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VXY Mogiana em MG
Estações de Minas Gerais
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RMV-Cruzeiro-Juréia
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Juriti
Varginha
Garoa
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ESTIVE NO LOCAL: NÃO
ESTIVE NA ESTAÇÃO: NÃO
ÚLTIMA VEZ: S/D
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E. F. Muzambinho (1892-1908)
E. F. Minas e Rio (1908-1910)
Rede Sul-Mineira (1910-1931)
Rede Mineira de Viação (1931-1965)
V. F. Centro-Oeste (1965-1975)
RFFSA (1975-1996)
VARGINHA
Município de Varginha, MG
Linha Cruzeiro-Juréia - km 204,337 (1960)   MG-1229
    Inauguração: 1892
Uso atual: Biblioteca Municipal e outros usos   com trilhos
Data de construção do prédio atual: 1934
 
 
HISTORICO DA LINHA: A linha Cruzeiro-Tuiuti (depois Juréia) era originalmente parte da E.F. Muzambinho, que iniciou as atividades em 1887, entre Três Corações e Muzambinho, e parte da E. F. Minas e Rio, que operava o trecho Cruzeiro-Três Corações desde 1884, e que em 1908 incorporou a Muzambinho. Em 1910, esta foi uma das formadoras da Rede Sul-Mineira, que por sua vez formou a Rede Mineira de Viação, em 1931. Em 1965 esta formou a Viação Férrea Centro Oeste e foi finalmente transformada em divisão da Refesa em 1971. Na linha que unia a estação de Cruzeiro, no ramal de São Paulo da EFCB, a Juréia, terminal do ramal de Juréia, da Mogiana, o trecho final entre esta estação e Varginha já não tem mais seus trilhos. E o resto, com exceção de pequenos trechos operados pela ABPF, está tudo abandonado (2002). Os trens de passageiros foram suprimidos em 1964 entre Varginha e Juréia, em 1978 entre Varginha e Três Corações e em 1991 de Cruzeiro a Três Corações. De 1997 ao fim de 2001, operaram trens turísticos da ABPF a vapor entre Cruzeiro e Passa-Quatro. Também há tráfego operado pela ABPF entre Soledade de Minas e São Lourenço (2002).
 
A ESTAÇÃO: A estação de Varginha foi aberta pela E. F. Muzambinho em 1892. Em 06/06/1934, foi aberta a estação atual, hoje desativada, em substituição à antiga, e tendo como construtor o engenheiro Braz Paione. A partir de 1964, passou a ser ponte de linha, com a desativação do trecho entre ela e Juréia. "Conforme meu avô me contava, o projeto da estação era 'uma mesa com as pernas para cima'. Até a década de 1950 funcionava ao lado da estação um ponto de ônibus (ou jardineiras) que ligava Varginha às cidades vizinhas. Uma dessas jardineiras pode ser

vista na foto mais antiga (abaixo). Lembro-me de estar a bordo da litorina Budd num dia perdido em 1965, aos 8 anos de idade, com minha família, indo de Varginha a Cruzeiro para o casamento de um tio. Já viajei muito ao longo de minha vida, certamente esta foi a mais fascinante que está na minha memória. A composição, com dois vagões, um restaurante e um pullman, estava estacionada em um desvio de Passa Quatro já havia mais de um hora. Em seguida, foi engatada e ajudou a empurrar um trem cargueiro morro acima até ultrapassar o túnel. Depois, voltou a Passa Quatro para buscar o outro vagão. Eu, maravilhado, e meu pai, irritado com a demora, dizendo: 'que vergonha, as cargas têm preferência sobre as pessoas'. É, muitas saudades mesmo
" (Afonso Henrique Paione de Carvalho, 11/2002). Para Varginha

