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VXY Mogiana em MG

Pátio de Ribeirão Vermelho
 
E. F. Oeste de Minas/RMV
rotunda de RIBEIRÃO VERMELHO
Município de Ribeirão Vermelho, MG
     
Uso atual: ABANDONADA/EM RUÍNAS    
 
ROTUNDAS são depósitos de locomotivas de forma circular ou semi-circular: variam geralmente de prédios construídos em 90 graus até prédios totalmente circulares, construídos em 360 graus. A distribuição das locomotivas para cada baia é feita por um girador, movido na maioria das vezes manualmente. Estes giradores são trilhos que giram dentro de um círculo com um poço, cujos trilhos são apontados para a baia que receberá a máquina. Não confundir girador (ou virador, ou giramundo) com rotunda.
 

Rotunda de Ribeirão Vermelho - 360 graus
ACIMA: Rotunda de Ribeirão Vermelho em funcionamento. Data ignorada (Autor desconhecido). ABAIXO: Em 1940 (Autor desconhecido).


ACIMA: A rotunda nos anos 1980. ABAIXO: O pátio da rotunda em 1994 (Autores desconhecidos).

ABAIXO: A rotunda já completamente abandonada em 2002 (Autor desconhecido).

De acordo com o site http://ribeiraovermelhotur.webs.com/-%20New%20Folder/COMPLEXOFERROVIARIO.pdf (entrada em 7/11/2010), as obras da construção da rotunda de Ribeirão Vermelho, anexa às oficinas, foram concluídas em 1895 pela Cia. Estrada de Ferro Oeste de Minas, sob a supervisão do português Antônio Rodrigues de Oliveira Castro, entrando em atividade em março de 1896. Destinada a ser depósito e fazer manutenção, montagens e reparações de material rodante de bitola métrica, a rotunda, assim como as oficinas, tiveram suas estruturas montadas pela Brasilian Contracts Corporation, sendo todo o material importado de Glasgow, Escócia, ou, como nas telhas, importadas de Marseille, na França, além de equipamentos, máquinas e projetos procedentes da Inglaterra. Em relatório apresentado pelo diretor da Estrada de Ferro Oeste de Minas, eng. José de Almeida Campos Jr., ao Sr. Ministro da Viação e Obras Públicas, a rotunda de Ribeirão Vermelho é citada como tendo sofrido uma limpeza e aparece no quadro “Relações de Usinas e oficinas na bitola de 1,00 m” com os seguintes dados: Quilômetro - 293,985; Comprimento – diâmetro 75 m; largura- 6,45 m; sistema de Construção- alvenaria de pedra, tijolos, telhas francesas; Valor - 90.000$000 (noventa contos de réis). A partir da década de 1960, quando entraram em operação as locomotivas a diesel, em substituição às máquinas a vapor, num processo gradativo, a rotunda passou a ser utilizada exclusivamente para depósito de locomotivas a vapor, abrigando em seu interior várias dessas locomotivas até o ano de 1981, quando, então, a RFFSA, com a criação do Centro de Preservação da História Ferroviária de Minas Gerais em São João del Rei, resolveu recuperá-las para constituir o seu acervo: ou seja, a partir dali, ficou selado o abandono da rotunda de Ribeirão Vermelho. "Entre os ribeirenses, uma lenda ferroviária ainda corre gerações. Dizem que nem o reboco que une um tijolo a outro da estrutura é nacional. De fato, a rotunda é um misto do melhor da arquitetura europeia que se alastrou pelo Brasil afora naquela época. O telhado que ainda resiste é de Marselha, na França, enquanto as 30 colunas de ferro fundido que sustentam o forro de treliça são escocesas. Mesmo em ruínas, a rotunda de Ribeirão Vermelho disputa uma posição de destaque: a de maior estrutura

ACIMA: As bonitas colunas de ferro fundido ainda no século XIX, trazidas da Europa, na precária rotunda de Ribeirão Vermelho (Foto Glaucio Henrique Chaves em 2015).
do gênero da América Latina. Outra rotunda mineira, erguida em Além-Paraíba, também está no páreo pelo título. Apesar de um passado de imponência, a reportagem encontrou parte da antiga "oficina de luxo" escorada por madeiras para não desabar. Sem nunca ter sido restaurada e por décadas dilapidada, a construção está prestes a entrar em colapso. O prefeito Célio Carvalho (PDT) afirma que a única intervenção que conseguiu concretizar foi desenterrar o espaço, no centro da rotunda, onde as locomotivas eram consertadas. "Tiramos mais de 200 caminhões de terra só dali", aponta o prefeito. A prefeitura mantém dois funcionários no local que fazem pequenos reparos na construção. E só. "Para recuperar a rotunda e todo o parque ferroviário seria preciso investir pelo menos R$ 7 milhões. Não temos esse recurso", diz Carvalho. A arquiteta Luciana Bracarense pesquisa soluções de restauro para a rotunda em um doutorado na Ufop (Universidade Federal de Ouro Preto). Segundo ela, a ideia é utilizar aço nos processos de restauração do local. 'A rotunda é testemunha da arquitetura do ferro no Brasil. Hoje, tem-se ali apenas uma representação do que a construção foi um dia'. O parque ferroviário de Ribeirão Vermelho, cidade que hoje não passa dos 4.000 habitantes, foi tombado como patrimônio de Minas Gerais em agosto de 2014" (Dhiego Maia, 2/10/2014).
(Fontes: Eduardo Coelho; Glaucio Henrique Chaves; Louis Phelippe; Roosevelt Reis; http://ribeiraovermelhotur. webs.com/-%20New%20Folder/ COMPLEXOFERROVIARIO.pdf)

     

Em 1989, abandono. Foto Eduardo Coelho

Em 1989, abandono também internamente. Foto Eduardo Coelho

A rotunda por dentro em 2005. Foto Louis Phelippe
 
     
Atualização: 19.04.2015
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.