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VXY Mogiana em MG
Indice de estações
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Simplício
Porto Novo
Além Paraíba
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 2012
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E. F. Dom Pedro II (1871-1890)
E. F. Central do Brasil (1890-1960)
E. F. Leopoldina (1960-1975)
RFFSA (1975-1996)
PORTO NOVO DO CUNHA
Município de Além Paraíba, MG
Linha Auxiliar - km 240,108 (1928)   MG-1319
Altitude: 143 m   Inauguração: 06.08.1871
Uso atual: abandonada (2016)   com trilhos
Data de construção do prédio atual: 1871
 
 
HISTORICO DA LINHA: A chamada Linha Auxiliar foi construída pela E. F. Melhoramentos a partir de 1892 e em 1898 foi entregue o trecho entre Mangueira (onde essa linha e a do Centro se separam) e Entre Rios (Três Rios). O traçado da serra, construído em livre aderência e com poucos túneis, foi projetado por Paulo de Frontin, um dos incorporadores da estrada. Em 1903, a E. F. Melhoramentos foi incorporada à E. F. Central do Brasil e passou a se chamar Linha Auxiliar. Ferrovias foram incorporadas a ela, assim como ramais construídos, dando origem à Rede de Viação Fluminense, que tinha como tronco a Linha Auxiliar, sendo tudo gerido pela Central. Na mesma época, o ramal de Porto Novo, que saía de Entre Rios, teve a sua bitola estreitada para métrica e tornou-se a continuação da Linha Auxiliar até Porto Novo, onde se entroncava com a Leopoldina. No final dos anos 1950, este antigo ramal foi incorporado à E. F. Leopoldina e a Linha Auxiliar passou a terminar de novo em Três Rios, onde havia baldeação. A linha, entre o início e a estação de Japeri, onde se encontra com a Linha do Centro pela primeira vez, transformou-se em linha de trens de subúrbios, que operam até hoje; da mesma forma, a linha se confunde com a Linha do Centro entre as estações de Paraíba do Sul e Três Rios, onde, devido à diferença de bitolas entre as duas redes, existe bitola mista. Nos anos 60, toda a linha passou para a Leopoldina. A linha da Auxiliar teve o traçado alterado nos anos 1970 quando boa parte dela foi usada para a linha cargueira Japeri-Arará, entre Costa Barros e Japeri, ativa até hoje, bem como para trens metropolitanos entre o Centro e Costa Barros. Entre Japeri e Três Rios, entretanto, a linha está abandonada já desde 1996.
 
A ESTAÇÃO: Próximo ao porto de onde partiam as barcas para a travessia do Paraíba, na chácara denominada “Boa Vista” que pertenceu, em 1856, ao Dr. Antônio de Moura Ruas e que foi vendida a Idelphonso José dos Santos, instalou-se a estação de Porto Novo. Era confrontante de tal posse Luiz de Souza Breves que se julgava dono dela, como conseqüência de medição mal feita de sesmaria. Ingressou em juízo e, logo a seguir, fez um acordo. A estação de Porto Novo do Cunha - mais tarde simplificado para Porto Novo - foi inaugurada em 1871 pela E. F. Dom Pedro II como estação terminal do ramal de Porto Novo, com bitola de 1m60. Em 1890, a D. Pedro II mudou seu nome para Central do Brasil. As oficinas da Central do Brasil em Porto Novo surgiram em 1910. Mais tarde, a linha da Leopoldina Railway veio ter a esta estação, através de Além Paraíba, e, para facilitar o acesso de seus trens à cidade de Entre Rios, todo o antigo ramal teve reduzida a sua bitola para métrica em 1911 e incorporado à Linha Auxiliar, sendo a estação terminal desta - que até então estava em Entre Rios. Isto facilitava o acesso da Leopoldina a Entre Rios. Em 1957, tanto a Central quanto a Leopoldina foram incorporadas à RFFSA, e a linha do antigo ramal passou a ser administrada pela Leopoldina. Dali a linha segue para a estação de Além-Paraíba, esta sim construída pela Leopoldina. O prédio, um dos mais bonitos do Brasil em termos de estações ferroviárias, está hoje (2010) totalmente abandonado, embora seus pátios sejam usados para armazenamento de vagões da concessionária. São na verdade dois prédios: um - o que está em pior estado, em ruínas - comportava o hotel (em cima) e o restaurante (embaixo). O outro era a estação em si e o armazém. Fora estes dois, existe o prédio da rotunda, que infelizmente desabou em 14 de março de 2008, vítima do abandono: "Hoje infelizmente pude presenciar a única rotunda de bitola métrica ainda em pé no País começar a cair. Fiz o que pude, pedi para que escorassem, prontifiquei-me a ajudar, pois sozinho para mim não dava. Não consegui; só sei que lutei, caíram 03 boxes de história da primeira ferrovia registrada em solo mineiro" (Valério Franco, 14 de março de 2008). (Veja também os bondes de Além Paraíba, por Allen Morrison)

