigindo-se
à não mais existente estação de Ribeirão
Preto na Vila Tibério. Ali não existem mais trilhos
desde há muito, fato que gerava a manobra dos trens, junto
ao (nro 2). e que hoje não mais ocorre justamente por falta
dos trens para o ramal. A nordeste da estação (retângul
vermelho junto ao nro 2), a bifurcação para o ramal
(à esquerda) e para a estação de Ribeirão-nova
(essa linha que se juntava à variante Bento Quirino-Entroncamento
era remanescente do tronco original, de 1886). Finalmente, o trecho
em vermelho (no Ipiranga) mostra a continuação dos trilhos,
que ainda estão lá hoje (2006), mas que o mapa estranhamente
não mostrou, nesta edição de 1998. Note-se ainda
a noroeste dos trilhos o bairro do Ipiranga, antido bairro do Barracão
de cima, e a sudeste, parte do de Campos Elísios, antigo bairro
do Barracão de Baixo (Star Guia, 29a edição,
1998).
(Fontes: Ralph M. Giesbrecht: pesquisa local;
Silvio Rizzo; Tales O. C. Cardoso; Marcelo Tomaz; Dirceu Baldo; Rodrigo
Cabredo; José Roberto Pascon; Caio Bourg; Museu da Cia. Paulista,
Jundiaí, SP; Cia. Mogiana: relatórios anuais, 1875-1969;
Cia. Mogiana: Relação oficial de estações,
1937; Adriana Capretz Borges da Silva: Campos Elísios e Ipiranga
- Memórias do Antigo Barracão, Editora COC, 2006; Star
Guia, Ribeirão Preto, 29a edição, 1998; Diário
da Manhã, 1967-1976; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht) |
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A estação de Barracão, c. 1910. Acervo
Ralph M. Giesbrecht |

Em foto de 1990, a estação de Barracão.
Foto Rodrigo Cabredo |

Em 29/12/1999, a estação de Barracão. Foto
Ralph M. Giesbrecht |

Em 29/12/1999, a estação de Barracão. Foto
Ralph M. Giesbrecht |

A estação, em dezembro de 2000. Foto Dirceu Baldo |

A estação em 2007. Foto Daniel, Ribeirão
Preto |

A estação em 27/3/2016. Foto Silvio Rizzo |
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| Atualização:
29.03.2016
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