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Prolongamento da
E. F. Bahia ao São Francisco (1880-1896)
E. F. do São Francisco (1896-1911)
Cia. Chemins de Fer Federaux du L'Est Brésilien (1911-1935)
V. F. F. Leste Brasileiro (1935-1975)
RFFSA (1975-1996) |
ARAMARI
Município de Alagoinhas (1880-1961)
Aramari, BA (1961-) |
| Linha tronco - km 136,284 (1960) |
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BA-3057 |
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Inauguração: 18.11.1880 |
| Uso atual: pela Prefeitura |
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com trilhos |
| Data de construção do
prédio atual: n/d |
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| HISTORICO DA LINHA: A linha que
ligou efetivamente a estação de São Francisco,
em Alagoinhas, ao rio São Francisco, em Juazeiro, foi aberta
entre 1880 e 1896 pelo Governo brasileiro, que deu a concessão
a, segundo algumas fontes, Miguel Argolo. Em bitola métrica,
seus trens partiam da estação de São Francisco,
onde chegava uma linha em bitola larga (1m60), a E. F. Bahia ao São
Francisco. Em 1911, essa linha teve a bitola reduzida e as duas linhas
foram unidas sob a concessão dos franceses da Cia.
Chemins de Fer Federaux du L'Est Brésilien. Em 1935,
tudo virou parte da VFFLB, estatal, e a linha passou a se chamar Linha
Centro. Em 1957, foi uma das formadoras da RFFSA. Em 1975, deixou
de existir o nome VFFLB. Ainda circulavam trens de passageiros entre
Alagoinhas e Senhor do Bonfim até 1989. Em 1996, passou a ser
concessão da Ferrovia Centro-Atlântica. Tem tráfego
de cargueiros até hoje. |
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A ESTAÇÃO: A estação
de Aramari foi inaugurada em 1880. Em seu pátio ficam,
ou ficavam, as oficinas da Viação F. F. Leste Brasileiro.
Durante algum tempo, nos anos 1940, a estação foi renomeada
como Graciliano Freitas, mas voltou a ter seu nome original
pouco tempo depois (em 1948 tinha o nome alterado). Segundo alguns,
ali em seu pátio ainda existe (em 2010) um cemitério
de locomotivas e

ACIMA: Esplanada da estação original
de Aramari. Final dos anos 1870.
vagões que não são utilizados há
anos pela RFFSA ou suas concessionárias. Em 2004, quando a
RFFSA ainda existia (em liquidação, mas existia)...
"O cenário é desolador. Nos trilhos por onde antes escoava
o progresso do oeste baiano hoje a história é retratada sob o ângulo
do abandono. E não são apenas os galpões seculares da antiga oficina
modelo de Aramari, a 135 km de Salvador, que estão se esvaindo com
o vandalismo que vem arrancando um a um seus tijolos. Está na mesma
situação boa

ACIMA: A oficina de Aramari em 1900. Ao lado, a
represa construída pelos engenheiros da ferrovia (Foto: Argollo.
Reprodução: Lazaro Menezes). ABAIXO: No tempo em que
Aramari parecia um deserto, a estação antiga, em 1905,
demolida posteriormente para a construção de outra,
aparece ao fundo (Autor desconhecido).
parte
do patrimônio público, incluindo 70 locomotivas e 20 vagões que foram
destruídos e tiveram as peças roubadas, e centenas de trilhos de ferro
retirados do chão com pás e picaretas e vendidos a atravessadores.
A ousadia dos bandidos revolta os antigos cooperativa para assumir
o controle da linha, privatizada há oito anos e hoje sob o comando
da Ferrovia Centro Atlântica (FCA). As denúncias de descaso são muitas
e mostram que, para alguns, o

ACIMA: As oficinas de Aramari. A foto pode ser da primeira
década do século XX; a locomotiva ainda ostenta o logo
da E. F. do São Francisco (Autor desconhecido).
que é público não é de ninguém e por isso mesmo pode ser destruído
sem piedade. 'Os caminhões ficam na entrada da cidade para comprar
os trilhos roubados. As peças de bronze que nós só conseguíamos retirar
com maçarico, hoje são arrancadas na mão e vendidas pelo preço do
metal. A FCA também fica tirando peças de uma locomotiva para colocar
em outra e diz que está fazendo investimento', denuncia o ex-supervisor
de manutenção da ferrovia, Nilson José Gomes de Jesus, de 45 anos,
que trabalhou