ACIMA: Pátio e estação de Porto Novo do Cunha, sem data, possivelmente por volta de 1910 (Acervo Mauro Senra).
"Porto Novo do Cunha, Fazenda do Paraíso, 27-12-1893 (...) Estou aqui haverá uma semana, na fazenda do Paraíso. Ando a cavalo todos os dias e tomo muito leite. Os dias são quentes, mas as noites agradáveis (...). (destinatário desconhecido). "Escrevi-lhe esta carta da fazenda do Paraíso às margens do Paraíba. Vem-se aqui pelo Porto Novo do Cunha, mas a fazenda pertence ao Rio de Janeiro, no município do Carmo, se estou bem informado. (...) Paraíso, 27-5-1901" (carta a Antonio Jansen do Paço). "Paraíso, 18-8-1901. (...) O Paraíso donde lhe escrevo é fazenda do Virgilio Brígido. O Paraíba banha o pé do morro donde lhe escrevo; do outro lado do rio passa a estrada de ferro Central; o Porto Novo do Cunha fica a cinco quilômetros e é o povoado mais próximo. Na casa, que é enorme, estamos sós, o sogro do Virgílio e eu: trata-se, pois, de verdadeiro retiro espiritual. Por aqui pretendo ficar até setembro (...)" (carta a Guilherme Studard). "Recebi sábado sua cartinha de 4, com o bilhete, e muito agradeço. Talvez esteja no Porto Novo o dinheiro; ontem, porém, não fui lá, porque o cavalo em que costumo andar está pisado e não aguenta sela; hoje ainda não tivemos portador. (...) Paraíso, 9-9-1901" (carta a Mario de Alencar). "Recebi sábado sua cartinha de 4, com o bilhete, e muito agradeço. Talvez esteja no Porto Novo o dinheiro; ontem, porém, não fui lá, porque o cavalo em que costumo andar está pisado e não aguenta sela; hoje ainda não tivemos portador. (...) Paraíso, 9-9-1901" (carta a Mario de Alencar). "Amanhã pretendo sair em excursão às margens do Paraíba, contra o qual vou perdendo minhas velhas antipatias. Mover-me-ei entre Volta Redonda, no ramal de S. Paulo, e Porto Novo do Cunha, passagem obrigada para a fazenda de nosso amigo Virgilio. Antes, em Santana, às margens do Piraí, passarei uma semana com Sá (...). Rio, 12-4-1905" (carta a Guilherme Studard). "Desci ontem a Porto Novo passar um telegrama de felicitações a Sinhoca. Chegando à estação da estrada, tive a notícia da morte do (Afonso) Pena. (...) Paraíso, 16-6-1909" (carta a Pandiá Calógeras). "Porto Novo ou Carmo, 17-6-1909. Meu caro Veríssimo, Paraíso, donde lhe escrevo, fazenda do Virgilio Brigido, pertence ao Rio, mas a estação mais próxima fica em território mineiro, à esquerda do Paraíba, chama-se Porto Novo do Cunha. Vim passar alguns dias (...)" (carta a José Veríssimo). "Tenho passado todo este tempo na fazenda do Virgilio, com um cunhado administrador, Vicente e uma cozinheira. Porto Novo dista cinco quilômetros; os jornais chegam às 4 horas da tarde; o Paraíba corre a uns cem metros. Paraíso, 19-9-1909" (carta a Guilherme Studard).
AO LADO: O escritor e historiador cearense José Capistrano de Abreu gostava de passar temporadas na fazenda Paraíso, próxima a Porto Novo do Cunha, como mostram trechos de cartas enviadas a seus amigos enrte 1893 e 1909.

