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Cia.
Paulista de Estradas de Ferro (1928-1971)
FEPASA (1971-1998) |
MARÍLIA
Municípios
de Campos Novos (1928-1929);
Marília (1929-2008), SP |
| Ramal de
Agudos original - km |
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SP-1228 |
| Linha-tronco
oeste - km 466,440 |
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Inauguração: 30.12.1928 |
| Uso atual: centro
de saúde |
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com
trilhos |
| Data de construção do
prédio atual: 1955
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| HISTORICO
DA LINHA: O chamado tronco oeste da Paulista, um enorme ramal que
parte de Itirapina até o rio Paraná, foi constituído em 1941 a partir
da retificação das linhas de três ramais já existentes: os ramais
de Jaú (originalmente construído pela Cia. Rio-clarense e depois por
pouco tempo de propriedade da Rio Claro Railway, comprada pela Paulista
em 1892), de Agudos e de Bauru. A partir desse ano, a linha, que chegava
somente até Tupã, foi prolongada progressivamente até Panorama, na
beira do rio Paraná, onde chegou em 1962. A substituição da bitola
métrica pela larga também foi feita progressivamente, bem como a eletrificação
da linha, que alcançou seu ponto máximo em 1952, em Cabrália Paulista.
Em 1976, já com a linha sob administração da FEPASA, o trecho entre
Bauru e Garça que passava pelo sul da serra das Esmeraldas, foi retificado,
suprimindo-se uma série de estações e deixando-se a eletrificação
até Bauru somente. Trens de passageiros, a partir de novembro de 1998
operados pela Ferroban, seguiram trafegando pela linha precariamente
até 15 de março de 2001, quando foram suprimidos. |
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A ESTAÇÃO:
A estação de Marília foi aberta como ponta
de linha do então Ramal de Agudos no final de 1928.
A estação deveria ter a letra "M", no alfabeto
da Paulista. Segundo Fábio Vasconcelos, quem sugeriu
o nome da estação não foi o diretor da Cia. Paulista,
Adolfo Pinto, que havia indicado Marathona, Macau
e Mogúncia, mas sim o então deputado Bento
de Abreu Sampaio Vidal, que possuía muitas terras na região
que não gostou dos nomes e, numa viagem de navio à Europa,
lendo o livro "Marília de Dirceu", de Thomáz
Antônio Gonzaga, teve a idéia de sugerir o nome de
Marília, que foi prontamente aceito. Já existia
lá então uma vila, chamada de Alto Cafezal. A
partir de 1941, passou a fazer parte do tronco oeste da Paulista.
A cidade cresceu muito, e hoje é a principal cidade da região
que vai dali até o rio

ACIMA: Fantasmas do passado: a bilheteria ainda parece
estar esperando por passageiros para comprar bilhetes, em 2008...
(Créditos na própria fotografia).

