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A ESTAÇÃO: A estação da Penha
foi inaugurada com o ramal da Penha, em 1886. Este ramal
saía de um ponto a 7,7 km da estação do Norte
(Roosevelt), exatamente no local onde, em 1894, portanto
oito anos mais tarde, seria construída a estação
de Guaiaúna - mais tarde renomeada como Carlos
de Campos - e acompanhava as atuais ruas Irapucara e
General Sócrates, terminando na esquina desta rua
com a rua Coronel Rodovalho, onde ficava situada a estação,
hoje já demolida.
É sabido com base em documentação da época
que, a cerca de 300 metros à frente da saída do ramal,
existia uma paradinha, cujo nome teria sido Parada Amândio,
ou Parada Armando, que era um barraco de madeira que, com
a abertura do ramal, foi removida de onde estava e
recolocada no final do ramal da Penha, dando origem à
estação da Penha. Esta parada, porém,
era chamada de Penha, mesmo, pelo guia de horários
de 1887 que mostrava os trens São Paulo-Cachoeira.
Seria essa a Parada Amândio ou o trem entraria pelo
ramal e sairia, voltando à linha?
Aberto o tráfego com 6 trens de subúrbio entre as
estações do Norte e da Penha em agosto
de 1886, em dezembro foi interrompido o tráfego -
a ponte sobre o córrego que ele cruzava logo após
sair da linha da, na época, E. F. do Norte, caiu. Supõe-se
que, com o alargamento de bitola do ramal de São Paulo,
que foi terminado em 1908, o ramal da Penha também
tenha tido sua bitola alargada, pois não há indicação
nos horários posteriores a 1908 de baldeação
em Guaiaúna. Mas também não encontrei
nada que comprovasse ou desmentisse este fato. Logo reconstruída,
seguiram os trens rodando até outubro de 1915.
Alguns afirmam também que após o seu final continuavam
a existir trens especiais nos dias de romaria para a igreja da Penha,
próxima à estação. Note que no mapa
ao pé desta página a atual rua Guaiaúna se
chamava rua Lins de Vasconcelos, e a rua General Sócrates,
rua da Estação. A curva do ramal é hoje
a rua Irapucara.
Também a estação Agente Cícero,
aberta em 1951 e fechada nos anos 1970 e e que ficava na variante
de Poá, era chamada de estação Penha
da Variante pelos usuários, mas nada tinha a ver com
a estação do ramalzinho. Parece que a designação
era para diferenciar uma da outra, visto que elas parecem ter coexistido
por algum tempo.
Depois de desativado para passageiros, parte do ramal teria sido
utilizado até os anos 1950, para transporte e lavagem de
vagões de gado.

ACIMA: O ramal da Penha estava autorizado
para ser construído em março de 1886 (A Provincia
de S. Paulo, 21/3/1886).
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AO LADO: O ramal já funcionava
em maio de 1888 (A Provincia de S. Paulo, 3/5/1888).
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AO LADO: Notícia do fim do
ramal da Penha em outubro de 1915 (A Provincia de S. Paulo,
12/10/1915).
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(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local;
Paulo Mendes; Wanderley Duck; Robson Souza; A Provincia de S. Paulo,
1886 e 1888; Guia Levi, 1908-09 e 1925) |