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A ESTAÇÃO: Depois de esperarem alguns anos pelos
trilhos da Companhia Paulista, a estação de Ribeirão Preto
foi inaugurada na linha da Mogiana, com alguma frustração por parte
do povo da cidade, em 1883, com um prédio provisório. Este situava-se
em local diferente, no que hoje é a Vila Virgínia. Embora
não se tenha certeza, alguns estudiosos afirmam que uma casa, que
hoje fica na rua Caramuru, em sua parte alta, logo após a
rua Guatapará, seria a que um dia abrigou essa primitiva
estação. Outros dizem que não, que a estação
estaria em frente a essa casa, e, realmente, há uma foto
dos anos 1880 que mostra uma casa junto aos trilhos e próximos
à casa da hoje rua Caramuru. Em outubro de 1884, foi construído
o novo prédio, no lugar definitivo, para a estação, que teria sido
inaugurado em 7/9/1885, e que passou a ser uma das mais importantes
da Mogiana. Em 1914, foi concluído e entregue à companhia, pelo
famoso arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo, o projeto
da nova estação, "ampla e bela". Como a sua construção levaria tempo,
optou-se por reformar a antiga, enquanto a construção não se iniciasse,
o que acabou por nunca acontecer. Quadros a óleo mostrando o "futuro"
prédio ficaram expostos por anos nas lojas da cidade. Em 01/06/1965,
com uma das inúmeras modificações e retificações da Mogiana, os
trens de passageiros passaram a seguir para a nova estação, então
fora da cidade. A velha estação passou a ser chamada de Ribeirão
Preto-ramal. Na verdade, a estação estava já
aguardando o seu final desde maio de 1964, quando a variante
Bento Quirino-Entroncamento, pronta desde o final de 1961, passou
a ter o tráfego dos trens de passageiros. As sete estações
da linha antiga foram fechadas nesse dia, mas a estação
de Ribeirão Preto-nova ainda não estava pronta.
O trem vinha, então, pela variante, passava direto pela nova
estação e entrava por uma ligação improvisada
até a velha estação. Em junho de 1965, porém,
isso acabou, no dia da inauguração da nova estação,
que fechou para passageiros. O que se fazer com ela, então?
A pressão de políticos, comerciantes e do jornal "Diário da Manhã",
da cidade, contrários ao processo de tombamento que corria para
o velho prédio, acabou por ser mais forte: a estação, que chegou
a abrigar por algum tempo o Grupo Escolar da Vila Tibério,
foi derrubada no final de 1967. A pressão começou no início desse
ano, com o jornal referindo-se à estação como "monstrengo",
"pardieiro", antro de imundície e mau cheiro, e ao pátio
onde estava a rotunda (oficina das locomotivas, mais à frente),
como "triângulo da malária". Em 3 de janeiro, o jornal publicou
uma reportagem, indignado com o fato de que a Mogiana havia nesse
dia recomeçado o embarque e desembarque de passageiros na estação,
para o ramal de Guatapará, além de o Grupo ainda estar sendo
mantido no prédio. Conseguiram desajolar o Grupo, mas a estação
ainda resistiu por algum tempo, com a Mogiana, que estava prometendo
a sua demolição há tempos, não cumprindo suas promessas. Constantemente
o jornal publicava a mesma fotografia aérea do pátio da Mogiana,
afirmando que "por ali passaria uma grande avenida", etc..
Mas, até julho, a pressão cedeu. Em agosto de 1967, entretanto,
a Mogiana e a Prefeitura firmaram um acordo para a derrubada das
instalações e a construção, por parte da ferrovia, da estação rodoviária
no local. No mesmo mês, começaram as demolições e, em outubro, vários
dos edifícios estavam no chão, inclusive o da velha estação de passageiros,
da qual somente restou a plataforma. Até dezembro, pouca coisa se

Acima, a bela fachada da estação,
por volta de 1930 (Foto do Arquivo Histórico de Ribeirão
Preto, publicada no jornal A Cidade de 8/11/2006).
