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E. F. Bahia-Minas
(1891-1912)
Chemins de Fer Federaux de l'Est Bresilien (1912-1936)
E. F. Bahia-Minas (1936-1965)
Viação Férrea Centro-Oeste (1965-1966) |
PONTA
DA AREIA
Município de Caravelas, BA |
| E. F. Bahia-Minas - km 0 (1960) |
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BA-0199 |
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Inauguração: 1881 |
| Uso atual: demolida |
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sem trilhos |
| Data de construção do
prédio atual: 1881 (já demolido) |
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| HISTORICO DA LINHA: A E. F. Bahia
a Minas começou a ser aberta em 1881, ligando finalmente Caravelas,
no litoral baiano, à serra de Aimorés, na divisa com
Minas Gerais, um ano depois. Somente em 1898 a ferrovia chegaria a
Teófilo Otoni, e em 1918, a Ladainha. Em 1930 atingiu Schnoor.
Em 1941, chegou a Alfredo Graça, e, em 1942, chegou em Arassuaí,
seu ponto final definitivo. A ferrovia originalmente pertencia à
Provincia da Bahia; em 1897 passou a ser propriedade do Estado de
Minas Gerais, para, em 1912, passar a ser administrada pelos franceses
da Chemins de Fer Federaux de L'Est Brésilien até 1936,
retornando nesse ano a ser uma ferrovia isolada. Em 1965, foi encampada
pela V. F. Centro-Oeste e finalmente extinta em 1966. Embora tenha
havido planos para a união da ferrovia com a Vitória-Minas,
tal nunca ocorreu e ela permaneceu isolada. |
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A ESTAÇÃO: A estação
foi inaugurada em 1881. Ficava na localidade de Ponta da Areia,
aparentemente criada para ser o km zero da ferrovia. Em 1881, inauguraram-se
os primeiros 500 metros da ferrovia a partir dessa estação,
num gesto simbólico. Somente em 09.11.1882 é que a ferrovia
começou a operar, chegando à serra dos Aimorés.
Em 1893... "Só há um trem obrigatório por semana, o qual parte
da estação de Caravelas (Ponta de Areia) às 6 horas da manhã, nos
domingos, e chega a Urucu às 6 horas da tarde. Volta de Urucu às 6
horas da manhã, nas segundas-feiras, e chega a Caravelas às 6 horas
da tarde. Os trens de cargas são em dias indeterminados, de acordo
com as necessidades do tráfego; partindo quase sempre depois da chegada
dos vapores ao porto de Caravelas" (Pedro
Versiani: Relatório do engenheiro fiscal da Estrada de Ferro Bahia
e Minas, 1893). Já em 1908... "Devido a
sérios distúrbios havidos em maio findo em Ponta da
Areia, sede da estação inicial, do escritório
central, das oficinas e mais dependencias desta Estrada, e no qual
esteve envolvido quase todo o seu pessoal, não houve no ano
findo (1908) a devida regularidade no tráfego desta estrada".
(Mensagem apresentada a Assemblea Geral Legislativa do Estado da
Bahia na abertura da 1a Sessão Ordinaria da 10a Legislatura pelo Dr.
João Ferreira de Araujo Pinho, Governador da Bahia, 1909). O que
teria havido? Uma revolta? Por qual motivo? As condições
da estrada não eram boas: no mesmo relatório, havia
reclamações do engenheiro fiscal quanto ao estado dos
trilhos, "estragados pelo uso de 25 anos". A

ACIMA: Percurso da Bahia-Minas no município
de Caravelas, onde começava a linha. A estação
de Ponta da Areia está no estuário do rio Peruípe,
a leste (Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, volume
VI, IBGE, 1958).
estação, até os anos 1940, chamava-se
Central. Somente nessa época é que teve o nome alterado
para o da localidade. "De Caravela para Ponta de Areia, costumavam
ir pessoas e cargas pequenas, como peixe. Lá, ancoravam navios
que eram carregados com madeira bruta, que vinha de Aimorés,
Argolo e Artur Castilho. Aquilo era tudo mataria. O Areriacararí
era um navio de dois ou três porões, que saía
pendendo de madeira. Tinha as pitombas, lugares que eram enchidos
com madeira bruta. Em cada balcão daqueles, trabalhava-se com
pranchas dia e noite, descarregando. Havia uma pessoa que ia emendando
as toras em cordas, para embarcar nos navios" (Oronilides
de Oliveira, ex-telegrafista da Baiminas). A estação
foi fechada em 1966, com o fim das atividades da ferrovia. "Uma
semana antes do carnaval de 1980 estive em Ponta de Areia para conhecer
a estação. Infelizmente só havia ruínas. Segundo um funcionário da

ACIMA: O que sobrou das oficinas de Ponta da Areia,
em fevereiro de 1980. ABAIXO: Ainda as oficinas, à esquerda,
e, à direita, o pouco que sobrou do antigo pier (Fotos Carlos
Augusto Leite Pereira).

Aeronáutica que trabalhava na Base de Caravelas, e que tinha sido
funcionário da E. F. Bahia-Minas, e transferido para a Aeronáutica
após a extinção da ferrovia, o prefeito de Caravelas, do PMDB, queria
fazer uma praça onde ficava o terminal de Ponta de Areia. Com medo
do tombamento da estação por causa da música do Milton Nascimento,
o prefeito autorizou a população a retirar todo material de construção
que quizesse do prédio principal da estação. Assim tudo foi retirado.
Fotografei o que sobrou: as ruínas da estação, do pier, das oficinas
e a caixa d'agua" (Carlos Augusto Leite Pereira, 11/2007).
"Ponta de areia, ponto final/da Bahia Minas, estrada natural/Que
ligava Minas ao porto,/ao mar,/caminho de ferro/mandaram arrancar/Velho
maquinista com seu boné/lembra o povo alegre/que vinha cortejar/Maria-fumaça
não canta mais,/para moças flores,/janelas e quintais/Na
praça vazia um grito, um ai,/casas esquecidas,/viúvas
nos portais" (Ponta de Areia - Milton Nascimento
e Fernando Brant)
(Fontes: Carlos Augusto Leite Pereira; Carlos Ralile;
Oronilides de Oliveira; Pedro Versiani: Relatório do engenheiro fiscal
da Estrada de Ferro Bahia e Minas, 1893; Mensagem apresentada
a Assemblea Geral Legislativa do Estado da Bahia na abertura
da 1a Sessão Ordinaria da 10a Legislatura pelo Dr. João Ferreira de
Araujo Pinho, Governador da Bahia, 1909; Guia Geral das Estradas de
Ferro do Brasil, 1960) |
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A estação da Ponta da Areia, inteira. Autor desconhecido;
data ignorada |

Demolição da estação. Acervo Carlos
Ralile |

Ruínas da estação de Ponta da Areia, em
fevereiro de 1980. Foto Carlos Augusto Leite Pereira |

Ruínas da estação de Ponta da Areia, ainda
com a plataforma, em fevereiro de 1980. Foto Carlos Augusto
Leite Pereira |

A caixa d'água da estação de Ponta da Areia,
em fevereiro de 1980. Foto Carlos Augusto Leite Pereira |

Ruínas da estação de Ponta da Areia, em
fevereiro de 1980. Foto Carlos Augusto Leite Pereira |
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| Atualização:
31.07.2011
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