A B C D E
F G H I JK
L M N O P
Q R S T U
VXY Mogiana em MG
...
Pari
Luz
Barra Funda-SPR/EFSJ (até 1988)
Barra Funda-Fepasa/CPTM (a partir de 1988)
...

SPR-1935
...
ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 2009
...
 
 
São Paulo Railway (1867-1946)
E. F. Santos-Jundiaí (1946-1975)
RFFSA (1975-1994)
CPTM (1994-2010)
LUZ
Município de São Paulo, SP
Linha-tronco - km 78,470 (1935)   SP-2078
  Inauguração: 16.02.1867
Uso atual: estação de trens metropolitanos e museu   com trilhos
Data de construção do prédio atual: 1901
 
HISTORICO DA LINHA: A São Paulo Railway - SPR ou popularmente "Ingleza" - foi a primeira estrada de ferro construída em solo paulista. Construída entre 1862 e 1867 por investidores ingleses, tinha inicialmente como um de seus maiores acionistas o Barão de Mauá. Ligando Jundiaí a Santos, transportou durante muito anos - até a década de 30, quando a Sorocabana abriu a Mairinque-Santos - o café e outras mercadorias, além de passageiros de forma monopolística do interior para o porto, sendo um verdadeiro funil que atravessava a cidade de São Paulo de norte a sul. Em 1946, com o final da concessão governamental, passou a pertencer à União sob o nome de E. F. Santos-Jundiaí (EFSJ). O nome pegou e é usado até hoje, embora nos anos 70 tenha passado a pertencer à REFESA, e, em 1997, tenha sido entregue à concessionária MRS, que hoje a controla. O tráfego de passageiros de longa distância terminou em 1997, mas o transporte entre Jundiaí e Paranapiacaba continua até hoje com as TUES dos trens metropolitanos.
 
A ESTAÇÃO: A estação da Luz foi inaugurada num prédio acanhado em 1867. Alguns anos depois, o prédio foi ampliado - ou derrubado e outro maior foi feito - para atender à demanda cada vez maior de

ACIMA: A segunda estação da Luz. Atrás, prédio na atual rua Mauá (Foto de cerca de 1890, autor desconhecido).
passageiros e mercadorias ali embarcadas e desembarcadas. Finalmente, por volta de 1890, a SPR decidiu aumentar a estação e fazer algo compatível com o rapidíssimo crescimento da cidade na

ACIMA: Em agosto de 1914, logo após a declaração da guerra na Europa, oficiais franceses da Missão Francesa partem para Santos para dali seguir para a guerra. ABAIXO: Na mesma época, alemães e austríacos partem para a guerra despedindo-se de parentes. A Estação da Luz era cosmopolita, adversários ali embarcavam e tomavam a mesma ferrovia... inglesa! (Fotos da revista A Vida Moderna, 29 de agosto de 1914).
época. A nova estação foi finalmente inaugurada em março de 1901, quando a antiga já havia sido demolida (a demolição havia se iniciado em maio de 1900). Muito já se escreveu sobre a estação.

Personalidades sempre desembarcaram na Estação da Luz. ACIMA: O ex-Presidente Rodrigues Alves desembarca como candidato a um novo mandato, em janeiro de 1918. Um ano depois, vítima da gripe espanhola, ele estava morto. ABAIXO: Rapazes e senhoritas, todos sportmen, recepcionam na estação o time carioca do São Cristóvão, que veio a São Paulo para um match com o Palestra Itália, em janeiro de 1918 (Da revista A Vida Moderna, edição de 31 de janeiro de 1918, acervo Ralph M. Giesbrecht).
O prédio, destruído por um incêndio em 1946, dois dias antes da entrega da SPR pelos ingleses ao Governo da União, devido ao término da concessão de 90 anos, foi reconstruído com um andar a mais, reaberto em 1951 e sobrevive até hoje. No final de 1996, os ainda existentes trens de passageiros deixaram de partir dali, sendo transferidos para a estação da Barra Funda. A Luz, então, passou a ser apenas uma estação para os trens metropolitanos da CPTM. Não muito bem cuidada, diga-se de passagem. Infiltrações e corrosões do metal de sua estrutura eram olhados com preocupação pelos usuários. Ela acabou sofrendo uma reforma geral na primeira metade dos anos 2000, e depois passou a receber também os trens metropolitanos que hoje vêm da região Oeste da cidade e param um pouco antes, na estação Júlio Prestes. Mesmo assim, em setembro de 2000, antes da reforma, o lançamento do


ACIMA: A estação da Luz em São Paulo era o ponto de embarque das malas postais que seguiam pela São Paulo Railway em direção a Jundiaí (Reprodução Marcio Protzner, 04/2009).

livro Cem Anos Luz foi feito no saguão e plataformas da estação, numa noite com direito até a trem a vapor - a locomotiva 353, a "Velha Senhora", da antiga Central do Brasil, operada pela ABPF, veio da antiga Hospedaria do Imigrante para também prestar sua homenagem. Em 2004, coincidindo com os 450 anos da cidade de São Paulo, a estação da Luz foi entregue restaurada, tanto em sua arquitetura, quanto em suas plataformas, agora readaptadas para os atuais trens metropolitanos. Em 2006, ali foi inaugurado o Museu da Língua Portuguesa, tirando da estação as características para as quais
foi construída. Trens, ali, hoje (2009), somente nas plataformas, no andar inferior - onde sempre estiveram. Existem ali 4 plataformas, das quais 3 funcionam. Todas para trens da CPTM.
(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local; Antonio C. Belviso; Hermes Y. Hinuy; Cesar Sacco; Luís Rafael de Souza, 2002; Cassio Serra, 2004; Henrique Pomini, 2006; Marcio Protzner, 2009; Guilherme Gaensly; A Vida Moderna, 1914-18; Illustração Brasileira, 1922; Eletropaulo: Cartão postal; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht).
     

A primitiva estação de São Paulo, na época de sua abertura. Foto cedida por A. C. Belviso

A segunda estação, cerca de 1880. Foto cedida por A. C. Belviso

A então novíssima estação, em 1902. Os trilhos sendo colocados são de bonde, em frente ao Jardim da Luz. Cessão Hermes Y. Hinuy

A estação da Luz, c. 1910. Foto Guilherme Gaensly, de cartão postal

A estação em 1922. Foto da revista Ilustração Brasileira, 1922

Plataformas da estação. Cartão postal, c. 1950?

A estação em 2000. Foto Cesar Sacco

A estação em 2000. Foto Eletropaulo

A estação sendo reformada, no final de 2002. Foto Luis Rafael de Souza

Plataforma da Luz no final de 2004. Foto Cassio Serra

Acesso aos trens metropolitanos em 2004. Foto Cassio Serra

Estação da Luz em 11/2006. Foto Fernando Henrique Pomini
     
Atualização: 20.01.2010
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.