alterou, os trilhos continuavam passando por ali, por
causa do ramal de Guatapará, que era considerado de "segurança
nacional", por unir os troncos da Mogiana e da Paulista, sendo considerado,
até, a possibilidade da ampliação de sua bitola para 1,60m. Em janeiro
de 1968, mudaram-se as instalações que ainda estavam na rotunda
e em outros prédios. A oficina do departamento de tração e a reparação
foram para outras estações; a de locomotivas a vapor passou para
as estações de Uberaba e de Franca; a de carros e
vagões, para Campinas, e as de locomotivas diesel-elétricas,
para Ribeirão-nova. No mesmo mês, foi finalmente erradicada
a plataforma, a fim de unir as ruas General Osório, que era
a que antes começava exatamente à frente da porta de entrada da
estação velha, e a rua Martinico Prado, que era a sua continuação
do outro lado. Antes, apenas a rua Duque de Caxias, no ponto
em que mudava o seu nome para Luiz da Cunha, tinha uma passagem
de nível que permitia aos automóveis cruzar a linha, exatamente
ao lado da estação. Também em janeiro, vários desvios foram retirados
do local e somente os trilhos que agora eram parte do ramal de
Guatapará ainda sobraram. Com essa união, desapareceu todo e
qualquer traço do velho prédio de embarque de passageiros. A estação
de Ribeirão Preto-ramal, com a demolição, havia sido transferida
para um pequeno cubículo, perto de onde era a rotunda. Esta estaçãozinha
era conhecida pelo apelido de JP, que era o seu código dentro da
Mogiana (depois, já na Fepasa, o código seria alterado para RR).
Tinha até chefe: o senhor Antonio de Freitas, que havia sido
chefe da estação de Igaçaba, na linha do Rio Grande.
Em 10/10/1969, a área que um dia abrigou a estação e todo o pátio
de manobras e oficinas, como um todo, foi oficialmente extinta.
"No início de 1968, eu e meus pais fomos de trem
para São Paulo, e morávamos perto da estação
de Ribeirão Preto-velha; ela tinha acabado de ser demolida,
e no fim do pátio tinha uma casinha que sobrou: ali ficou
sendo o local de embarque, era essa a chamada JP... Uma composição
com uma diesel e dois ou três carros levaram a gente pela
alça de ligação até Ribeirão-nova:
aí embarcamos numa litorina que seguria para a Capital logo
depois." (Dirceu Baldo, 08/2002). E embora o traçado
do ramal de Guatapará, ex-Jataí, devesse ser mudado
para se ligar diretamente ao ramal de Sertãozinho, passando
por área do câmpus da USP, somente a partir de 1972 a linha começou
a ser alterada, e na verdade não tão longe, continuando a se ligar
à estação de Barracão e não aos trilhos que iam para Sertãozinho.
Até outubro de 1976, os trilhos do ramal ali ficaram, com tráfego,
restos do antigo tronco da Mogiana, e, com a JP, até
julho anterior, com os trens do ramal passando. Somente aí
foram retirados, às pressas, depois do ramal finalmente fechado,
para a inauguração da estação rodoviária,
que se deu em novembro de 1976. Para os lados da rua Guatapará,
onde estava a rotunda, foi construído um prédio para abrigar a Câmara
Municipal, e o resto do pátio foi transformado em jardins. Sobraram
apenas algumas pequenas casas de turma, na parte de trás dos jardins,
que ainda hoje estão bem conservadas. Do lado da estação, num outro
prédio, saía, até 1940, o ramal da Fazenda Dumont, particular,
dirigindo-se em direção ao que hoje é a cidade de Dumont,
com bitola de 0,60 m. Este prédio, que continuou em pé
com funções de escritório da ferrovia, também
foi demolido no final de 1967. (Fontes: História de Ribeirão
Preto, de Rubem Cione, 1987; Relatórios da Mogiana e da Fepasa,
vários anos; Hélio Fávaro, ferroviário de Jurucê, abril de 2000;
jornal "Diário da Manhã", de Ribeirão Preto, diversas edições,
1967/76; Rodrigo Cabredo; Jornal A Cidade, 8/11/2006; Álbum
da Mogiana, anos 1910; Antonio C. Belviso; revista Horizonte Geográfico,
nro. 55, 1998; Memórias de Ribeirão Preto, 2000; Ivan
Roberto de Siqueira Jr., Ribeirão Preto; Celso Frateschi,
Ribeirão Preto; Dirceu Baldo, 2002) Veja também
Ribeirão Preto-nova
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