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HISTÓRICO DA ESTAÇÃO: A estação
de Três Barras foi inaugurada em 1913 e era o ponto
de saída dos ramais da Lumber, a maior serraria da América
Latina na época, pertencente à Brazil Railways, que
administrava as linhas na época. O trecho em que está
hoje a estação esteve abandonado durante anos, mas
foi recuperado em 2004 pela ALL. O tráfego, nesse trecho,
Porto

ACIMA: uma das linhas que saía (à
direita) para a serraria Lumber. Havia quilômetros e quilômetros
de trilhos que se estendiam em diversos ramais dentro dos terrenos
da Lumber. Na foto, à esquerda, a estação de
Três Barras, e o trem ao lado da estação está sendo preparado
para sair, provavelmente para o porto; note que eles faziam uma
espécie de "telhado" com madeiras de segunda, sobre a carga. Toda
a área ao fundo era ocupada pelo depósito de tábuas, era uma área
aproximada, pela planta da Lumber, de 300 por 500 m. A locomotiva
à direita é a "fireless" da Lumber (Hannomag), atualmente em exposição
na área onde hoje é o exército, praticamente na mesma área onde
era a serraria da Lumber; esta ficava um pouco mais à direita (Acervo
Joeli Laba, foto de cerca de 1920). Abaixo, hoje: trens são
extremamente raros numa linha que já amargou o abandono total;
linhas de desvio se mantém, mas a da Lumber já foi
erradicada há muito tempo (Foto Nilson Rodrigues, junho de
2007).
União-Mafra, entretanto, continua escasso. "Quanto
à nossa estação, convivi muito com ela. De
1965 a 1976, meu tio Ioni residiu ali e eu sempre estava lá
brincando com meus primos. Mais tarde, de 1979 até 1982,
meu pai Jorge, que foi agente da estação, também
residiu na estação até se aposentar. Ainda
bem que ela foi transformada em museu, pois representa muito para
nós e seria uma tristeza se ela fosse demolida"
(José Francisco de Souza, Três Barras, SC, 05/2005).
"O Museu Municipal de Três Barras está instalado
no prédio da antiga estação de trem da cidade.
O último trem que passou por ali foi em 1997. Os trilhos
foram arrancados. Um capim escasso e amarelado cobre o caminho das
quatro linhas férreas. O prédio em madeira abriga
fotografias e objetos de décadas passadas, principalmente
dos tempos da Lumber & Colonization Company. O nome vem dos
três rios que a cercam: Negro, São João e Canoinhas.
Originalmente a cidade pertencia ao Paraná, mas o acordo
de limites com Santa Catarina fê-la ser incorporada a esta
último Estado. A história de Três Barras está
ligada ao término da construção da estrada
de ferro pela Brazil Railway, por volta de 1910, onde milhares de
trabalhadores foram abandonados e se apossaram de terras da região.
Para esta gente, a chegada da Lumber significou a

ACIMA: Fim da linha? Não, mas parece. Na verdade,
a linha principal segue à esquerda do barraco, originalmente
utilizado para se guardar autos de linha e vagonetes. A estação
está um pouco antes, à direita (Foto Ralph M. Giesbrecht,
junho de 2008).
expulsão: em troca da construção da
estrada de ferro a empresa ganhou o direito de explorar 15 quilômetros
de cada lado da ferrovia. Começaria a operar nos rincões
de Santa Catarina a maior serraria da América do Sul, que
exploraria a madeira da região por quase três décadas.
Três Barras, nessa época, tinha status de capital:
cinemas, banco, restaurantes típicos, fábricas de
cigarro e de gelo, hotéis, cassino e clubes. Tudo de e para
a Lumber" (Diário Catarinense, 27/07/2002).
"Ioni Cyriaco de Souza foi telegrafista e chefe de estação
em Mafra e Três Barras. Morou 21 anos nesta última
estação, privilégio para quem ajudava a construir
a história da ferrovia no sul do Brasil. Pelos trilhos foi
escoada toda a produção de madeira. Entre 1945 e 1950,
lembra, a Serraria Lumber tinha um trem especial para recolher vagões
distribuídos ao longo do trecho. Normalmente, a carga seguia
para o porto de São Francisco, e todo o movimento da cidade
era patrocinado pela Lumber. Os empregados recebiam vales, a
"moeda" da cidade. Quando o trem de passageiros chegava,
não havia lugar na estação, onde o povo também
se apertava para assistir tragédias. Certa vez, recorda Souza,
um manobreiro estava entre os vagões e na hora de fazer o
engate na curva o vagào veio por cima dele. "Quando
conseguimos avisar o maquinista que era para puxar para a frente,
o colega estava morto". Outro dia deixaram a chave virada ao
contrário. O trem que deveria seguir direto para a estação,
entrou numa linha onde havia vagões. A locomotiva a vapor
era alimentada por lenha, e o foguista vinha agarrado próximo
da fornalha, quando peças se deslocaram e o rapaz foi espremido.
Centenas de litros de água fervendo caíram sobre ele.
'Lembro até hoje do José, que morreu. Por uma semana
eu senti o cheiro de carne cozida'. Havia muito trabalho na estação
de Três Barras. Em média passavam oito, nove trens
de carga por dia, além dos de passageiros" (Diário
Catarinense, 27/07/2002).
(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local;
Fernando Picarelli; Nilson Rodrigues; Joeli Laba; José Francisco
de Souza; Diário Catarinenses, 2002; RVPSC: Relatórios
anuais, 1920-60; RVPSC: Horário de Trens de Passageiros e
Cargas, 1936; IBGE, 1960)
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