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VXY Mogiana em MG
Indice de estações
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Volta Grande
Marcelino Ramos
Canavial
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Mapa da linha - 1940
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 2005
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Cie. Auxiliaire des Chemins de Fer au Brésil (1910-1920)
V. F. Rio Grande do Sul (1920-1975)
RFFSA (1975-1996)
MARCELINO RAMOS
Município de Marcelino Ramos, RS (veja a cidade)
Linha Marcelino Ramos-Santa Maria - km 0,918 (1960)   RS-0486
Altitude: 363 m   Inauguração: 30.08.1910
Uso atual: abandonada (2011)   com trilhos
Data de construção do prédio atual: c.1913
 
 
HISTORICO DA LINHA: A linha unindo Marcelino Ramos e Santa Maria foi idealizada em 1889 juntamente com todo o trecho entrte Itararé, SP, e Santa Maria, RS, pelo engenheiro Teixeira Soares, visando a ligação ferroviária do Rio de Janeiro e São Paulo com o sul do País e também a colonização de boa parte do percurso, locais ainda virgens. A parte correspondente ao Estado do Rio Grande do Sul acabou sendo construída separadamente do restante do trecho (que seria chamado de linha Itararé-Uruguai) e entregue em 1894 à Cie. Sud Ouest Brésilien, e em 1907 cedida à Cie. Auxiliaire au Brésil. Em 1920, passou para o Governo, formando-se a Viação Férrea do Rio Grande do Sul, que, em 1969, teve as operações absorvidas pela RFFSA. Com parte do trecho desativada em meados dos anos 1990, em 1996 a ALL recebeu a concessão da linha, bem como de todas as outras ainda existentes no Estado. Trens de passageiros circularam até os anos 1980 pela linha.
 
A ESTAÇÃO: A estação de Marcelino Ramos foi inaugurada em 1910. É a primeira estação em solo gaúcho. Chamava-se, pelo menos na época da construção, Barra, numa referência à barra do rio do Peixe, pois ficava em frente à sua foz no rio Uruguai. Marcelino Ramos teria sido um dos engenheiros responsáveis pela construção da linha da RVPSC que ali se encerrava. Ali se encerrava a linha Itararé-Uruguai da RVPSC e se inicava a linha da VFRGS. A inauguração da estação foi concomitante com uma ponte de madeira construída às pressas para que a estrada de ferro ficasse pronta dentro do prazo contratual. Em 1911, a ponte foi levada por uma enchente, quando já existiam os pilares de pedra da nova ponte. Esta ponte de ferro foi ali levantada e aberta em 1913, ponte que está ali até hoje. A estação fica logo após a ponte, no Rio Grande do Sul, com a linha saindo da ponte numa curva de 90 graus e chegando à estação. A cidade fica em um nível bem mais alto, e para se chegar a ela para quem desce na estação há uma escadaria. A formação da represa de Itá recentemente forçou a elevação da linha na ponte em 3 metros. Desde outubro de 2003, um trem turístico da ABPF, fazendo o trajeto Piratuba-Marcelino Ramos, trafega por ali. A estação está abandonada. Somente uma de suas pontas abre durante os dias em que o trem trafega, como feira de artesanato. Por fora, uma mão de pintura dá uma aparência melhor ao velho prédio, construção típica da VFRGS daquele trecho, mas os vidros do alto da porta estão quebrados e as salas, vazias. Salas que eram ocupadas, em sua metade esquerda, pela RVPSC e na metade direita pela VFRGS. Em 1969, quando acabou o trem São Paulo-Porto Alegre, a RVPSC foi convidada a entregar a sua parte. Estive em Marcelino Ramos em 1 de outubro de 2005. A ponte é impressionante. A paisagem é impressionante. Assim como Porto União e União da Vitória, Marcelino Ramos é um lugar mágico. E o velho sino da estação sumiu em 2006... "O sino de bronze de 40 quilos, que veio da Europa há 80 anos para a estação ferroviária de Marcelino Ramos, deve voltar nos próximos dias ao seu lugar. O instrumento, roubado em novembro do ano passado, foi recuperado na última quarta-feira, no município de Campinas do Sul, também na região Alto Uruguai. Depois de uma denúncia anônima, a polícia encontrou o sino com uma pessoa de um circo. Desde a implantação, há três anos, de uma Maria Fumaça entre Piratuba e Marcelino Ramos, o sino era acionado como um ritual histórico para anunciar a chegada e saída do trem. Rogério Marino Müller, voluntário da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, resgatou a peça" (Correio do Povo, Porto Alegre). Em 2011, a estação estava abandonada.