ACIMA: Estação e pátio da estação ferroviária de Varginha, provavelmente anos 1950. Cópia descarada e bem menor da estação de Mairinque, SP, esta feita em 1906, a estação atual de Varginha sobreviveu ao abandono de anos e foi restaurada em 2009 (Foto Tibor Jablonsky).
circulam até hoje trens de carga, que atendem exclusivamente ao Moinho Sul Mineiro, transportando trigo do porto de Angra dos Reis até o moinho, via Lavras e Três Corações. A estação, abandonada há anos, está tombada pelo município e em 11/2002 foi anunciada a sua compra, pela Prefeitura, à RFFSA. "A linha corta o centro, equilibrando-se no morro onde hoje está desenvolvido o núcleo urbano. Conversei com um vendedor de picolé na frente da estação, filho do Sr. Benedito, ferroviário que trabalhou 31 anos para a RMV. Relatou com emoção das vezes que ia com o pai a Aparecida de trem e como as estações do caminho do circuito das águas eram movimentadas por trens, cargas e pessoas. Hoje a estação está ocupada na face para rua com comércio e face para os trilhos fechada. Muito bonita, inspirada na de Mayrinque, SP. Os trilhos com uma oxidação superficial denunciam que há um bom

ACIMA: Porta principal do prédio da antiga estação ferroviária de Varginha em fevereiro de 2010, depois de terminada a reforma da estação (Fundação Cultural do Município de Varginha).
tempo não passam trens. O mesmo senhor me informou que havia os trens para um moinho de trigo, porém o moinho estaria agora utilizando o transporte rodoviário. Impressionante como o trem e a cidade estão "soldados". Em algumas ruas o asfalto encobre os dormentes e quase encosta nos trilhos. O povo passa por eles indiferente, falta a estrela principal: o trem
" (Rodrigo Cabredo, 06/2005). Depois de ter sido utilizada como lugar para exposição e venda de artesanato por um tempo, "a estação ferroviária de Varginha, depois de completar 75 anos em 25 de junho de 2009, foi recuperada pela Prefeitura Municipal, hoje abrigando: - Biblioteca Municipal - Administração da Fundação Cultural do Município de Varginha - CODEPAC – Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Cultural - COPAC – Coordenadoria Técnica do Patrimônio Cultural e - COMIC – Conselho Municipal de Incentivo à Cultura. É utilizada ainda para eventos, exposições e apresentações artísticas e musicais, no saguão de entrada e na plataforma. . Para este fim, foi criado o projeto Quinta da Boa Música, que recebe músicos locais todas as quintas–feiras na plataforma da estação, enquanto os assistentes sentam-se em cadeiras dispostas ao longo dos trilhos. Tem sido um sucesso e uma forma de mostrar a Estação e recolocá-la de volta no coração dos varginhenses. O entorno, como era esperado, já está sofrendo as boas consequências e vem se recuperando" (Anita Di Marco, 27/2/2010). Os trilhos continuam por lá. Até quando?
(Fontes: Anita Di Marco; Rodrigo Cabredo, 2005; Diovanni Resende, 2007; Afonso Henrique Paione de Carvalho, 2002; Fundação Cultural do Município de Varginha; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960)
     

A estação antiga, c. 1927. Foto cedida por Afonso Henrique Paione de Carvalho

A antiga estação, anos 1920. Foto cedida por Afonso Henrique Paione de Carvalho

A estação de Varginha, c. 1930. Foto cedida por Afonso Henrique Paione de Carvalho

A estação, supostamente no dia da inauguração do novo prédio, em 1934. Foto cedida por Afonso Henrique Paione de Carvalho

A estação atual, em 1996. Foto Afonso Henrique Paione de Carvalho

A estação, em 11/2002. Foto Rodrigo Pereira, cedida por Afonso Henrique Paione de Carvalho

A estação, em 11/2002. Foto Rodrigo Pereira, cedida por Afonso Henrique Paione de Carvalho

A estação, em 11/2002. Foto Rodrigo Pereira, cedida por Afonso Henrique Paione de Carvalho

A estação em 06/2005. Foto Rodrigo Cabredo

A estação em 12/2006. As pessoas na plataforma estão apenas comprando na tal feira de artesanato. O trem cargueiro da FCA apenas aguarda a partida. Autor desconhecido

A estação reformada em 2/2010. Fundação Cultural do Município de Varginha
 
     
Atualização: 06.12.2011
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.