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VXY Mogiana em MG
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(1883-1964)
Santa Tereza
Ribeirão Preto
Barracão
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No ramal de Guatapará (1964-1976):
Barracão
Ribeirão Preto
Silveira do Val
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Chegada do ramal de Jataí (1910-1964):
Silveira do Val
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Saída da E. F. Dumont (1890-1940):
Ribeirão Preto-EFD
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Tronco CM - 1935
Mapa de localização:

Star Guia-1998
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 2007
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Cia. Mogiana de Estradas de Ferro (1883-1971)
FEPASA (1971-1976)
RIBEIRÃO PRETO
Município de Ribeirão Preto, SP
Linha-tronco - km 312,525 (1937)   SP-2049
Altitude: 517 m   Inauguração: 23.11.1883
Uso atual: demolida em 1968   sem trilhos
Data de construção do prédio atual: 1885 (já demolido)
 
 
HISTORICO DA LINHA: A linha-tronco da Mogiana teve o primeiro trecho inaugurado em 1875, tendo chegado até o seu ponto final em 1886, na altura da estação de Entroncamento, que somente foi aberta ali em 1900. Inúmeras retificações foram feitas desde então, tornando o leito da linha atual diferente do original em praticamente toda a sua extensão. Em 1926, 1929, 1951, 1960, 1964, 1971, 1973 e 1979 foram feitas as modificações mais significativas, que tiraram velhas estações da linha e colocaram novas versões nos trechos retificados. A partir de 1971 a linha passou a ser parte da Fepasa. No final de 1997, os trens de passageiros deixaram de circular pela linha.
 
A ESTAÇÃO: Depois de esperarem alguns anos pelos trilhos da Companhia Paulista, a estação de Ribeirão Preto foi inaugurada na linha da Mogiana, com alguma frustração por parte do povo da cidade, em 1883, com um prédio provisório. Este situava-se em local diferente, no que hoje é a Vila Virgínia. Embora não se tenha certeza, alguns estudiosos afirmam que uma casa, que hoje fica na rua Caramuru, em sua parte alta, logo após a rua Guatapará, seria a que um dia abrigou essa primitiva estação. Outros dizem que não, que a estação estaria em frente a essa casa, e, realmente, há uma foto dos anos 1880 que mostra uma casa junto aos trilhos e próximos à casa da hoje rua Caramuru.

Em outubro de 1884, foi construído o novo prédio, no lugar definitivo, para a estação, que teria sido inaugurado em 7/9/1885, e que passou a ser uma das mais importantes da Mogiana.

Em 1914, foi concluído e entregue à companhia, pelo famoso arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo, o projeto da nova estação, "ampla e bela". Como a sua construção levaria tempo, optou-se por reformar a antiga, enquanto a construção não se iniciasse, o que acabou por nunca acontecer. Quadros a óleo mostrando o "futuro" prédio ficaram expostos por anos nas lojas da cidade.

Em 1939, mais uma vez se falava em construir uma nova estação (ver caixa abaixo). Porém, isso acabou saindo apenas 26 anos depois.

Em 01/06/1965, com uma das inúmeras modificações e retificações da Mogiana, os trens de passageiros passaram a seguir para a nova estação, então fora da cidade. A velha estação passou a ser chamada de Ribeirão Preto-ramal. Na verdade, a estação estava já aguardando o seu final desde maio de 1964, quando a variante Bento Quirino-Entroncamento, pronta desde o final de 1961, passou a ter o tráfego dos trens de passageiros. As sete estações da linha antiga foram fechadas nesse dia, mas a estação de Ribeirão Preto-nova ainda não estava pronta. O trem vinha, então, pela variante, passava direto pela nova estação e entrava por uma ligação improvisada até a velha estação. Em junho de 1965, porém, isso acabou, no dia da inauguração da nova estação, que fechou para passageiros. O que se fazer com ela, então?

