| Linha do Manhuaçu (Minas Gerais/Rio de Janeiro) |
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E. F. Leopoldina
/ RFFSA |
Este trem de passageiros da Leopoldina (no final, operado pela RFFSA) corria na chamada linha do Manhuaçu. Existiu desde 1883 quando foi aberto o primeiro e curto trecho até Palma e a partor de 1915 passou a fazer todo o trecho até Manhuaçu, que passou a ser a estação terminal. Os trens foram desativados de 1977 a 1979, dependendo do trecho: o último sobrevivente foi o trecho Recreio-Porciúncula, em 1979, se confiarmos nos horários impressos nos guias da época. Na verdade, os trens partiam de Três Rios, onde se dividiam composições da Leopoldina que vinham do Rio de Janeiro. Em Recreio, deveria haver mais uma divisão de comboios, depois de cerca de meia hora de parada: uma parte do trem seguia para Manhuaçu, outra para São Geraldo, encontrando a linha Três Rios-Caratinga pela linha do Centro da Leopoldina. Como em praticamente todos os trens de passageiros do Brasil a partir dos anos 1960/70, esses trens passaram a ser usados em trechos curtos, de uma estação a outra; raramente alguém se dispunha a seguir pelo percurso todo, já que naquela época mesmo as precárias estradas e os pequenos ônibus já faziam os trechos longos em tempos bem menores. Como curiosidade, na região de Porciúncula, o trem entrava e saía do Estado do Rio de Janeiro por alguns quilômetros (as estações de Porciúncula e de Dona Emília ficavam neste Estado). Hoje não existe mais linha entre Cisneiros e Manhuaçu, sobrou apenas com tráfego quase nulo de cargueiros e autos de linha os trilhos entre Recreio e Cisneiros. |
Percurso: Recreio - Manhuaçu. |
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Comentários:
Alguns ferroviários e usuários chamavam o trem para
Manhuaçu de Trem da Zona da Mata."Pelo que me
recordo, havia um trem diário, que só ia de Manhuaçu até Carangola,
passando por Caparaó, e outro, uma vez por semana, no domingo, que
vinha direto do Rio de Janeiro, o "noturno", que trazia as revistas
e os jornais. As primeiras revistas em quadrinhos que li vinham por
esse trem, que a gente ficava esperando para pegar o que chegava.
Era tudo puxado, na época, ainda por locomotivas a vapor. Havia uma
senhora que fazia pastéis que a gente, crianças do local, ficava vendendo
na plataforma da estação, pela janela do trem, que, quando parava,
muita gente comprava sem descer do trem. Era uma das nossas diversões.
Nós morávamos a 6 km da cidade, e havia uma passagem de nível ali
perto da nossa casa. Como a estação ficava muito longe, para não termos
de descer do trem na estação de Caparaó e ter de caminhar tudo
isso para chegar em casa, a gente pedia ao maquinista para diminuir
a velocidade quando passava por ali. Um dia ele se esqueceu de reduzir
e meu pai pulou assim mesmo, sem perceber. Quebrou a perna"
(Atahyde, nascido em Caparaó, hoje em São Paulo,
05/2006). "O trecho que eu viajava com minha mãe era
Morro Alto-Porciúncula, onde moravam meus avós maternos. Era uma festa:
as paradas (Patrocínio, Eugenópolis, D. Emília...) e os vendedores
de "quitandas", as paisagens
que se sucediam,
o
barulho nos túneis
e pontilhões. Aos
meus olhos
de criança era |
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