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Q R S T U
VXY Mogiana em MG
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No ramal de Jaú
(1886-1931):
Canela-velha
Torrinha
Tabuleiro-velha
...
No ramal de Jaú
(1931-1941) e no tronco oeste (1941-2000):
Canela
Torrinha
Tabuleiro
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Tronco oeste CP-1970

IGGSP-1928
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 2010
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Cia. Rio-Clarense (1886-1888)
Rio Claro Railway (1888-1892)
Cia. Paulista de Estradas de Ferro (1892-1971)
FEPASA (1971-1998)
TORRINHA (antiga SANTA MARIA)
Município de Torrinha, SP
Ramal de Jaú - km 53,528   SP-2118
Linha-tronco oeste - km 227,898   Inauguração: 07.09.1886
Uso atual: diretoria de Cultura   com trilhos
Data de construção do prédio atual: anos 1920 (provável)
 
 
HISTORICO DA LINHA: O chamado tronco oeste da Paulista, um enorme ramal que parte de Itirapina até o rio Paraná, foi constituído em 1941 a partir da retificação das linhas de três ramais já existentes: os ramais de Jaú, de Agudos e de Bauru. A partir desse ano, a linha, que chegava somente até Tupã, foi prolongada progressivamente até Panorama, na beira do rio Paraná, onde chegou em 1962. A substituição da bitola métrica pela larga também foi feita progressivamente, bem como a eletrificação da linha, que alcançou seu ponto máximo em 1952, em Cabrália Paulista. Em 1976, já com a linha sob administração da FEPASA, o trecho entre Bauru e Garça que passava pelo sul da serra das Esmeraldas, foi retificado, suprimindo-se uma série de estações e deixando-se a eletrificação até Bauru somente. Trens de passageiros, a partir de novembro de 1998 operados pela Ferroban, seguiram trafegando pela linha precariamente até 15 de março de 2001, quando foram suprimidos.
 
A ESTAÇÃO: A estação de Torrinha foi inaugurada em 1886, com o nome de Santa Maria, ainda pela Rio-Clarense, no ramal de Jaú. O relatório da Cia. Paulista de 30/04/1893 ainda se refere à estação como Santa Maria, enquanto que o seguinte, de 28/04/1894, já a chama de Torrinha. Não consegui o motivo do nome inicial da estação, pois a atual Torrinha ainda pertencia a Brotas, nessa época, e Santa Maria da Serra, vila não muito distante, pode ter originado o nome da estação, colocada então no meio de coisa alguma. A cidade começou a se desenvolver realmente a partir de 1890, e teve o nome alterado para o atual por causa de uma formação geológica próxima que se parece com uma torre. É uma das poucas estações que, na retificação de 1929, não teve seu local original alterado. Nos anos 1920, o velho prédio da Rio-Clarense foi substituído por um prédio mais moderno, que sobrevive até hoje. "O vendedor de jornais estava sempre no primeiro banco do primeiro carro de segunda classe. Naqueles dois minutos de parada do trem, o jornaleiro vendia de dez a quinze jornais. A maioria era a Gazeta Esportiva. Em Torrinha, em 1940, poucas pessoas assinavam jornais ou revistas, e aqueles que queriam ler, iam à estação da Paulista e os compravam do jornaleiro do trem. Todos os trens de passageiros da Paulista tinham um prefixo que indicava o destino, a origem e o horário. Assim eram conhecidos pelo pessoal da estação. Os de prefixo "P" eram trens diurnos e "N" eram os de horários noturnos. A letra "P" significava passageiros assim como também "N". O mais esperado era o PJ3. Trem de passageiros, rápido, formado em Itirapina com destino a Marília e Pompéia. O PJ3 trazia mais passageiros para Torrinha, além de encomendas e outros tipos de bagagens. Chegava à estação pontualmente às treze horas e vinte minutos. Após a sua

ACIMA: Locomotiva elétrica em Torrinha com as cores da Fepasa, por volta de 1984 (Foto José Geraldo).
partida chegava o P16, às treze horas e quarenta minutos. Este procedia da Alta Paulista com destino a São Paulo. A estação era o lugar mais freqüentado da cidade. Rapazes, moças, pessoas de todas as idades passeavam pela gare, de mãos dadas. Em 14 de novembro de 1941, passou o último PJ3 na bitola estreita. Uma possante locomotiva a vapor arrastava os doze carros impecavelmente limpos. Eram três de primeira classe, três de segunda, o carro restaurante, o carro pullman e o bagageiro. No restaurante, o gerente já chegava na janela com embrulhos nas mãos. Eram frutas: maçãs, uvas, pêras, que eram encomendadas por familiares de doentes terminais. A criançada, quando via um viajante chegar com malas, corria logo a oferecer o seu serviço. Carregar malas para o Hotel Perlatti, Hotel Marolla, ou para outra parte da cidade, sempre dava alguns dois ou três mil réis para o cinema de domingo, jogar no bicho ou comprar cigarros e fumá-los escondido do pai
" (Do livro Minhas e outras memórias de Torrinha, de José de Barros). A partir de 1941, a estação passou a fazer parte do tronco oeste, que incorporou os antigos ramais de Jaú, de Agudos e de Bauru e os retificou. "Minha mãe é de Torrinha, e morávamos em Rio Claro. Então, era muito comum irmos de trem, de Rio Claro para lá, quando eu era criança, nos anos 50. Eu me lembro das emas correndo pelos campos - havia muitos, por onde essa linha passava. Lembro-me das estações de Batovi, de Itirapina, de Brotas... eu nunca fui a Brotas, só conhecia a estação, de quando o trem parava. Era um prédio muito bonito. Ao lado, corria de um muro de pedras, uma mina d'água. Quando chegávamos a Torrinha, meu avô, alemão, estava nos esperando, na plataforma, de terno e com um relógio de bolso na mão". (Carlos Alberto Pimentel, junho de 1999). Em 15 de abril de 1998, estive na estação. Era pequena e bonita, e - surpreendente para a época - tinha um chefe que permanecia todo o dia ali, trabalhando e até vendendo bilhetes. Era uma das poucas estações que fazia isso na época. Estava longe de estar em perfeito estado de conservação, apresentando remendos nas paredes e tábuas com indícios de podridão no teto, mas os móveis ainda eram os originais, de madeira, com armários e escrivaninhas típicas da Paulista do início do século, tudo arrumadinho, com o seu telefone antigo na parede. E que funcionava, servindo para contato com as outras estações. Torrinha acabou, infelizmente, por se