A pressão de políticos, comerciantes e do jornal "Diário da Manhã", da cidade, contrários ao processo de tombamento que corria para o velho prédio, acabou por ser mais forte: a estação, que chegou a abrigar por algum tempo o Grupo Escolar da Vila Tibério, foi derrubada no final de 1967. A pressão começou no início desse ano, com o jornal referindo-se à estação como "monstrengo", "pardieiro", antro de imundície e mau cheiro, e ao pátio onde estava a rotunda (oficina das locomotivas, mais à frente), como "triângulo da malária". Em 3 de janeiro, o jornal publicou uma reportagem, indignado com o fato de que a Mogiana havia nesse dia recomeçado o embarque e desembarque de passageiros na estação, para o ramal de Guatapará, além de o Grupo ainda estar sendo mantido no prédio. Conseguiram desajolar o Grupo, mas a estação ainda resistiu por algum tempo, com a Mogiana, que estava prometendo a sua demolição há tempos, não cumprindo suas promessas. Constantemente o jornal publicava a mesma fotografia aérea do pátio da Mogiana, afirmando que "por ali passaria uma grande avenida", etc.. Mas, até julho, a pressão cedeu.

Em agosto de
1967, entretanto, a Mogiana e a Prefeitura firmaram um acordo para a derrubada das instalações e a construção, por parte da ferrovia, da estação rodoviária no local. No mesmo mês, começaram as demolições e, em outubro, vários dos edifícios estavam no chão, inclusive o da velha estação de passageiros, da qual somente restou a plataforma. Até dezembro, pouca coisa se alterou, os trilhos continuavam passando por ali, por causa do ramal de Guatapará, que era considerado de "segurança nacional", por unir os troncos da Mogiana e da Paulista, sendo considerada, até, a possibilidade da ampliação de sua bitola para 1,60m.

Em janeiro de 1968, mudaram-se as instalações que ainda estavam na rotunda e em outros prédios. A oficina do departamento de tração e a reparação foram para outras estações; a de locomotivas a vapor passou para as estações de Uberaba e de Franca; a de carros e vagões, para Campinas, e as de locomotivas diesel-elétricas, para Ribeirão-nova. No mesmo mês, foi finalmente erradicada a plataforma, a fim de unir as ruas General Osório, que era a que antes começava exatamente à frente da porta de entrada da estação velha, e a rua Martinico Prado, que era a sua continuação do outro lado. Antes, apenas a rua Duque de Caxias, no ponto em que mudava o seu nome para Luiz da Cunha, tinha uma passagem de nível que permitia aos automóveis cruzar a linha, exatamente ao lado da estação.

Também em janeiro de 1968, vários desvios foram retirados do local e somente os trilhos que agora eram parte do ramal de Guatapará ainda sobraram. Com essa união, desapareceu todo e qualquer traço do velho prédio de embarque de passageiros.

A estação de Ribeirão Preto-ramal, com a demolição da outra, havia sido transferida para um pequeno cubículo, perto de onde era a rotunda. Esta estaçãozinha era conhecida pelo apelido de JP, que era o seu código dentro da Mogiana (depois, já na Fepasa, o código seria alterado para RR). Tinha até chefe: o senhor Antonio de Freitas, que havia sido chefe da estação de Igaçaba, na linha do Rio Grande.

Em 10/10/1969, a área que um dia abrigou a estação e todo o pátio de manobras e oficinas, como um todo, foi oficialmente extinta. "No início de 1968, eu e meus pais fomos de trem para São Paulo, e morávamos perto da estação de Ribeirão Preto-velha; ela tinha acabado de ser demolida, e no fim do pátio tinha uma casinha que sobrou: ali ficou sendo o local de embarque, era essa a chamada JP... Uma composição com uma diesel e dois ou três carros levaram a gente pela alça de ligação até Ribeirão-nova: aí embarcamos numa litorina que seguria para a Capital logo depois." (Dirceu Baldo, 08/2002). E embora o traçado do ramal de Guatapará, ex-Jataí, devesse ter sido mudado para se ligar diretamente ao ramal de Sertãozinho, passando por área do câmpus da USP, somente a partir de 1972 a linha começou a ser alterada, e na verdade não tão longe, continuando a se ligar à estação de Barracão e não aos trilhos que iam para Sertãozinho.

