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Q R S T U
VXY Mogiana em MG
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Rocha
Gato Preto
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EFPP-Nilson Rodrigues
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 2012
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E. F. Perus-Pirapora (1914-1983)
GATO PRETO
Município de Cajamar, SP
E. F. Perus Pirapora - km   SP-1966
Altitude: -   Inauguração: 1914
Uso atual: demolida (2013)   com trilhos
Data de construção do prédio atual: 1914
 
 
HISTORICO DA LINHA: A E. F. Perus-Pirapora iniciou as operações em 1914 para transportar cal do bairro do Gato Preto para a estação de Perus, na São Paulo Railway, com bitola de 60 cm. Ela deveria também transportar os romeiros para Pirapora do Bom Jesus, mas os trilhos nunca chegaram até lá. O trecho inicial sofreu várias modificações, com a construção de dois ramais, um curto, para Entroncamento e outro, mais longo, para Cajamar, este para o transporte de calcáreo. Sempre usando trens mistos, o transporte de passageiros funcionou de 1914 a 1972, quando foi desativado. Em 1951, a ferrovia foi comprada pela família Abdalla, que a operou até 1974, quando a União ficou com a estrada. Em 1981, os Abdalla recuperaram a ferrovia e a fecharam definitivamente em janeiro de 1983. A ferrovia foi tombada pelo Condephaat em 1984 e está abandonada, junto com todo o seu material rodante, até hoje, 2010.
 
A ESTAÇÃO: A vila, usina de cal e estação do Gato Preto fica na margem oeste da via Anhanguera, no seu km 36. Na verdade, Gato Preto foi o motivo da constituição da E. F. Perus-Pirapora. A ferrovia começou a operar em 1914 para transportar a cal produzida ali para a estação de Perus, na SPR. Ali também funcionavam as oficinas da ferrovia, além de ser um enorme complexo por causa da usina e da vila que à sua volta se formou. Apenas 4 anos depois, em 1918, as atas da Câmara Municipal de Santana de Parnaíba, município ao qual a vila pertencia então,

ACIMA: Fornos de cal do Gato Preto, anos 1930 - tudo isso foi demolido, nos anos 1990 não mais existia já havia muito tempo. A causa foi a instalação da fábrica de cimento em Perus nessa época. Ao fundo à esquerda a casinha que servia como estação e que foi demolida em 1913 (Autor desconhecido).
acusam um pedido para uma escola e de para a estação, prova de que a sua população não era pequena: "Solicita autorização para mudar a localização da escola masculina do bairro do Taboão (nota: atual Jordanésia, em Cajamar) para outro ponto dentro do mesmo bairro, onde reside o maior número de alunos que a freqüentam. Este ponto será no estabelecimento industrial do Gato Preto, propriedade da Companhia Industrial de Estrada de Ferro Perus a Pirapora que se acha cerca de 2 quilômetros a quem ao lugar onde se acha presentemente localizada a escola. Dos 24 alunos apenas 8 não residem no Gato Preto sendo os restantes ali moradores e onde há cerca de 30 alunos matriculáveis podendo ainda alguns meninos do vizinho bairro do Juquery-Mirim freqüentar a escola. Não se dando a transferência solicitada sucederá a diminuição da freqüência da escola suspensão do funcionamento e necessidade de criação de outra escola no referido estabelecimento" (Livro de Atas da Câmara Municipal de Santana de Parnaíba, 2/3/1918). Em 29/12/1918, outro pedido

ACIMA: No centro da fotografia, ao fundo, a estação do Gato Preto. Em primeiro plano, parte do pátio ferroviário e o depósito do forno de cal, hoje abandonado (Foto Koyusha SL - Kemuri Pro - Acervo Nilson Rodrigues). ABAIXO: O pátio do Gato Preto, com as oficinas, o forno de cal (ambos à esquerda) e a estação (no centro) em maio de 2010 (CLIQUE NA FOTO PARA VER OS DETALHES) (Google Maps, entrada em 23/5/2010).
"solicita a criação de uma escola rural masculina para o bairro do Coruruquara, distante 10 km da sede e onde há grande numero de meninos analfabetos conforme a estatística junta". E mais um pedido, logo depois, em 30/10/1919: "Petição de Beneduccio Bernine & Cia., exploradores do estabelecimento industrial de Gato Preto, acompanhado de um abaixo-assinado de diversos pais de família do lugar solicitando uma escola rural feminina no núcleo. É grande o número de meninas existentes na circunscrição conforme estatística que vai apensa, que se acham a 15 km da escola feminina mais próxima". Nos anos 1940 e 1950, havia mais de um clube no pequeno bairro. O movimento crescia devido à calcinação no local. Mais tarde, existiu ali próximo também uma fábrica de celulose, hoje fechada. A passagem da via Anhanguera,
(VEJA AQUI O APOGEU E FIM DA ESTAÇÃO DO GATO PRETO)
nos anos 1940, cortou a vila em duas e obrigou à mudança de algumas operações da usina. A usina perdeu em importância e acabou fechando, aparentemente nos anos 1970, mas a vila continuou a existir, embora decadente. Hoje, no que eram as oficinas concentra-se locomotivas, carros e vagões totalmente abandonados, alguns irrecuperáveis. O prédio que, segundo relatos, funcionava como estação e como armazém (segundo Nilson Rodrigues, as passagens eram vendidas no escritório das oficinas), está ali, de pé, na entrada da vila, servindo como moradia; em volta, trilhos, que, quando não estão cobertos por terra ou pela própria estrada de acesso, aparecem retorcidos, como num cenário fantasmagórico. Verdadeiro em 2002, os trilhos foram arrancados no início de 2005. (Para saber mais sobre o Gato Preto, clique aqui). No final de 2013, todo o bairro foi demolido, à esquerda da Anhanguera, sentido interior. Sobraram apenas a base do pontilhão que já havia sido retirado em 1940, para a construção da via Anhanguera, e uma pequena parte do forno e chamuné da caieira. O resto, estação, casas, etc, foi para o chão.
(Fontes: Ralph M. Giesbrecht; Nilson Rodrigues; Nelson Camargo; Rodrigo Cabredo; Câmara Municipal de Santana de Parnaíba: Livro de Atas, 2/3/1918; Mapas - acervo Nilson Rodrigues)
     

A estação, sem data. Foto cedida por Nilson Rodrigues
Ao lado, croquis do complexo total, por Nilson Rodrigues.

Acima, a estação de Gato Preto, em 1998. Foto Ralph M. Giesbrecht.
     
     
Atualização: 08.02.2015
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.