A B C D E
F G H I JK
L M N O P
Q R S T U
VXY Mogiana em MG
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Engenheiro Gutierrez
Rebouças
Roberto Helling
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Itararé-Uruguai, PR- 1965

IBGE - 1960
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ESTIVE NO LOCAL: NÃO
ESTIVE NA ESTAÇÃO: NÃO
ÚLTIMA VEZ: S/D
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Cia. E. F. S. Paulo-Rio Grande (1900-1942)
Rede de Viação Paraná-Santa Catarina (1942-1975)
RFFSA (1975-1996)
REBOUÇAS
(antiga ANTONIO REBOUÇAS)
Município de Rebouças, PR
linha Itararé-Uruguai - km 385,174 (1936)   PR-0065
    Inauguração: 01.05.1900
Uso atual: demolida   sem trilhos
Data de construção do prédio atual: 1981 (já demolida)
 
HISTORICO DA LINHA: A linha Itararé-Uruguai, a linha-tronco da RVPSC, teve a sua construção iniciada em 1896 e o seu primeiro trecho aberto em 1900, entre Piraí do Sul e Rebouças, entroncando-se em Ponta Grossa com a E. F. Paraná. Em 1909 já se entroncava em Itararé, seu quilômetro zero, em São Paulo, com o ramal de Itararé, da Sorocabana. Ao sul, atingiu União da Vitória em 1905 e Marcelino Ramos, no Rio Grande do Sul, divisa com Santa Catarina, em 1910. Trens de passageiros, inclusive o famoso Trem Internacional São Paulo-Montevideo, este entre 1943 e 1954, passaram anos por sua linha. Os últimos trens de passageiros, já trens mistos, passaram na região de Ponta Grossa em 1983. Em 1994, o trecho Itararé-Jaguariaíva foi erradicado. Em 1995, o trecho Engenheiro Gutierrez-Porto União também o foi. O trecho Porto União-Marcelino Ramos somente é utilizado hoje eventualmente por trens turísticos de periodicidade irregular e trens de capina da ALL. O trecho Jaguariaíva-Eng. Gutierrez ainda tem movimento de cargueiros da ALL.
 
A ESTAÇÃO: A estação foi inaugurada em 1900 com o nome de Antonio Rebouças, engenheiro que trabalhou em diversas ferrovias no País, como a Sorocabana, RVPSC e a Cia. Paulista. Nos anos 40, teve o nome simplificado para Rebouças. "A cidade de Rebouças se formou pelo agrupamento de pessoas ao redor da estação quando da construção da SPRG. Nos relatórios da RVPSC é informada como data de inauguração da estação o dia 01/05/1900, mas já vi um relato da época que informa que um trem inaugural passou por lá em 17/11/1899, inaugurando também a estação de Irati e outras no caminho para Ponta Grossa. Hoje Rebouças é uma cidadezinha pouco movimentada, mas foi bem diferente nos áureos tempos da ferrovia. A extração de madeira (araucária) e erva mate foram seus principais meios de renda e existia lá uma grande vila ferroviária, muitas serrarias, alguns hotéis e movimento constante de viajantes que percorriam o trajeto vindos do sul ou do norte. A praça em frente foi por muito tempo um grande pátio onde se

