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VXY Mogiana em MG
Indice de estações
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Bituruna
Rio Casca
Lindóia
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IBGE - 1970
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ESTIVE NO LOCAL: NÃO
ESTIVE NA ESTAÇÃO: NÃO
ÚLTIMA VEZ: S/D
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E. F. Leopoldina (1913-1975)
RFFSA (1975-1994)
RIO CASCA
Município de Rio Casca, MG
Linha de Caratinga - km 489,852 (1960)   MG-1545
Altitude: 332,300 m   Inauguração: 01.01.1913
Uso atual: centro - assistência social (2010)   sem trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d
 
 
HISTORICO DA LINHA: Este trecho da Leopoldina na verdade era uma junção de várias linhas isoladas originalmente, construídas em épocas diferentes. O trecho entre Entre Rios (Três Rios e Silveira Lobo foi aberto em 1903 e 1904; o seguinte, até a estação de Guarani, ficou pronto em 1883 e havia sido construído e operado pela Cia. União Mineira, até a entrega à Leopoldina, em 1884; o trecho entre esse ponto e Ligação ficou pronto em 1886, enduanto daí para a frente, até Ponte Nova, foi entregue entre os anos de 1879 e 1886. Entre 1912 e 1926, entregou-se a linha até Matipoó (Raul Soares) e finalmente, em 1931, a linha chegou a Caratinga, de onde não passou. Havia um trem de Barão de Mauá, no centro do Rio de Janeiro, para Caratinga, via Petrópolis, todos os dias, desde que a linha completa foi entregue, em 1931. Sem trens de passageiros desde os anos 80 (em 1980 ainda existiam trtens mistos fazendo o serviço de passageiros entre Ubá e Caratinga, vindo de Recreio, na antiga linha-tronco da EFL), a linha foi erradicada em 1994 nos trechos Três Rios-Ligação e Ponte Nova-Caratinga; o trecho intermediário consta até hoje como tendo "tráfego suspenso".
 
A ESTAÇÃO: A estação de Rio Casca foi aberta em 1913. Rio Casca teve seus dias de fama no final de 1947, quando um padre milagreiro e curandeiro prometia tudo a seus fiéis seguidores. A romaria para lá foi grande, de todosos cantos do país 9veja box, abaixo). De São Paulo, embora houvesse ligação por trem com baldeações, a reportagem que foi registrar os eventos (Folha da Manhã, 15/10/1947), preferiu tomar mesmo o avião. Cara para a época (Cr$ 2.200,00 por pessoa, ida e volta), a viagem São Paulo-Ubá de avião devia em si já ser uma aventura. A partir de Ubá, podia-se tomar outro avião, menor ainda, ou uma viagem por trem (um dia ou uma noite inteiros dali até Rio Casca), "penosíssima, no mais absoluto desconforto, promiscuidade e falta de higiene, o que, aliás, é inevitável, dada a fluência de romeiros". A reportagem tomou mesmo foi um teco-teco, uma "casca de avelã" por uma hora de voo, por 700 cruzeiros. Quem não tinha dinheiro, ainda segundo a Folha, "viaja barato, de trem, e chega a Meca mineira mais morto que vivo. Quem não for precavido e levar matula, jejuará compulsoriamente desde Ubá até a cidade dos milagres". Do teco-teco era possível se ver o trem da Leopoldina vindo de Ponte Nova que "avançava com lentidão incrível, apinhado de passageiros, com gente pelas plataformas e mesmo na cobertura dos carros". Já a estrada de automóveis era um lodaçal. Pelo

menos até 1980 ainda trafegavam por ali trens mistos, trazendo passageiros para a estação. "O prédio está de pé, relativamente conservado, e ocupado por uma academia de artes marciais. Todos os demais vestígios do antigo pátio da estação foram removidos. As áreas antes ocupadas pelos trilhos hoje estão calçadas e há uma pequena praça onde estacionam os ônibus que atendem aos escolares da zona rural. Da caixa d'água, que suponho existiu no pátio, nem sinal" (Gutierrez L. Coelho, 12/10/2004). Nota: ainda está pendurado na plataforma da estação o velho sino. "Meu pai, Dr. Ruy Lopes Teixeira, dono da serraria e fábrica de tacos em Bituruna até seu fechamento era neto do senador José Cupertino. Ele foi um dos principais articuladores para que a linha férrea atingisse Rio Casca" (Antonio Cupertino, 4/3/2010).





À ESQUERDA: Na época de fama do padre milagreiro Antonio Pinto, a Central teve de distribuir informações em São Paulo sobre como ir de trem a essa cidade, tomando a Central e depois mudando para a Leopoldina. Ela indicava como caminhoa mais fácil tomar suas linhas, baldeando em Barra do Piraí, Conselheiro Lafaiette, São Julião (hoje Miguel Burnier), Ponte Nova e finalmente Rio Casca, sendo somente este último trecho pela Leopoldina (Folha da Manhã, 7/10/1947).

ACIMA: A estação de Rio Casca recebe o primeiro trem em 1912 (antes da inauguração oficial, se a data da foto está correta) (Acervo ARCA, cessão Michel Carelli). ABAIXO: A estação e seu pátio ferroviário, provavelmente anos 1950 (Acervo Gilson Costa).


ACIMA: Mapa dos anos 1950 mostra a linha passando pelo município de Rio Casca (mapa parcial) (IBGE: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, vol. VII, 1960). ABAIXO: Corte no morro na saída para Ponte Nova - a linha passava aqui (Foto Pedro Leal Dutra, 21/12/2011).
(Fontes: Gutierrez L. Coelho; Gilson Costa; Jair Barreiros; Antonio Cupertino; Amadeu Miguel Gomes; Folha da Manhã, 1947; IBGE: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, vol. VII, 1960; Edmundo Siqueira: Resumo Histórico da Leopoldina Railway, 1938; IBGE, 1970; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; Guias Levi, 1932-80)
     

A estação de Rio Casca ainda com seus trilhos. Provavelmente anos 1970. Acervo B. Praça Arte e Fotos

A estação desativada, em 2001. Autor desconhecido

Detalhe da porta da estação em 12/10/2004. Foto Gutierrez L. Coelho

A estação em 12/10/2004. Foto Gutierrez L. Coelho

Plataforma da estação em 21/12/2006. Foto Amadeu Miguel Gomes

Plataforma da estação em 21/12/2006. Notar o velho sino. Foto Amadeu Miguel Gomes

A estação em 21/12/2006. Foto Amadeu Miguel Gomes

A estação em 5/3/2010. Foto Jair Barreiros

A estação em 7/9/2015. Foto Gutierrez L. Coelho
     
Atualização: 11.10.2015
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.