Até outubro de 1976, os trilhos do ramal ali ficaram, com tráfego, restos do antigo tronco da Mogiana, e, com a JP, até julho anterior, com os trens do ramal passando. Somente aí começaram a ser retirados, às pressas, depois do ramal finalmente fechado, para a inauguração da estação rodoviária, que se deu em novembro de 1976. Para os lados da rua Guatapará, onde estava a rotunda, foi construído um prédio para abrigar a Câmara Municipal, e o resto do pátio foi transformado em jardins. Sobraram apenas algumas pequenas casas de turma, na parte de trás dos jardins, que ainda hoje estão bem conservadas.

Do lado da estação, num outro prédio, saía, até 1940, o ramal da Fazenda Dumont, particular, dirigindo-se em direção ao que hoje é a cidade de Dumont, com bitola de 0,60 m. Este prédio, que continuou em pé com funções de escritório da ferrovia, também foi demolido no final de 1967.

O que a imprensa escrevia sobre a estação de Ribeirão Preto em 1946

(VEJA TAMBÉM RIBEIRÃO PRETO-NOVA)


ACIMA: Desenho do projeto de Ramos de Azevedo, publicado na revista O Malho de 1917. ABAIXO: Em 1939, circulavam novamente rumores sobre se construiur uma nova estação para a cidade (O Estado de S. Paulo, 22/8/1939).

AO LADO: Em 1916, as malas postais eram tratadas no tapa na baldeação para a linha do Rio Grande (O Estado de S. Paulo, 24/1/1916).

ACIMA: Estação e parte do pátio de Ribeirão Preto, entre os anos de 1900 e 1905 (Cartão postal). ABAIXO: A bela fachada da estação, por volta de 1930 (Foto do Arquivo Histórico de Ribeirão Preto, publicada no jornal A Cidade de 8/11/2006).





AO LADO: A defesa da Mogiana contra seus detratores em 1909 (O Estado de S. Paulo, 27/9/1909). ABAIXO: Queixas contra a estação ferroviária de Ribeirão Preto (O Estado de S. Paulo, 12/3/1929).



ACIMA: A rotunda de Ribeirão Preto com a litorina da Mogiana em foto de 1938 (Revista SPR, janeiro de 1939).

(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local; Rodrigo Cabredo; Celso Frateschi; Dirceu Baldo; Hélio Fávaro; Antonio C. Belviso; Ivan Roberto de Siqueira Jr.; Museu de Jundiaí; O Malho, 1917; Arquivo Municipal de Ribeirão Preto; Rubem Cione: História de Ribeirão Preto, 1987; Memórias de Ribeirão Preto, 2000; Cia. Mogiana: Relatórios anuais, 1875-1969; FEPASA: relatórios anuais; Cia. Mogiana: relatório oficial de estações, 1937; Revista SPR, 1939; Diário da Manhã, Ribeirão Preto, 1967/76; O Estado de S. Paulo, 1909, 1916, 1929 e 1939; A Cidade, 8/11/2006; Star Guia, 1998; Mogiana: Álbum, 1910; revista Horizonte Geográfico, nro. 55, 1998; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
     

Foto da estação de Ribeirão Preto, c. 1910 Foto da revista Horizonte Geográfico no. 55, originalmente do Álbum da Mogiana

Plataforma da estação, c. 1910. Álbum da Mogiana, Museu de Jundiaí

Pátio da estação. O prédio está ao fundo, quase no centro da foto, c. 1910. Foto cedida por A. C. Belviso

Foto da estação, ao fundo à direita, enevoada, 1927. Foto do livro Memórias de Ribeirão Preto, 2000

No centro da foto, a enorme plataforma da estação, em 1949. Foto do arquivo municipal de Ribeirão Preto

Plataforma de embarque da estação. Foto do jornal Diário da Manhã, de 09/06/1956.

Plataforma da estação, vista da passagem de nível da rua Duque de Caxias, em 1963. Foto cedida por Ivan Roberto de Siqueira Jr. de Ribeirão Preto

Plataforma da estação, vista da passagem de nível da rua Duque de Caxias, em 1963. Notem o trem de passageiros ainda a vapor. Foto cedida por Ivan Roberto de Siqueira Jr. de Ribeirão Preto

A famosa rotunda e o pátio de Ribeirão, em 1963. Entre a cidade e o pátio, vê-se na foto a linha do ramal de Guatapará. Foto cedida por Ivan Roberto de Siqueira Jr. de Ribeirão Preto
     
Atualização: 23.05.2017
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.