ACIMA: Em janeiro de 1949, depois da catástrofe na região com as chuvas do final do ano de 1948, a locomotiva da Leopoldina chega a Porto Novo do Cunha para transportar víveres: era o "Trem da Solidariedade" para ajudar aos flagelados da enchente (Fotografia da revista O Cruzeiro de 15/01/1949 - acervo Jorge Ferreira). ABAIXO: Cai parte da rotunda de Porto Novo, na tarde do chuvoso dia de 14 de março de 2008, por puro abandono das autoridades. È (ou era) ela a única rotunda ainda inteira no Brasil em bitola métrica (Foto enviada por Valério Franco, ABPF).

ACIMA: Cai a rotunda de Porto Novo na tarde do chuvoso dia de 14 de março de 2008, por puro abandono das autoridades. É (ou era) ela a única rotunda ainda inteira no Brasil em bitola métrica (Foto enviada por Valério Franco, ABPF).
ACIMA: Panorama de Porto Novo do Cunha, com o rio Paraíba do Sul em segundo plano (Foto Luciano Ferreira em 2011).
(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local; Aloizio Barros; Guilherme Armond Côrtes de Araujo; Luciano Ferreira; Valério Franco; Flavio Cavalcanti; Pedro Paulo Resende; Jorge A. Ferreira; A. Pastori; Colecção de 44 vistas photográphicas da Estrada de Ferro Pedro 2º, 1881; Mauro Senra: Blog da História de Além Paraíba, entrada em 7/8/2010; José Honório Rodrigues: Manuel Fernandes Figueira: Memória Histórica da EFCB, 1908; Correspondência de Capistrano de Abreu, volume 1, Rio de Janeiro, 1954; Max Vasconcellos: Vias Brasileiras de Comunicação, 1928; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
     

A estação em 1881. Colecção de 44 vistas photográphicas da Estrada de Ferro Pedro 2º, 1881

Estação de Porto Novo, em 1908. Foto do livro Memória Histórica da EFCB, de Manuel Fernandes Figueira, 1908

A estação de Porto Novo em 1968. Autor desconhecido

A estação de Porto Novo, supostamente anos 1970, com carros da Leopoldina abandonados. Foto do boletim Centro-Oeste

A estação de Porto Novo, já abandonada em 1995. Foto Pedro Paulo Resende

Rotunda de Porto Novo em 2002. Foto Jorge A. Ferreira

Estação de Porto Novo em 2002. Foto Jorge A. Ferreira

Estação de Porto Novo em 2002. Foto Jorge A. Ferreira

Estação de Porto Novo em 2002. Foto Jorge A. Ferreira

Estação de Porto Novo em 2002. Foto Jorge A. Ferreira

O prédio em ruínas, em 02/2006. Foto A. Pastori

A estação em 1/2010. Foto Guilherme Armond Côrtes de Araujo

Entrada do pátio em 2011. Foto "Memegless"

Armazéns em 30/9/2012. Foto Ralph M. Giesbrecht

Estação e armazéns em 30/9/2012. Foto Ralph M. Giesbrecht

Porto Novo em março de 2016. Foto Aloizio Barros
   
     
Atualização: 19.03.2016
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.