AO LADO: Divisão de receita e despesas da estação de Marcelino Ramos entre as ferrovias São Paulo-Rio Grande e Cie. Auxiliaire em 1916 (O Estado de S. Paulo, 12/2/1916).

ACIMA: A primeira estação provisória de Marcelino Ramos, um barraco de madeira com uma plataforma de madeira improvisada junto a ela (Acervo Lauro Thomé). ABAIXO: A estação em 1939. Notar uma série de mangueiras em altura provavelmente para alimentar as caldeiras das locomotivas a vapor. É um apetrecho que rarissimamente se vê nos pátios ferroviários brasileiros (Acervo Nilson Rodrigues).


Não há palavras e frases que sejam suficientes para descrever a beleza de Marcelino Ramos. A chegada do trem no Rio Grande do Sul, depois de atravessar a belíssima ponte sobre o rio Uruguai construída em 1913, o girador abandonado junto a ela que somente pode ser visto de quem sobe para a cidade...


... a cidade em si, com o velho hotel, onde de suas janelas mais altas pode-se ver o rio Uruguai e a ponte, as ruas ainda calçadas em pedra, a locomotiva manobrando para voltar a Santa Catarina, o gaúcho na plataforma da estação tomando chimarrão, a paisagem das matas de Santa Catarina rio abaixo, a locomotiva a vapor que lembra um passado glorioso...


... vista de cima com seus carros de madeira à beira do rio... não há palavras (Fotos Ralph Mennucci Giesbrecht em 1 de outubro de 2005).

ACIMA: Marcelino Ramos, sem data. Ao fundo, à esquerda, a ponte. Do outro lado do rio, Santa Catarina. Em primeiro plano, a linha acompanha a margem do rio, depois vai entrando para o interior do Estado do Rio Grande do Sul (Autor desconhecido). ABAIXO: A crise do abastecimento de trigo começava em Marcelino Ramos em 1958 (CLIQUE SOBRE A FOTOGRAFIA PARA VER A REPORTAGM TODA) (Folha da Manhã, 25/3/1958).


ACIMA: O girador de Marcelino Ramos, atualmente sem uso em 2015 (Foto Portal de Marcelino).
(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local; Nilson Rodrigues; Mario Celso Paixão Pereira; Nilson Thomé; Lauro Thomé; Portal de Marcelino; Folha da Manhã, 1958; O Estado de S. Paulo, 1916; Correio do Povo, Porto Alegre; Ariosto Borges Fortes: VFRGS, suas estações e paradas, 1962; RVPSC: Relatórios anuais, 1933-60; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
     

A estação em 1970. Foto cedida por Nilson Rodrigues.

A estação em 1996. Foto Mario Celso Paixão Pereira

A estação em 1996. Foto Mario Celso Paixão Pereira

A estação em 1996. Foto Mario Celso Paixão Pereira

A estação, em 10/2003. Ao fundo, a ponte histórica. Ao lado, o rio Uruguai. Do outro lado do rio, Santa Catarina. Foto Nilson Rodrigues em 10/2003

A ponte sobre o rio Uruguai, em 11/2003. Foto Nilson Rodrigues

Estação de Marcelino Ramos, em 1/10/2005. Foto Ralph M. Giesbrecht

A estação em 2010. Foto Nilson Thomé
 
     
Atualização: 03.04.2016
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.