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Q R S T U
VXY Mogiana em MG
...
Pari
Luz
Barra Funda-SPR/EFSJ (até 1988)
Barra Funda-Fepasa/CPTM (a partir de 1988)
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SPR-1935
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 2018
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São Paulo Railway (1867-1946)
E. F. Santos-Jundiaí (1946-1975)
RFFSA (1975-1992)
CPTM (1992-)
LUZ
Município de São Paulo, SP
Linha-tronco - km 78,470 (1935)   SP-2078
Altitude: 731 m   Inauguração: 16.02.1867
Uso atual: estação de trens metropolitanos e museu   com trilhos
Data de construção do prédio atual: 1901
 
 
HISTORICO DA LINHA: A São Paulo Railway - SPR ou popularmente "Ingleza" - foi a primeira estrada de ferro construída em solo paulista. Construída entre 1862 e 1867 por investidores ingleses, tinha inicialmente como um de seus maiores acionistas o Barão de Mauá. Ligando Jundiaí a Santos, transportou durante muito anos - até a década de 1930, quando a Sorocabana abriu a Mairinque-Santos - o café e outras mercadorias, além de passageiros de forma monopolística do interior para o porto, sendo um verdadeiro funil que atravessava a cidade de São Paulo de norte a sul. Em 1946, com o final da concessão governamental, passou a pertencer à União sob o nome de E. F. Santos-Jundiaí (EFSJ). O nome pegou e é usado até hoje, embora nos anos 70 tenha passado a pertencer à RFFSA, e, em 1997, tenha sido entregue à concessionária MRS, que hoje a controla. O tráfego de passageiros de longa distância terminou em 1997, mas o transporte entre Jundiaí e Paranapiacaba continua até hoje com as TUES dos trens metropolitanos.
 
A ESTAÇÃO: A primitiva estação da Luz foi inaugurada num prédio acanhado em 1867. De acordo com o relatório para o Presidente da Província de 1865, "a casa dos passageiros, sita no alinhamento do prolongamento da rua Alegre (nota: hoje rua Brigadeiro Tobias) é por demais inconveniente; porque obrigará certamente a ser fechada a cancella d'esta rua em quase todo o dia, com um muito grave embaraço do transito publico da mesma rua". A estação, portanto, ficava relativamente longe da atual, um pouco além, em relação a esta, da atual avenida Prestes Maia.

Alguns anos depois, o prédio foi derrubado e outro maior foi feito em outro local (agora, entre as atuais rua Florencio de Abreu e avenida Casper Libero) para atender à demanda cada vez maior de passageiros e mercadorias ali embarcadas e desembarcadas.

Finalmente, por volta de 1890, a SPR decidiu aumentar a estação e fazer algo compatível com o rapidíssimo crescimento da cidade na época. A nova estação foi finalmente inaugurada em março de 1901, quando a antiga já havia sido demolida (a demolição havia se iniciado em maio de 1900). Muito já se escreveu sobre a estação.

O novo prédio, destruído por um incêndio em 1946, dois dias antes da entrega da SPR pelos ingleses ao Governo da União, devido ao término da concessão de 90 anos, foi reconstruído com um andar a mais, reaberto em 1951 e sobreviveu até o segundo incêndio, em 21 de dezembro de 2014.

No final de 1996, os ainda existentes trens de passageiros deixaram de partir dali, sendo transferidos para a estação da Barra Funda. A Luz, então, passou a ser apenas uma estação para os trens metropolitanos da CPTM. Não muito bem cuidada, diga-se de passagem. Infiltrações e corrosões do metal de sua estrutura eram olhados com preocupação pelos usuários.

Ela acabou sofrendo uma reforma geral na primeira metade dos anos 2000 e depois passou a receber também os trens metropolitanos que vinham da região Oeste da cidade e param um pouco antes, na estação Júlio Prestes.

Mesmo assim, em setembro de 2000, antes da reforma, o lançamento do livro Cem Anos Luz foi feito no saguão e plataformas da estação, numa noite com direito até a trem a vapor - a locomotiva 353, a "Velha Senhora", da antiga Central do Brasil, operada pela ABPF, veio da antiga Hospedaria do Imigrante para também prestar sua homenagem.

Em 2004, coincidindo com os 450 anos da cidade de São Paulo, a estação da
Luz foi entregue restaurada, tanto em sua arquitetura, quanto em suas plataformas, agora readaptadas para os atuais trens metropolitanos.

