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VXY Mogiana em MG
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Souza Queiroz
Pirassununga
Laranja Azeda
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ramal de Descalvado-1935

Mapa HRR-2000
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 2005
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Cia. Paulista de Estradas de Ferro (1878-1971)
FEPASA (1971-1997)
PIRASSUNUNGA
Município de Pirassununga, SP
Linha-tronco original - km 185,009   SP-2628
Ramal de Descalvado - km 185,009   Inauguração: 24.10.1878
Uso atual: museu   sem trilhos
Data de construção do prédio atual: 1911
 
HISTORICO DA LINHA: Em 1877, a Paulista abria o primeiro trecho, partindo de Cordeiros até Araras, do que seria o prolongamento de seu tronco. Em 1880, a linha, com o nome de Estrada do Mogy-Guassú, atingia Porto Ferreira, na mesma época em que a autorização para cruzar o Mogi e chegar a Ribeirão Preto foi indeferida pelo Governo Provincial, em favor da Mogiana. A linha, então, foi desviada para oeste e atingiu Descalvado no final de 1881, seu ponto final. Em 1916, as modificações da Paulista na área entre Rio Claro e São Carlos, na linha da antiga Rio-Clarense, fizeram com que o trecho fosse considerado como novo tronco, deixando a linha a partir de Cordeiros como o Ramal de Descalvado. Desde o começo em bitola larga (1,60m), ele funcionou para trnes de passageiros até julho de 1976 (Pirassununga-Descalvado) e até fevereiro de 1977 (Cordeirópolis-Pirassununga). Trens cargueiros andaram pela linha até o final dos anos 80. Abandonado, o ramal teve os trilhos arrancados entre 1996 e 1997, sobrando apenas o trecho inicial até Araras com seus trilhos enferrujando ao tempo.
 
A ESTAÇÃO: A então cidade de Senhor Bom Jesus dos Aflitos de Pirassununga, fundada em 1826 e elevada a vila em 1865, inaugurou sua estação em outubro de 1878, como ponta de linha, a cerca de um quilômetro da praça central da cidade. Tinha, na época (dados de 1876), uma população de 7.169 habitantes, sendo 1.376 escravos, que trabalhavam especialmente na lavoura de café e na cultura de cereais. Possuía duas cadeiras de instrução primária, para ambos os sexos, e foi por muito tempo a maior e mais importante cidade do ramal. O prédio original da estação, modesto, sobreviveu até 1884, quando, substituido por outro, ainda permaneceu com outras funções até 1892, quando foi demolido. Em 1907, começaram as obras de reformulação e ampliação do segundo prédio, obras que se prolongaram até 1911, quando foi entregue o prédio na sua forma atual. A melhoria da estação foi justificada pela Paulista em seu relatório de 1912, como segue: "A melhoria da situação economica do Estado de S. Paulo, em consequencia da feliz resolução da crise do café, é fenomeno que se vem acentuando sob multiplas manifestações, nestes ultimos dois anos. Ainda que revestindo modalidades diversas, em nenhuma delas porem o fenomeno se tem revelado tão vivamente como em suas relações com a industria de transporte, como alias era de esperar, pois sabido é quanto á ação do caminho de ferro coopera para o desenvolvimento agricola, industrial e comercial de um pais, e por conseguinte, qual a responsabilidade inerente ao fecundo instrumento de civilização no processo de formação da riqueza e do bem estar social. Conscia de semelhante responsabilidade, a Companhia Paulista, nos quarenta anos que já conta de vida ativa, tem sempre procurado envidar os esforços a seu alcance para desenvolver e melhorar o seu importante aparelho de transporte, pondo-o a par das crescentes necessidades do Estado. É o que agora ainda está ela fazendo com o vigor que as circunstancias reclamam. (...) Assim é que (...) a par dessas grandes obras, outras de menor vulto, mas não de menor interesse para a boa economia dos serviços, tem sido nos ultimos tempos executados nas linhas. Referimo-nos á reconstrucção e aos melhoramentos dos edificios das estações de (...) Pirassununga (...) e outras". Em 1911, também se inaugurava a majestosa Escola Normal de Pirassununga, ainda em prédio provisório (o belo prédio atual foi terminado em 1914) e considerada por muitos como a mais bela do Estado, alunos de todas as cidades e vilarejos atendidos pela linha utilizavam-se do trem para atingir a cidade. "Minha avó, Maria, de Porto Ferreira, sempre contava que ia de trem, todos os dias, para a Escola Normal, isto nos idos de 1913 até 1915... ela morreu em 1987 e ainda se lembrava disso com alegria" (Ralph Giesbrecht, 1999). Também embarcavam aqui os passageiros que baldeavam para o
ACIMA: Trem da Paulista na estação de Pirassununga, provavelmente anos 1960. (Autor desconhecido).
ramal de Santa Veridiana, e atingir o tronco da Mogiana, para seguir para Ribeirão Preto, na estação de Baldeação. De 1891 a 1976, esse ramal, em maior ou menor trecho, esteve ativo. Em meados de 1976, a estação de Pirassununga passou a ser o ponto final do trem de passageiros, deixando de seguir até Descalvado. Sete meses depois, em fevereiro de 1977, o trem de passageiros partiu de Pirassununga pela última vez, seguindo para Cordeirópolis. A partir daí, a estação foi sendo, aos poucos, abandonada. Em 1991, ainda estava nesse estado. Em 1993, a Prefeitura reformou o prédio, que passou a abrigar o Museu Fernando Costa, e restaurou o prédio da forma como era em 1911 (Ralph Mennucci Giesbrecht - do seu livro "Caminho para Santa Veridiana", 2003).
(Fontes: Ralph Mennucci Giesbrecht: Caminho para Santa Veridiana, 2003; Leandro Guidini; Relatórios oficiais da Cia. Paulista, 1873-1969; Rodrigo Cabredo; Filemon Peres; Album dos 50 anos da Cia. Paulista, 1918; Wilson Silva Jr., 2001; Otavio Balieiro, 2008)
     

Estação original de Pirassununga, que funcionou até 1884. A foto é do Album dos 50 anos da Paulista em 1918

Plataforma da estação de Pirassununga, em 1916. Foto atribuída a Filemon Peres

Estação de Pirassununga, em 1916. Foto atribuída a Filemon Peres

A estação, sem data. Autor desconhecido


A estação em 1991. Nota-se o abandono e que as janelas originais não estão no prédio. Foto Rodrigo Cabredo


A estação, já como museu, em 30/04/1996, depois da restauração do prédio e a volta das janelas originais. Foto Ralph M. Giesbrecht


A antiga estação, em 2001. Foto Wilson Silva Jr.

Gare coberta de Pirassununga, em 2008. Foto Otavio Balieiro

A estação e a gare de Pirassununga, em 2008. Foto Otavio Balieiro

Vista da estação de Pirassununga, em 2008. Foto Otavio Balieiro
   
     
Atualização: 26.04.2009
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.