ACIMA: Estação de Torrinha e o trem da Fepasa, sentido Dois Córregos, em 1975 (Foto Edson Milani).
tornar um exemplo de descaso e desorganização: no final desse mesmo ano, a Ferroban adquiriu a Fepasa e a estação, sem interesse para eles, foi completamente abandonada. Pouco tempo duraria o abandono: um mutirão de moradores começou a limpar a estação e os arredores. Parte da estação passou a ser ocupada por um bar-café e um espaço para exposições, enquanto que, na cidade, o apito de um trem cargueiro ainda trazia alegria... mesmo não parando mais na estação de Torrinha. "O passo seguinte foi recuperar toda a parte interna da área administrativa da estação, onde toda a parte elétrica, encanamentos, pintura e bens foi restaurada. A seguir passou-se a usar o espaço de controle de trens para a nova sede do COMTUR. Com eventos e festas, conseguimos refazer o paisagismo e cercar com alambrado todo esse espaço. Em 2004, tomamos o antigo armazém e restauramos todo o seu espaço interno, onde foi realizado o 3o Moda na Estação, um evento que reune artistas pláticos de toda a região e conta com a presença de artistas consagrados no Brasil no setor de moda. Hoje, a única coisa que nos falta terminar em nossa estação é a pintura exterior dos prédios e que fundamentalmente o Poder Público Municipal e Estadual se conscientizem e valorizem nosso trabalho. Gostaria de citar

ACIMA: A pia da estação de Torrinha, fotografada em 2005; ela é uma das únicas remanescentes, senão a única, de pias desse tipo de um fabricante que ainda existe, a americana Twyford Bathrooms (Fotos Julio Cesar de Paiva, 2005). Abaixo, o catálogo que mostra estas pias, do início do século 20. Para ver a história deste catálogo e sua descoberta, clique aqui (Foto cedida pela Twyford e por Julio Cesar de Paiva).
nomes de pessoas que voluntariamente dão o sangue literalmente e amam a nossa Estação, e são eles: o jornalista Fernando Della Coletta, a artista plástica Katia R. Buzatto, o arquiteto João Paulo Golinelli, a turismóloga Maria Lúcia Baltieri e muitas outras pessoas que direta e indiretamente entendem e contribuem para que o nosso esforço tenha resultado
" (Cibele Zanforlin, arquiteta, 11/2004). "Em fevereiro de 2006, vi em Torrinha uma estação muito bem reformada, muito bem zelada e mantida. Está sendo ocupada como diretoria de cultura e expõe alguns objetos originais" (Edson Castro, 23/02/2006). Leia também: Torrinha e o passe dos estudantes em 1950 (Folha de S. Paulo, 4/3/1950).
(Fontes: Ralph Giesbrecht, pesquisa local; José Geraldo; Flávio Vassello Sorrila; Carlos Almeida; Edson Milani; Edson Castro; Julio Cesar de Paiva; Rodrigo Cabredo; Cibele Zanforlin; Carlos Alberto Pimentel; Filemon Peres: Album de 50 anos da Cia. Paulista, 1918; Cia. Paulista: relatórios anuais, 1872-1969; José de Barros: Minhas e outras memórias de Torrinha; IGGSP, 1928; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
     

Torrinha em 1918. Notar a estação com telhado de duas águas e não quatro: era outro prédio. Foto Filemon Peres

A estação de Torrinha, ativa e, embora pichada, funcionando como nos "bons tempos", em 15/04/1998. Foto Ralph M. Giesbrecht

Fachada de Torrinha em 15/04/1998. Foto Ralph M. Giesbrecht

Cabeine de controle de Torrinha, em 15/04/1998. Foto Ralph M. Giesbrecht

Plataforma da estação de Torrinha, abandonada, em março de 2000, com o trem da Ferroban parado junto a ela. Foto Carlos A. Almeida

O saguão da estação, no abandono, em março de 2000. Foto Carlos A. Almeida

A estação em 2003. Foto Edson Castro

A degradação da estação em 2003. Foto Edson Castro

A estação em 10/2004. Foto Edson Castro

A estação, ao fundo, e a cabine de controle, em 02/2007. Foto Rodrigo Cabredo

Na foto em 02/2007, alguns afirmam que esta teria sido a estação antiga de Torrinha, até 1929. Será? Foto Rodrigo Cabredo
 
     
Atualização: 15.12.2012
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.