ACIMA: A velha oficina em ruínas, em junho de
2008. ABAIXO: Dentro da oficina em ruínas, uma locomotiva diesel
da RFFSA número 2160 só tem parte de seu esqueleto em
meio ao mato (Fotos Roosevelt Reis)
funcionários da rede ferroviária, que tentam montar uma por 24 anos
no local. A FCA afirma que os vagões, locomotivas e galpões da oficina
de Aramari não foram incluídos nos ativos arrendados em 1996, durante
o processo de desestatização da RFFSA. Sem revelar a quantidade, a
RFFSA afirma que os equipamentos que a concessionária possui atualmente
foram arrendados no contrato. A FCA também não divulga o número de
vagões e locomotivas adquiridos, mas responde negativamente à denúncia
de que estaria utilizado peças das máquinas abandonadas para repor
as suas. A companhia alega que há até seis meses guardou algumas locomotivas
no pátio da oficina, 'o que deve ter gerado algum tipo de confusão'.
Por e-mail, a empresa respondeu que está com um plano de investimento
em aquisição e recuperação de locomotivas, melhorias tecnológicas,
meio ambiente e qualificação profissional, que totalizará R$2.159.324
este ano, só na Bahia. A empresa também confirmou que acaba de bater
um recorde de lucro na linha de Aramari chamado de TKU, e que relaciona
o volume de toneladas transportadas por quilômetro. A empresa não
divulgou o quanto lucrou com tal façanha (...) A RFFSA, que seria
a responsável pela proteção do patrimônio público que não foi
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privatizado, está passando
por um processo de execução e nenhuma decisão vai ser tomada
antes que isso aconteça. (...) A previsão é de que o fim dos
trâmites judiciais possibilite que a Caixa Econômica Federal
(CEF) coloque o patrimônio existente em venda direta para
organismos estatais ou através de concorrência pública. A
carcaça dos
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TRENS
- De acordo com os guias de horários, os trens de passageiros
pararam nesta estação de 1880 a 1989. Alguns horários
registrados: (1948) 10:01, 19:03 e 12:48 para Juazeiro; 17:48,
5:24 e 10:57 para São Francisco. |
vagões e das locomotivas, hoje sem o cobre e o bronze que compunham
suas peças, deve ser vendida através de leilão como sucata. Quanto
ao antigo clube dos funcionários da Rede Ferroviária, os quatro galpões
e toda a história de três gerações que sustentaram suas famílias através
da Rede Ferroviária devem ficar apenas na memória de cada um, pois
não existe nenhuma previsão de retomada das atividades da estação
ou da oficina da cidade. A RFFSA também informa que o IPHAN não pretende
tombar o local" (Paloma Jacobina, Correio da Bahia, 13/9/2004).
"Desde menina, dona Adalgisa tinha o costume de esperar, ansiosa,
em Aramari, no interior baiano, onde mora, pelo apito do trem. Filha
de ferroviário, depois de moça, como não podia
ser diferente, casou-se com um maquinista. Toda vez que o marido saía
de casa envergando o uniforme da VFFLB, ela já sabia que ficaria
acordada durante toda a madrugada, até presentir a aproximação
do trem pilotado por Carlos Máximo dos Santos, pai de seus
treze filhos. De pé, na porta de casa, lampião a querosene
aceso na mão, dona Adalgiza, a sogra e os filhos esperavam
o trem passar pela linha bem em frente à sua janela, e o marido,
então, acionar o inconfundível apito, motivo de festa
para a meninada. 'Eu levantava de madrugada e ficava esperando a hora
de Carlos passar. Até hoje ainda acordo à noite como
se fosse esperar o trem', depõe dona Adalgiza" (Correio
da Bahia, 27/6/2005). A estação está mal
conservada, mas abriga alguns setores da Prefeitura, como o de transporte
escolar, em 2008.
CLIQUE
AQUI PARA VISUALIZAR A ESTAÇÃO VISTA DO SATELITE
(Fontes: Roosevelt Reis; Fabio Teixeira, 2007; Daniel
Gentili; Correio da Bahia, 27/6/2005; Etelvina Rebouças
Fernandes: Do Mar da Bahia ao Rio do Sertão, Secretaria de
Cultura e Turismo de Salvador, 2005; Cyro Deocleciano R. Pessoa Jr:
Estradas de Ferro do Brazil, 1886; Guia Geral das Estradas de Ferro
do Brasil, 1960; Guias Levi, edições de 1932 a 1984;
Mapa: acervo R. M. Giesbrecht) |
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A estação de Aramari, em 20/06/2008. Foto Roosevelt
Reis |

A estação de Aramari, em 20/06/2008. Foto Roosevelt
Reis |

A estação de Aramari, em 20/06/2008. Ao fundo,
o armazém. Foto
Roosevelt Reis |
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| Atualização:
04.02.2012
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