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VXY Mogiana em MG
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Porto Ferrão
Novo Horizonte
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Ramal de Rib. Bonito-1950
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 2000
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C. E. F. do Dourado (1939-1949)
Cia. Paulista de Estradas de Ferro (1949-1966)
NOVO HORIZONTE
Município de Novo Horizonte, SP
Tronco da E.F.Dourado - km 182,5
Ramal de Ribeirão Bonito- km 212,477
  SP-0185
    Inauguração: 12.03.1939
Uso atual: depósito da Prefeitura   sem trilhos
Data de construção do prédio atual: 1939?
 
 
HISTORICO DA LINHA: Em maio de 1894, foi entregue o ramal de Ribeirão Bonito pela Cia. Paulista, saindo da estação de São Carlos, no tronco, e com ponto terminal em Ribeirão Bonito, em bitola métrica. Em 1900, a Cia. E. F. do Dourado (Douradense) abriu uma linha que unia Ribeirão Bonito a Dourado, com bitola de 60 cm. Em 1910, o tronco da Douradense atingiu Ibitinga e sofreu modificações, aumentando-se a bitola para métrica e alterando a ligação Ribeirão Bonito-Trabiju, colocando a estação de Dourado como ponta de um curto ramal. Somente em 1939 a Douradense prolongou a linha, chegando até Novo Horizonte. Em 1949, a Paulista adquiriu a Douradense, adicionando a sua linha-tronco ao ramal de Ribeirão Bonito, que agora ligaria São Carlos a Novo Horizonte diretamente. Em 1966, a linha entre Ibitinga e Novo Horizonte foi suprimida, e em 3 de janeiro de 1969, todo o ramal de Ribeirão Bonito foi desativado. Os trilhos foram retirados pouco tempo depois.
 
A ESTAÇÃO: Enquanto na Europa às vésperas da eclosão da 2a Guerra Mundial a Alemanha de Hitler invadia a Checoeslováquia, a estação de Novo Horizonte estava sendo aberta no dia 12 de março - dois dias antes da invasão em 1939 - pela Douradense, como estação terminal da sua linha-tronco. Era um prédio que continha tanto a estação de passageiros quanto o armazém de mercadorias, de piso de concreto e teto de zinco .Apenas três meses antes (24/12/1938), havia sido entregue o assentamento dos trilhos entre Borborema e Novo Horizonte (relatório da Cia. Dourado, 1938). De Novo Horizonte, a linha deveria ser prolongada até José Bonifácio, fato que jamais veio a ocorrer. Na inauguração de linha e estações por uma companhia privada como era a E. F. do Dourado, políticos discursavam triunfalmente, como o Governador Adhemar de Barros fez nas plataformas da nova estação. A cidade contabilizava os lucros que auferiria a partir de agora, como boca de sertão de mais uma ferrovia paulista. Esa estação não durou mais do que apenas 27 anos: em 1949, passou a integrar a Cia. Paulista, nova proprietária da linha, passando a fazer parte do ramal de Ribeirão Bonito e foi desativada em 1966, com o fim do trecho entre Ibitinga e Novo Horizonte. "Sou de Novo Horizonte, mas resido há mais de vinte anos em São Paulo. Fiz uma viagem de máquina a vapor de Novo Horizonte a Ibitinga na companhia de meu pai nos anos 1960. Em várias ocasiões, escrevi artigos no pequeno jornal da cidade implorando pelo tombamento de alguns lugares antigos de lá, entre eles essa tão singela estação. Eu a vi

ACIMA: A manchete da Folha da Manhã (atual Folha de S. Paulo) do dia 15 de março de 1939 mostra a inauguração festiva da estação de Novo Horizonte que aconteceu três dias antes. Infelismente, a qualidade das fotos é péssima devido à reprodução. As cenas foram tomadas na estação da cidade e a da ponte de concreto armado, na linha também inaugurada nesse dia entre Ibitinga e Novo Horizonte (Folha da Manhã).
funcionando, com seu grande relógio e seus funcionários de farda e boné. Lembro-me do guichê de passagens, dos bancos onde nos sentávamos para esperar o trem. Como morava perto da linha, lembro-me de diversos episódios interessantes, entre eles, o de um menino que eu conheci já moço, que quando bebê fora abandonado por sua mãe na linha do trem. Nós, crianças, quando queríamos saber se o trem estava vindo, púnhamos o ouvido no trilho e escutávamos chiados e pequenos estalidos. Logo após, constatávamos felizes a nossa escuta. Agradeço-lhe por esse seu site. Causou-me vivas emoções, sobretudo quando revi os degraus da escada da estação de Ibitinga, por onde subi com meu pai em uma inesquecível viagem de trem
" (Claudemir Belintane,5/1/2010). Em 1977 todo o pátio ferroviário foi posto à venda pela FEPASA, herdeira dos bens do ramal (O Estado de S. Paulo, 12/1/1977, Edital de Concorrencia FEPASA nro. SAA.BI.22/76) . Quem comprou e se comprou não se sabe, mas o fato é que pelo menos o prédio da estação está lá até hoje. A estação foi abandonada e invadida, tendo servido de moradia até alguns anos atrás, sendo então incorporada pela Prefeitura, que a transformou em almoxarifado e depósito. Era um prédio que basicamente era um armazém; uma pequena ala servia como estação de embarque e desembarque de passageiros, na ponta esquerda da plataforma, de quem olhava dos trilhos. O estado do prédio em 2000 era lamentável; todas as paredes internas haviam sido eliminadas e a cobertura estava em péssimas condições. O que aconteceu depois disso, não sei - o prédio, no entanto, continua lá.
(Fonte: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local; Claudemir Belintane; Folha da Manhã, 1939; O Estado de S. Paulo, 1977; Edital de Concorrencia FEPASA nro. SAA.BI.22/76; C. E. F. Dourado: relatórios anuais; Cia. Paulista: relatórios anuais, 1949-69; Mapas - acervo R. M. Giesbrecht)
     

Antiga estação de Novo Horizonte, em 21/10/2000. Foto Ralph M. Giesbrecht

Antiga estação de Novo Horizonte, em 21/10/2000. Foto Ralph M. Giesbrecht
 
     
     
Atualização: 06.04.2013
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.