Em 2006, ali foi inaugurado o Museu da Língua Portuguesa, tirando da estação as características para as quais foi construída. Trens, ali, em 2011, somente nas plataformas, no andar inferior - onde sempre estiveram. Nesse ano, existiam ali 4 plataformas, onde a de número 1 era no sentido Rio Grande da Serra (linha 10); a 2, a que ia para Francisco Morato e Jundiaí (linha 7); a 3 e a 4 atendiam à linha de Guaianazes (linha 11), sendo a primeira para desembarque e a segunda para embarque. Todas para trens da CPTM.

Em 2012, no entanto, a linha 10 deixou de sair da Luz, passando a sair do Braz, obrigando os passageiros que querem seguir direto pela antiga Santos-Jundiaí a tomarem outra linha na Luz para chegar ao Braz.

Outra curiosidade: embora por muitas oportunidades os trens da Central para o Rio de Janeiro também tenham partido dali e não da estação Roosevelt, somente a partir de 1967 começaram a sair dali seguidamente os trens noturnos Santa Cruz, que seguiam para o Rio e que cessaram suas atividades em 1991 (ver caixa abaixo). Já os outros trens para o Rio de Janeiro, os diurnos, não tenho a informação se saíam também da Luz ou não.

Em 21 de dezembro de 2014, a estação pegou fogo. O fogo destruiu o primeiro e segundo andares do prédio e destruiu totalmente o museu que existia ali, Museu da Língua Portuguesa. O tráfego de trens da CPTM foi suspenso. Foi retomado em 31 de dezembro, mas o prédio precisaria ser restaurado. A gare, por onde passam os trens e se embarca e desembarca, praticamente nada sofrera. Em 2019 o museu reabriu depois de uma grande reforma.


ACIMA: Pátio da estação da Luz nos anos 1860/70. À direita, a atual rua Mauá. À esquerda, o Jardim da Luz (Autor desconhecido).

1877
AO LADO:
Armazem da estação é um lamaçal e a rua da Estação,
(hoje rua Mauá) em miserável estado (A Provincia de S. Paulo, 1/2/1877).

ACIMA: Em 1881, a aposição da estação (que era já a segunda) em relação ao Jardim Público mostra que ela ficava um pouco mais próxima à futura avenida Tiradentes do que a estação de hoje (a terceira). Note que o mapa não está na posição Norte-Sul (Mapa de São Paulo, 1881).

1887
AO LADO:
Um agente competente na estação (A Provincia de S. Paulo, 12/5/1887).

1887
AO LADO:
Queixas contra a bilheteria da Luz (O Estado de S. Paulo, 1/12/1887).
ACIMA: Em 1890, rua a ser aberta parecia ser o prolongamento da rua José Paulino para chegar até a (atual) avenida Tiradentes - CLIQUE SOBRE A FIGURA PARA VER TODA A PROPOSTA (O Estado de S. Paulo, 11/2/1890).

ACIMA: A segunda estação da Luz. Atrás, prédio na atual rua Mauá (Foto de cerca de 1890, autor desconhecido).

1891
AO LADO:
Um raio cai na estação da Luz (O Estado de S. Paulo, 25/1/1891).

1891
AO LADO:
Bilheteiro mal-educado na estação da Luz... (O Estado de S. Paulo, 17/3/1891).

1891
AO LADO:
...e a resposta do presidente da SPR - CLIQUE SOBRE O ARTIGO PARA Vê-LO INTEIRO (O Estado de S. Paulo, 18/3/1891).

1891
AO LADO:
Morte nas plataformas da Luz (O Estado de S. Paulo, 09/04/1891).

1894
AO LADO:
O sproblemas na bilheteria da estação da Luz (O Estado de S. Paulo, 06/11/1894).

1897
AO LADO:
Um quase assalto na estação da Luz (O Estado de S. Paulo, 8/2/1897).

1898
AO LADO:
Serviços ruins na ainda segunda estação (O Estado de S. Paulo, 14/1/1898).

ACIMA: Construção da atual estação da Luz em 1899 (Autor desconhecido).

1901?
ACIMA: A estação da Luz em São Paulo era o ponto de embarque das malas postais que seguiam pela São Paulo Railway em direção a Jundiaí (Reprodução Marcio Protzner, 04/2009).

1905
AO LADO:
Horários das partidas e chegadas de trens na Estação da Luz (O Estado de S. Paulo, 1/1/1905)..

ACIMA: Em agosto de 1914, logo após a declaração da guerra na Europa, oficiais franceses da Missão Francesa partem para Santos para dali seguir para a guerra. ABAIXO: Na mesma época, alemães e austríacos partem para a guerra despedindo-se de parentes. A Estação da Luz era cosmopolita, adversários ali embarcavam e tomavam a mesma ferrovia... inglesa! (Fotos da revista A Vida Moderna, 29 de agosto de 1914).

