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Q R S T U
VXY Mogiana em MG
Estações da linha
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Antonio Justiniano
Oliveira
João Pessoa
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ESTIVE NO LOCAL: NÃO
ESTIVE NA ESTAÇÃO: NÃO
ÚLTIMA VEZ: N/D
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E. F. Oeste de Minas (1887-1931)
Rede Mineira de Viação (1931-1965)
V. F. Centro-Oeste (1965-1975)
RFFSA (1975-1996)
OLIVEIRA
Município de Oliveira, MG
Linha do Paraopeba - km 270,925 (1960)   MG-0086
Altitude: 962 m   Inauguração: 01.07.1887
Uso atual: as duas estações foram demolidas   com trilhos
Data de construção do prédio atual: 1966
 
 
HISTORICO DA LINHA: A Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM) foi aberta em 1880, ligando com bitola de 0,76 cm as estações de Sitio (Antonio Carlos) e Barroso. Mais tarde foi prolongada até São João Del Rey (1881), atingindo Aureliano Mourão em 1887, onde havia uma bifurcação, com uma linha chegando a Lavras em 1888 e a principal seguindo para o norte atingindo finalmente Barra do Paraopeba em 1894. Dela saíam diversos e pequenos ramais. A linha foi extinta em pedaços, tendo sido o primeiro em 1960 (Pompeu-Barra) e o último, em 1984 (Antonio Carlos-Aureliano), com exceção do trecho S.J. Del Rey-Tiradentes que e conserva em atividade até hoje. Também se conserva o trecho Aureliano-Divinópolis, ampliado para bitola métrica em 1960, ligando hoje Lavras a Belo Horizonte.
 
A ESTAÇÃO: A estação de Oliveira foi inaugurada em 1887. A partir dos anos 1960, com a ampliação de bitola para métrica no trecho
Capistrano de Abreu, escritor e poeta cearense, percorreu em 1918 boa parte da EFOM então existente. Ele relata a viagem, onde uma das estações citadas era Oliveira, a seu amigo João Lucio de Azevedo em carta de 7 de agosto de 1918 enviada do Rio de Janeiro: "Semana passada reuni-me a uma comitiva que ia percorrer uma parte de Minas Gerais servida pela E. F. Oeste de Minas que ainda não visitara. Fomos pela E. F. Central até Barra Mansa, donde fizemos rumo à Mantiqueira, beiramos depois um trecho navegável do rio Grande (alto Paraná), passamos depois à bacia do S. Francisco até Belo Horizonte e só a deixamos pela do Paraibuna e Paraíba, primeira estrada entre o rio e as serras do Ouro, por onde a E. F. C. B. nos restituiu ao ponto de partida. Embarcamos 5ª feira às 11 da noite, chegamos 2ª quase às mesmas horas. Pouco faltou para completarmos 2.000 quilômetros. Iam o Ministro da Viação, com quem tenho relações vagas, e o Presidente de Minas, eleito Vice-Presidente da República no próximo quatriênio (nota deste autor: trata-se de Delfim Moreira), a quem fui apresentado um pouco a contragosto. Houve almoços, jantares, discursos, hino nacional a valer. Passamos por Turvo, Lavras, Oliveira, Itapecerica, Divinópolis e Belo Horizonte. Não havia veículos, exceto em Lavras, onde existe uma linha de bondes, e de tantas cidades só apreciei o que é visível da estação ou do trem. Em Lavras, além de um grupo escolar dirigido por pessoa competente, há um colégio protestante com internato numeroso para meninos, escola agrícola e curso para meninas. Com o diretor, Dr. Gammon, conversei bastante: pareceu-me homem de valor. É natural de Virginia, portanto, estadunidense, como começam a dizer. De sete em sete anos tem uma licença e vai refazer-se. Em geral não volto satisfeito de excursões ferroviárias. O traçado primitivo devia cortar plantações, mas hoje à beira das linhas apenas se avista uma vegetação que não teve ainda tempo de virar capoeira. Só em um ponto ou outro veem-se cabeças de gado. Ainda mais aborrecem os cortes, que por baixo de uma tênue camada de terra aproveitável mostram jazidas de rocha em grau variado de decomposição".
Aureliano-Divinópolis, a estação, que mudou de lugar e ficou a alguns quilômetros de onde era a original, foi reconstruída em estilo moderno e passou a receber os trens diretos Lavras-Divinópolis. A estação original foi demolida. A linha está ativa até hoje para trens cargueiros da FCA. O prédio não é mais o original, tendo sido reconstruído com linhas típicas dos anos 1960/70. "Na antiga bitolinha da EFOM, o prédio é hoje ocupado pela regional do sindicato dos ferroviários de Minas. Pátio vazio, mal cuidado, pode-se dizer semi abandonado, linha fraca (vê-se claramente na foto), baixo tráfego, futuro incerto? Curiosamente estão construindo um novo abrigo para autos de linha. Será um bom sinal?" (Gutierrez L. Coelho, 03/2005).

ACIMA: A foto seria de "final de obras". Que obras? Da estação nova na linha nova de 1966? Não se vê a estação (Acervo João Marcos). ABAIXO: A estação em festa, início do século XX (Autor desconhecido).

A estação de Oliveira da linha original foi demolida e em seu lugar foi construído um hospital. Ficou a que foi construída em 1966 na linha nova de bitola métrica, mas que foi já foi também demolida (pelo visto, depois da visita de Gutierrez, citada acima, em 2005).
LEIA SOBRE DIVERGÊNCIAS SOBRE DATAS NAS INAUGURAÇÕES DE RIBEIRÃO VERMELHO, LAVRAS E OLIVEIRA CLICANDO AQUI.
(Fontes: Diovanni Resende; João Marcos; Bruno Nascimento Campos; Gutierrez L. Coelho; José Honório Rodrigues: Correspondência de Capistrano de Abreu, volume 1, Rio de Janeiro, 1954; Paul Waters: West of Minas Narrow Gauge, 2001; Mucio Jansen Vaz: Estrada de Ferro Oeste de Minas - Trabalho Historico-Descriptivo, 1922; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960
)
     

Estação de Oliveira em 1912. Foto extraída do livro West of Minas Narrow Gauge, Paul Waters, 2001

A estação em 1922. Nota-se já um prédio diferente. Foto do livro "Estrada de Ferro Oeste de Minas - Trabalho Historico-Descriptivo" de Mucio Jansen Vaz (1922), cedida por Bruno N. Campos

A estação (nova) de Oliveira em 03/2005. Foto Gutierrez L. Coelho
     
Atualização: 21.04.2015
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.