| E. F. Noroeste do Brasil (São Paulo) |
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E. F. Noroeste
do Brasil (1906-1996) Contato
com o autor |
Trem de passageiros operado pela
E. F. Bauru-Itapura, do lado paulista e, do lado do Mato Grosso, pela
E. F. Itapura-Corumbá, até a união destas sob
o nome de E. F. Noroeste do Brasil, em 1918. A travessia do rio Paraná,
até outubro de 1926, era feita por barco, para os passageiros:
desembarcavam de um lado do rio e pegavam outro trem do outro. Apenas
trens cargueiros seguiam por balsa. Com a ponte, construção
de variantes em diversos trechos e empedramento da estrada, a linha
torna-se bem melhor após os anos 1950 possibilitando o tráfego
de locomotivas diesel-elétricas e mais conforto para os passageiros
numa viagem bastante longa. Até os anos 1940, no entanto, as
viagens estavam longe de ser um paraíso, com excesso de curvas
e trilhos sem lastro de pedras, com muita poeira formada pelo movimento
do trem, com trilhos em contato direto com a terra do solo. |
Percurso:
Bauru, SP - Porto Esperança, MS (em 1953 a linha chegou
até Corumbá). Origem da linha: Bauru - Araçatuba - 1908 Araçatuba - Jupiá (via Lussanvira) - 1910 Três Lagoas - Campo Grande - Porto Esperança - 1914 Variante Araçatuba - Jupia (via Valparaíso) - de 1932 a 1937 Prolongamento de Agente Inocêncio a Corumbá - 1953 A partir de 1937, o tronco passa a ser Bauru - Porto Esperança passando pela nova variante. A linha antiga passa a ser o ramal de Lussanvira (Araçatuba - Lussanvira). Em 1940 parte do ramal (Lussanvira - Jupiá) é erradicada. Em 1953, a ferrovia chega a Corumbá deixando o trecho Agente Inocêncio - Porto Esperança como um ramal. A linha está ativa até hoje, com exceção do ramal de Lussanvira, erradicado nos anos 1960. Desde 1996 apenas cargueiros trafegam pela linha, operada pela Novoeste, concessionária da antiga Noroeste. |
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Viajar de trem pela Noroeste
nos seus primórdios, e mesmo até os anos 1940, não
era fácil: era uma aventura. Os relatos a seguir, extraídos
do livro "Uma ferrovia entre dois mundos", de Paulo
Roberto Cimó Queiroz (EDUSC/UFMS, 2004), dão uma idéia
do que era essa aventura. Em novembro de 1915, um viajante afirmava
que o comboio em movimento "fazia levantar uma nuvem de poeira
fina que invadia o vagão, sufocando os passageiros e tingindo
as suas roupas de marrom. Um martírio". Outro lembra
que "O comboio chacoalhava, havia poeira e o problema dos
passageiros era proteger a pele e a roupa das fagulhas da Maria Fumaça".
Em 1927, "torna-se intolerável a viagem (de Araçatuba
para a frente - ainda pelo trecho velho, de Lussanvira). Carros fechados,
por causa do pó. O ar não penetra e o calor mata. A
poeira entra e enterra. É difícil respirar. De vez em
quando é de mister desobstruir a fossas nasais. O que sai no
lenço parece sangue. O mal-estar é desesperador. O ventre
já não cabe mais refrigerantes, mas a garganta ressequida
exige-os. Almoça-se e janta-se no próprio trem. Servido
um prato, engula-se no menor número de vezes possível
de garfadas, antes que o cubram camadas densas de pó, presume-se
que se vareja o Saara". Os viajantes que se destinavam a
Corumbá |
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