1917
AO LADO:
Bagunça nas plataformas da Luz (O Estado de S. Paulo, 1/10/1917).

ACIMA: Personalidades sempre desembarcaram na Estação da Luz.O ex-Presidente Rodrigues Alves desembarca como candidato a um novo mandato, em janeiro de 1918. Um ano depois, vítima da gripe espanhola, ele estava morto.

ACIMA: Rapazes e senhoritas, todos sportmen, recepcionam na estação o time carioca do São Cristóvão, que veio a São Paulo para um match com o Palestra Itália, em janeiro de 1918 (Da revista A Vida Moderna, edição de 31 de janeiro de 1918, acervo Ralph M. Giesbrecht).

1920
AO LADO:
Confusão no embarque e na tomada dos assentos para quem embarca na Luz (O Estado de S. Paulo, 26/5/1920).

1925
AO LADO:
Morte na estação (O Estado de S. Paulo, 4/7/1925).

ACIMA: Interior da estação da Luz em 1928 (Revista A Careta, 11/8/1928).

1931
AO LADO:
Problema com as balanças colocadas na estação (O Estado de S. Paulo, 15/1/1931).

1931
AO LADO:
Tumulto das filas para comprar bilhetes na estação (O Estado de S. Paulo, 19/3/1931).

ACIMA: Em 28 de março de 1931, a chegada do Príncipe de Galles, vindo do Rio de Janeiro, interdita a estação por uma hora e meia (O Estado de S. Paulo, 27/3/1931).
1931 ACIMA: Problemas para se chegar à estação (O Estado de S. Paulo, 1/11/1931).
1932 ACIMA: Crime na estação (O Estado de S. Paulo, 29/2/1932).

1932
AO LADO:
Como foi o dia após o início da revolução de 1932 na estação da Luz (O Estado de S. Paulo, 10/7/1932).

1935
AO LADO:
Overbooking no trem Cometa na estação da Luz (O Estado de S. Paulo, 13/5/1935).

1940
AO LADO:
Acidente na estação da Luz (O Estado de S. Paulo, 22/3/1940).

ACIMA
: No início do ano de 1950, as críticas à E. F. Santos-Jundiaí na estação da Luz (Diario Popular, 2/1/1950).


ACIMA: Em 1950, a reforma e reconstrução da estação da Luz devido ao incêndio de 1946 ainda tinha detalhes a decidir - CLIQUE SOBRE A FOTO PARA LER A REPORTAGEM (Diario Popular, 12/1/1950).

1967
ACIMA:
Trem para o Rio volta a sair da Luz (O Estado de S. Paulo, 1/8/1967).

ACIMA: Trem de passageiros parte da Luz em 1978 no sentido do interior (Foto Renato Cesar Favero).
ABAIXO: Interior da estação em 16/2/2014 (Foto Renato Gigliotti).

ACIMA: Pouco antes das quatro da tarde, 21 de dezembro de 2015: a estação da Luz pega fogo pela segunda vez em sua história de 115 anos. O fogo destruiu boa parte do segundo andar, onde estava parte do Museu da Língua Portuguesa. Neste dia, os trens deixaram de passar por ali por algum tempo (Foto UOL).

(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local; Alexandre Giesbrecht; Antonio C. Belviso; Hermes Y. Hinuy; Renato Gigliotti; Cesar Sacco; Luís Rafael de Souza; Cassio Serra; Henrique Pomini; Marcio Protzner; Guilherme Gaensly; O Estado de S. Paulo, 1925; A Vida Moderna, 1914-18; Illustração Brasileira, 1922; Eletropaulo: Cartão postal; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht).
     

A primitiva estação de São Paulo, na época de sua abertura. Foto cedida por A. C. Belviso

A segunda estação, cerca de 1880. Foto cedida por A. C. Belviso

A então novíssima estação, em 1902. Os trilhos sendo colocados são de bonde, em frente ao Jardim da Luz. Cessão Hermes Y. Hinuy

A estação da Luz, c. 1910. Foto Guilherme Gaensly, de cartão postal

A estação em 1922. Foto da revista Ilustração Brasileira, 1922

Plataformas da estação. Cartão postal, c. 1950?

A estação em 2000. Foto Cesar Sacco

A estação em 2000. Foto Eletropaulo

A estação sendo reformada, no final de 2002. Foto Luis Rafael de Souza

Plataforma da Luz no final de 2004. Foto Cassio Serra

Acesso aos trens metropolitanos em 2004. Foto Cassio Serra

Estação da Luz em 11/2006. Foto Fernando Henrique Pomini
     
Atualização: 03.08.2020
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.