ACIMA: Estação de Rebouças em 1907 (Autor desconhecido).
acumulavam pilhas de toras para embarque nos trens. Uma senhora conhecida de minha família e já falecida possuiu um hotel em frente à estação e ouvia a reclamação dos hóspedes, que eram obrigados a cruzar a praça ziguezagueando entre toras gigantescas de imbuia e araucária para chegar à estação. Com o fim da madeira e do mate, Rebouças foi ficando esquecida no tempo, os ferroviários sumiram, o movimento na cidade caiu, os trens foram rareando e, finalmente, em janeiro de 1989, a estação foi desativada. Antes disso, em 1980, a estação de madeira tinha acabado de ser demolida, e sobre a base do que era a estação, o prefeito insistiu para que se construísse uma estação nova
" (Luciano Pavloski, 01/2003). A estação nova acabou sendo construída e entregue já em 1981. E os trens de passageiros permaneceram, mistos, até 1983, quando uma enchente deixou a cidade isolada e os trens passaram a ser a única opção de entrada e saída da cidade. Mas a enchente foi a desculpa para o fim deles em todo o Estado. Em janeiro de 1993, veio a demolição da estação e das casas da vila. E o que é pior: nove anos depois disso, início de 2003, e a plataforma está lá mal cuidada e coberta de mato. "Estive em Rebouças, onde restou somente a plataforma. Como se pode ver na foto, apenas um circo utiliza atualmente o pátio, o que de certa forma vem ilustrar a palhaçada que foi o trato dado às ferrovias no país..." (Flávio Marcellini, 01/2003). Logo após a estação, sentido sul, existe ainda a velha ponte sobre o Rio Potinga, a maior da região) totalmente isolada no meio do mato, já sem trilhos. É Luciano Pavloski quem conta: "Eu costumava pescar nesse rio quando era criança. Ela está a uns 7 ou 8 km da cidade e o trajeto até ela, acompanhando a linha, de bicicleta, era mais gostoso que a própria pescaria. O lugar era especialmente pitoresco. A linha da SPRG fazia aquela imensidade de curvas desnecessárias, mais imensamente simpáticas para um fã de ferrovia, cortando barrancos cobertos de musgo e pedras onde sempre havia uma infalível bica d'água. Aqui e ali, passava-se por diversos pontilhões e bueiros, tudo quase centenário. O caminho ao redor da linha (a banqueta, conforme os ferroviários) era tão limpa que era possível ir para outros municípios tranqüilamente, de bicicleta, acompanhando a linha. Ao redor de tudo, muita vegetação e pouca interferência dos seres humanos na natureza. O máximo que havia eram algumas roças, um ou outro reflorestamento de pinus e algumas raras estufas e plantações de fumo. Realmente um cenário digno de maquete, e eu me sentia uma figura HO andando por ali..." O último trem passou por Rebouças em abril de 1994, levando três horas para vir de Eng. Gutierrez - apenas a 15 km dali - pois teve de remover várias árvores e mato na linha, já sem ser utilizada há muitos anos. Este foi um trem que veio para avaliar os objetos das estações e da linha para serem retirados. Em 1995, um trem da turma mecanizada da RFFSA retirou a maior parte dos dormentes da linha, e, em 1996 e fevereiro de 1997 os últimos trens vieram e retiraram a linha, que, entre 1993 e 1995, já tinha sido retirada até Minduí. Hoje no local da estação foi construída uma escola. (Agradecimentos a Luciano Pavloski e a Vilson Luiz Zvir, ambos nascidos em Rebouças e que enviaram verdadeiras aulas de leitura e visual sobre Rebouças, sua história e sua ferrovia.)
(Fontes: Luciano Pavloski; Vilson Luiz Zvir; Ivan Pereira de Andrade, 2006; Flávio Marcellini, 2004; RVPSC: Horário dos Trens de Passageiros e Cargas, 1936; RVPSC: Relatórios oficiais, 1920-60; IBGE, 1960; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
     

Foto de 26/01/1941 tomada da praça em direção à estação; mostra o prédio original com uma ampliação em construção. No fundo, uma das serrarias e pilhas de madeira serrada.

Em 1942, visão da praça em fase final de construção, a estação agora aumentada e caminhões com madeira. Bem à esquerda, em frente à estação, vários barris de mate.
Ainda ao lado, ao fundo, casas dos ferroviários. A maior, de alvenaria, que aparece à esquerda, era a casa do agente de estação, hoje demolida.


Plataforma da estação, anos 1940

A estação em 12/1960, ainda com muito movimento e uma G12 na plataforma.

A estação, anos 1970. Ainda há passageiros no aguardo do trem

Na mesma época, anos 1970, o trem vindo de Irati recolhe passageiros e ainda tudo é limpo em volta.

Ainda anos 70 e a estação firme, resistindo, com uma U12B na plataforma

No centro da foto, a estação demolida e as suas fundações, em 21/07/1980

Em 1981, já havia uma nova estação. Os carros à direita são para treinamento do SENAI

A estação nova com uma G12 à frente.

Composição de pasageiros nos anos 1980 em frente à estação.

Plataforma já mal cuidada, em 28/07/1998.

A plataforma da estação demolida, em 01/2003. Foto Flávio Marcellini
Todas as fotos, com exceção das citadas foram tiradas ou cedidas por Luciano Pavloski
Casa da vila ferroviária, em madeira, e antigo depósito de ferramentas da ferrovia, próximos à estação. Foto Ivan Pereira de Andrade, em 2006
     
Atualização: 15.11.2010
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.