| HISTORICO DA LINHA: O
ramal de Lima Duarte, em bitola de 1,60m, foi aberto ao tráfego
em 1914 até a estação de Penido e somente em
1924 chegaria à estação seguinte, Valadares.
Em 1926 alcançou sua extensão máxima, em Lima
Duarte - 56 km. O projeto previa bitola métrica e para tanto
foi construída bitola mista entre as estações
de Juiz de Fora e de Benfica, na linha do Centro, pois o trem partia
da primeira. Porém, acabou sendo aberto com bitola larga. O
ramal deveria alcançar Bom Jardim de Minas, na linha da RMV,
mas nunca foi completado, e por isso deveria ter a bitola métrica,
que era a da RMV. Em 01/09/1974, o ramal foi suprimido. Porém,
aparentemente já desde 1970 os trens de passageiros não
mais circulavam no ramal. |
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A ESTAÇÃO: A estação de Lima
Duarte foi aberta em 1926, nove meses antes da inauguração
da "parada Lima Duarte".
"A Parada Deocleciano de Vasconcellos servia ao centro da
cidade. Porém, como o terreno ali não oferecia condições para a
instalação de um pátio ferroviário amplo, este foi construído 2.600
metros adiante, onde se erigiu a estação dita de Lima Duarte, no
Bairro Barreira, inaugurada 4 anos mais tarde (*), em 1930,
sem a presença do Governador Benedito Valadares, em terreno pertencente
ao Senhor Nominato de Paiva Duque, então Intendente Municipal. Esse
fato gerava confusão, já que era muito comum passageiros passarem
direto e descerem na Barreira, julgando ter enfim chegado a Lima
Duarte, quando na verdade teriam que retornar dois quilômetros e
meio para chegar ao centro. Valadares não compareceu, como
afirma o filho do intendente da época, Hélio de Paula Duque"
(Marco Antonio da Silva, 11/11/2009).
A estação foi ponta do ramal até a desativação
deste, em 1974, embora o projeto inicial fosse de levar o ramal
até Bom Jardim de Minas, na Rede Mineira de Viação.
Tal nunca aconteceu, embora o leito tenha sido preparado em muito
do percurso - com cortes e até viadutos de concreto. O último
trem de passageiros vindo de Juiz de Fora ali teria parado
em 1972.
A estação hoje serve de pavilhão para exposições.
"O edifício da estação de Lima Duarte é eclético, como grande
parte das estações ferroviárias brasileiras. São características
desse estilo: a proporção, a simetria, platibanda, janelas altas
e amplas, o uso de tons pastéis (geralmente de 3 a 5 cores, os tons
mais escuros na parede, nos ornamentos um tom mais claro e um terceiro
nas esquadrias). Através da foto enviada pela Vicentina, do acervo
do Afrânio de Paula, que infelizmente não sabemos a data é percebido
esse uso do tom mais escuro na parede e mais claro nos ornamentos,
já hoje percebemos o contrário: ornamentos escuros e parede clara.
Apesar da foto antiga não pegar toda a extensão do edifício, pude
perceber que atualmente existe uma janela que muito provavelmente
não existia antigamente. A característica simétrica do ecletismo
corrobora essa ideia de que essa janela foi feita posteriormente"
(Ana Luisa Delgado, julho de 2016).
(*) Nota do autor do site: Pode ser
que a estação de Lima Duarte tenha sido realmente
construída em 1930, mas em 1928 já existia pelo menos
o caminho do trem até lá e uma parada; Max Vasconcellos
percorreu-o, e cita a data de 1926 como sendo a da inauguração.
Já a parada D. Vasconcellos tem a data oficial de inauguração
como sendo nove meses após a estação terminal,
em dezembro de 1926.
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1927
AO LADO: Os estudos para
o prolongamento do ramal até Bom Jardim, na linha da
barra da RMV, já estavam prontos em 1927, mas nunca
foi feito (O Estado de S. Paulo, 26/11/1927).
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ACIMA: Foto da cidade de Lima Duarte nos anos
1950. Nota-se a linha férrea fazendo uma curva a centro-esquerda
da tomada, não muito longe da igreja (Foto Tibor Jablonski).
ABAIXO: Vista da cidade tomada de outra posição
em 2011. O antigo pátio está em primeiro plano, como
Parque de Exposições. Dá para se ver o prédio da estação, a casa
do mestre de linha e a casa do chefe da estação (Foto Ronisch Baumgratz;
cessão Marco Antonio da Silva).


ACIMA: Mapa da região de Lima Duarte, vendo-se o triângulo
de reversão, no fim da linha (esquerda), a estação
da cidade (assinalada com a seta à esquerda) e a parada Deocleciano,
assinalada com outra seta (à direita) (1939 - Autor desconhecido).
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TRENS
- De acordo com os guias de horários e outras fontes,
os trens de passageiros pararam nesta estação
de 1926 a 1970. Ao lado, um destes trens em Lima Duarte, em
1952. Clique sobre a foto para ver mais detalhes sobre a foto.Veja
aqui horários
em 1964 (Guias Levi). |
(Fontes: Jorge A. Ferreira; Ana Luisa Delgado;
Afranio de Paula; Marco Antonio da Silva; Ronisch Baumgratz; Tibor
Jablonski; Cláudio Fabiano Kloss; Folha da Manhã, 1930;
Max Vasconcellos: Vias Brasileiras de Comunicação, 1928;
Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960) |