ACIMA E ABAIXO, o trem puxado por três locomotivas U-20 cruza
a cidade de Marília em 12 de agosto de 2008. Para mim e para
muita gente, uma cena bonita. Praticamente não atrapalha o
trânsito (é dia de semana, vejam a quantidade de carros
esperando) nem atenta contra a segurança (pelo amor de Deus,
não ver um trem desses, que, aliás, anda a menos de
15 km/hora??), não adianta os catastrofistas de plantão
afirmarem que sim. Esta cena ocorre no mundo inteiro, inclusive nos
Estados Unidos em diversos lugares (Fotos Fabio Vasconcellos).
Paraná. O prédio original foi substituído pelo
atual em 1955 (retratado na foto preta-e-branca, de 1958). Estive
lá em 09/10/1999, quando tirei as fotos da entrada principal
da estação, e do armazém, ao lado. A estação,
fechada (talvez porque fosse sábado?), ainda mostrava na bilheteria
os horários do Trem Azul e do Estrela do Oeste,
que não passam mais por lá já há algum
tempo... No final de 2000, a estação estava reformada,
e servindo à Ferroban. No início de 2001, os
trens de passageiros deixaram de passar por lá, passando a
seguir apenas até Bauru, e, a partir de 16/03 desse
ano, foram suprimidos para sempre. "A estação
de Marília continua em pé, paradoxalmente e por incrível
que possa parecer, também (ou apenas por causa disso) por conta
da eterna guerra entre a ingrata Prefeitura Municipal e os trens que
cortam a cidade. Só para relembrar, o trem deve parar antes
de cada cancela, aí vem o guarda da Ferroban, com sinalizadores,
parando os automóveis, aí o trem apita, retoma o movimento,
e na cancela seguinte tem outro guarda da Ferroban... ou o mesmo,
que, de moto, corre desembestado pra cancela seguinte. Cruz credo
vixemaria. Na viagem que fiz em novembro último, o trem levou
praticamente meia hora para cortar Marília, já que fez
esse ritual de parar a composição antes de cada uma
das pelo menos 12 passagens de nível, esperar o guarda da Ferroban
(havia vários na estação), apitar e retomar o
movimento... a multa é salgada: segundo o chefe do trem, a
Ferroban teria de indenizar o Município em algo em torno de
50.000,00, para CADA cancela que o trem passasse sem o guarda alertar
o trânsito de veículos, primeiro. Só para relembrar:
nos tempos da Fepasa assim que havia sido criada e a gente ainda chamava
a Fepasa de Paulista, havia um guarda-cancelas nas passagens de nível
mais movimentadas, e era para isso que serviam aquelas guaritas de
madeira acinzentadas, com telhado de casinha." (João
Baptista Lago, 09/2001). "Nasci em Marília,
onde via o movimento na estação que não parava
nem um segundo sequer, e cheguei a conhecer o virador, já desativado,
e as oficinas das locomotivas a vapor, diesel e carros. Hoje, onde
estava o virador, é um centro cultural. O barracão das
oficinas de locomotivas a vapor e carros está bem cuidado e
ainda possui a caixa d'água, mas as oficinas das locomotivas
diesel viraram um estacionamento. Do enorme pátio da estação
só sobraram cinco linhas, mas a estação tem vigias
dia e noite e continua funcionando." (Kleber, Garça,
2001). "Lembro-me do galpão do lado oposto ao girador.
Quantas saudades! Eu vinha da Sampaio Vidal, virava à direita
pra cruzar a linha, e bem na esquina entre a Sampaio e esta rua havia
o depósito de carros. As Gildas ficavam todos os dias no depósito,
onde eram limpas e higienizadas. Ainda me vejo passando de bicicleta
e vendo as Gildas e sentindo, no ar, aquele cheirinho de pinho, do
desinfetante que era utilizado para a limpeza dos carros... À
noite, era um espetáculo, as manobras para o acréscimo
e engate, na composição que vinha de Panorama, dos carros
do noturno que iam para a Luz. Os marilienses odiavam, porque parava
todo o trânsito durante um tempão. Mas eu adorava! Carros
indo pra lá, carros vindo pra cá... durante mais de
uma hora, dava um congestionamento imenso no trânsito. O pessoal
chiava, reclamava... mas era lindo!!! Principalmente o momento final
do espetáculo: as duas G-12 urrando com tudo, na hora do ronco
inicial, urrando muito forte, pra puxar aqueles mais de 10 carros
Pullman STD" (João B. Lago, 2001). Em novembro
de 2001, a estação já estava desativada e abandonada,
saqueada, sobrando porém o relógio, que não conseguiram
arrancar da parede... Em julho de 2002, Rodrigo Viudes informou
que os dois portões do hall de entrada foram substituídos
por paredes e uma porta. "Era comum aos domingos ver as pessoas
se acotovelarem na fila do guichê de passagens para comprar o bilhete.
Do outro lado do balcão o funcionário perguntava:
vai de primeira ou de segunda classe ? A diferença estava nas acomodações.
Na primeira os assentos eram estofados na cor azul e o serviço de
atendimento durante a viagem era mais chique. Na segunda classe, assentos
em madeira mesmo, bancos duros onde os passageiros amargavam as terríveis
oito horas de Marília a São Paulo. Minha mãe era mascate, vendia roupas
que comprava na rua José Paulino e na 25 de março, e eu sempre viajava
de trem com ela. Não gostava muito não, o cheiro das sapatas fenólicas
me embrulhavam o estômago e o enjôo era certo durante toda a viagem.
Para completar, quando chegávamos em São Paulo a gente pegava o bonde,
que tinha janelas fechadas e o cheiro interno era terrível. São lembranças..."
(depoimento de antigo usuário dos trens da Paulista). Em outubro
de 2002, o prédio reabriu como centro de saúde. Em julho
de 2004, segundo Evandro Satoshi Ishi, o armazém tornou-se
uma loja de móveis e o antigo depósito de carros transformou-se
em um loteamento comercial. |
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Chegada do primeiro trem a Marília em 1928. Foto cedida
por Alberto Del Bianco |

Estação original de Marília, junho de 1929.
Foto cedida por Kleber, do acervo do Museu de Marília |

Plataforma da estação original de Marília,
1929. Foto cedida por Kleber, do acervo do Museu de Marília
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A estação atual, em de cartão-postal, anos
50. Foto cedida por Kleber, do acervo do Museu de Marília
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Marília, 1958. Foto cedida por Alberto del Bianco |

A estação, em 13/10/1993, ainda aberta e recebendo
passageiros. Foto Hermes Y. Hinuy |
A estação, em 09/10/1999, fechada. Foto Ralph
Mennucci Giesbrecht |
A plataforma já vazia, em 30/08/2001. Foto Hermes Y.
Hinuy |
Saguão da estação desativada, em 28/08/2001.
Foto Hermes Y. Hinuy |

A estação como centro de saúde em 10/2002.
Foto Ricardo Koracsony |
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| Atualização:
18.08.2008
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