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VXY Mogiana em MG
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Macaúbas
Boa Sorte
Mandiú
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Linha do Rio Grande-1935
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ESTIVE NO LOCAL: NÃO
ESTIVE NA ESTAÇÃO: NÃO
ÚLTIMA VEZ: N/D
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Cia. Mogiana de Estradas de Ferro (1887-1971)
FEPASA (1971-c.1988)
BOA SORTE
(antiga SAPUCAHY-MIRIM)

Município de Restinga, SP
Linha do Rio Grande - km 389,161   SP-1001
Altitude: 669 m   Inauguração: 1887
Uso atual: Igreja Assembleia de Deus (2013)   sem trilhos
Data de construção do prédio atual: 1899?
 
 
HISTORICO DA LINHA: A Linha do Rio Grande foi inaugurada em seu primeiro trecho em 1886, e em dois anos (1888), já chegava a Rifaina, onde cruzava o rio Grande e mudava o nome para Linha do Catalão, que por sua vez chegou a Uberaba já no ano seguinte. Em 1970, as duas linhas foram seccionadas, com a construção da barragem de Jaguara. O trecho a partir de Pedregulho foi extinto, e logo depois, o trecho a partir de Franca também o foi. Em 1977, os trens de passageiros deixaram de circular, e em 1980, passou o último trem de carga. Em 1988, seus trilhos foram arrancados. Em 1990, foram recolocados os trilhos no trecho entre Pedregulho e Rifaina, constituindo-se a E. F. Vale do Bom Jesus, com fins turísticos.
 
A ESTAÇÃO: A estação foi aberta em 1887, como Sapucahy-mirim, por causa do rio que passa próximo.

Em 1898, o seu nome foi alterado para o atual, Boa Sorte, devido ao fato de ter sido, nesse mesmo ano, aberta a estação terminal de Sapucaí, na divisa de São Paulo com Minas Gerais, ponto final do ramal de Itapira e entroncamento com a E. F. Sapucaí, "para evitar confusão" com a estação quase homônima (relatório da Cia. Mogiana, 1898).

Fica no meio do Horto Boa Sorte, da Mogiana desde 1941, e a partir de 1971, da Fepasa.

O curioso é que a estação, como Sapucahy-Mirim, já aparecia na relação das estações dos relatórios da Mogiana desde 1887, mas a data oficial de sua inauguração, em relatórios posteriores, é citada como sendo 01/06/1899: acredita-se que esta seja, então, a data da construção do seu prédio atual.

Em 1986, a Fepasa recomendava incorporar o prédio ao patrimônio do próprio horto. O horto já estava decadente: com o preço do dormente de madeira superior ao do de cimento, o horto se tornou deficitário. A extração da madeira então passou para madeireiras especializadas em moirões e postes para cercas e caiu no esquecimento dos moradores da região. Do esquecimento para o abandono foi um passo. Com isso, tornou-se alvo de ocupação por sem-terras. Em 01/01/1998, a propriedade foi ocupada por sem-terras, que mudaram o nome para "Assentamento 17 de Abril", homenageando os 19 sem-terras mortos naquele dia de 1996 em Eldorado dos Carajás, no Pará.

"Quanta saudade, tinha sete anos de ferrovia e ia de trem de Franca a Boa Sorte, 28 km, todas as terças-feiras pescar no Rio Sapucaí, distante mais ou menos 3 km da estação. Hoje, se o carro não chegar na beira do rio a gente desiste da pescaria" (Abimael Simões, julho de 2009).

A antiga estação ainda estava lá em 2013, servindo (metade dela) como templo da Assembleia de Deus. A outra metade estava vazia.

Em 2016, "a estação está em estado avançado de deterioração; é muito triste ver seu abandono. Algumas portas e janelas foram arrancadas, muitas telhas vindas de Mogi Guaçu (é possível ler Mogi Guaçu nelas) quebradas, o forro interno quase todo arruinado, o assoalho de madeira de alguns cômodos arrancados, apenas uma parte da estação está com porta, não percebi se ali funciona alguma coisa, também esqueci de perguntar ao nosso colega" (Tales Oliveira Cardoso, dez/2015).
ACIMA: Esquema do pátio de Boa Sorte em novembro de 1968 (Clique sobre a figura para ter maiores informações) (Acervo Museu da Companhia Paulista, Jundiaí, SP - Reprodução Caio Bourg). ABAIXO: No pátio da estação de Boa Sorte, o Grupo Escolar. Ainda funcionaria em 1995, ano desta foto? (Foto Abimael Simões).


ACIMA: A estação de Boa Sorte em janeiro de 2008, vista aérea. Vejam as anotações de Abimael Simões, descrevendo onde era cada unidade da antiga Mogiana na estação, que atendia ao horto da ferrovia. No item 9, à direita, havia um desvio que levava à serraria. A estação é o item 1, no centro da foto. A linha do Rio Grande seguia no caminho que cruza a fotografia do alto ao canto inferior direito; e por aí afora. Como se vê pela reportagem, houve um crime no local, hoje tomado por sem-terras (Foto do jornal O Comércio de Franca, edição de 8/janeiro/2008, cessão Abimael Simões).

(Fontes: Abimael Simões; Ligia Silveira; Odilon Comodaro; Tales Oliveira Cardoso; César Café Barreto; Caio Bourgi; Cia. Mogiana: relatórios anuais, 1875-1969; FEPASA: Relatório de Instalações Fixas, 1986; Acervo Museu da Companhia Paulista, Jundiaí; O Comercio de Franca. 2008; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
     

A estação em funcionamento, em 1974. Foto Abimael Simões

A estação em funcionamento, em 1974. Foto Abimael Simões

A estação em 1995. Foto Abimael Simões

A antiga estação, em 26/11/2001. Foto de Odilon Comodaro, Franca, SP

A estação em 10/2003. Foto Cesar Café Barreto

A estação em 10/2003. Foto Cesar Café Barreto

A estação em 10/2003. Foto Cesar Café Barreto

A estação, do lado abandonado, em 2013. Foto Ligia Silveira

A estação em 12/2015. Foto Tales Oliveira Cardoso
     
Atualização: 12.09.2016
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.