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Great Western do
Brasil (1907-1950)
Rede Ferroviária do Nordeste (1950-1975)
RFFSA (1975-1997)
CFN (1997-2010) |
velha
nova
CAMPINA GRANDE
Município de Campina Grande, PB |
| Ramal de Campina Grande - km 224 (1960) |
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PB-3173 |
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Inauguração: 02.10.1907 |
| Uso atual: estação da CFN e museu |
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com trilhos |
| Data de construção do
prédio atual: 1907 (velho); 1961 (novo) |
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| HISTORICO DA LINHA: O ramal de
Campina Grande teve seu primeiro trecho entregue em 2 de outubro de
1907, entre a estação de Itabaiana, na linha da Great
Western que ligava Recife a Natal, e a cidade paraibana de Campina
Grande. Do outro lado do Estado da Paraíba, entre 1923 e 1926,
a Rede de Viação Cearense alcançava a cidade
de Souza, partindo de sua linha-tronco que ligava Fortaleza a Crato,
no Ceará, a partir da estação de Arrojado. De
Souza, a RVC avançou até Pombal (1932) e depois a Patos
(1944). O trecho de 164 km entre Patos e Campina Grande somente seria
entregue ao tráfego em 1958, e era justamente esta a linha
que ligava o Nordete Ocidental ao Oriental, ou seja, o Ceará
ao resto do Brasil. Hoje este ramal é um dos mais movimentados,
em termos de cargueiros, do Nordeste, ligando Recife a Fortaleza e
dali a São Luiz do Maranhão. O tráfego de passageiros
no ramal foi desativado nos anos 1980. |
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A ESTAÇÃO: A estação
original de Campina Grande foi inaugurada em 1907 pela Great
Western, como ponta de linha do ramal de Campina Grande. "O
ano era 1907. Um sentimento de euforia e surpresa tomava conta dos
moradores de Campina Grande com a notícia de que chegaria à Estação
Ferroviária Great Western - hoje conhecida popularmente como Estação
Velha - do primeiro trem que atenderia à população da Rainha da Borborema.
O trecho da linha saía de Itabaiana com destino a Campina Grande,
passando pelo distrito de Galante. A chegada oficial do trem na Estação
de Campina Grande é datada de 2 de outubro de 1907, mas estudiosos
como Epaminondas Câmara - autor do livro Datas Campinenses - registrou
que em 7 de setembro daquele ano a máquina começou a trafegar, ou
seja, há 99 anos. Em quase um

ACIMA: O famoso trem Asa Branca - famoso, mas de curta
duração. Fazia o percurso entre Recife e Fortaleza,
passando por Campina Grande. Rodou somente durante alguns anos na
década de 1970 (Acervo Antonio Emerson Pombo de Farias).
século de história, especialistas confirmam a importância
deste segmento para o desenvolvimento urbano e econômico campinense
e criticam a falta de conservação em alguns trechos do Sertão paraibano,
por onde a linha férrea passava, que hoje estão jogados ao descaso.
O meio de transporte hoje é utilizado apenas para carregamento de
mercadorias. "Onde o trem chegava havia uma movimentação econômica
muito grande sem contar nas mudanças comportamentais e culturais que
a chegada da novidade promovia no cotidiano da população ", explica
o professor Gervácio Batista Aranha, do departamento de História da
Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). O professor estuda
o fenômeno do sistema ferroviário no Nordeste; inclusive a tese de
que defendeu no doutorado pela Universidade de Campinas (Unicamp)
teve como tema "Trem, Modernidade e Imaginação na Paraíba e Região".
Até a década de 1940, a estação foi ponto de destaque no desenvolvimento
econômico e cultural campinense. O transporte de produtos - como o
algodão - para outros portos do Brasil e Europa levava e trazia novidades
e riquezas, influenciando na vida das pessoas. Como todo importante
ato histórico, a chegada do primeiro trem à estação de Campina Grande
foi marcada por uma grande presença popular com a participação de
autoridades que estruturavam o cenário político da época. Documentos
da época mostram que uma banda de música animava o momento e fogos
de artifícios convidavam a população
| Campina Grande tem
ainda duas estações: a velha e a nova, uma ao
lado da outra. "A estação velha de Campina Grande possui
volumetria retangular arrematada por coberta aparente em telha
canal em duas águas, com cumeeira central disposta no sentido
longitudinal do edifício. Destaque-se que com esta tipologia,
ela é a única estação paraibana que possui andar com cobertura
aparente em telha canal em duas águas, com cumeeira perpendicular.
O prolongamento da coberta suspensa por colunas garante o abrigo
dos passageiros na plataforma de embarque e desembarque. A estação
possui 216 m² de área coberta" (Jônatas Rodrigues,
02/2009). Foi desativada em 1961, substituída pela
nova, aberta nesse mesmo dia, mas não foi demolida. Ambas
convivem. |
local a participar da festa.
Uma comitiva da empresa Great Western chegou por volta do
meio-dia da quarta-feira, dia 2 de outubro de 1907. Na recepção
o prefeito Cristiano Lauritzen acompanhado do major Lino Gomes,
major Juvino do Ó, Alferes Manuel Paulino de Morais, professor
Clementino Procópio, monsenhor Sales, Tito Sodré, Benedito
Rodrigues, dr. Afonso Campos, dr. José Pinto, Manuel Lins
de Albuquerque e os irmãos Cazuza, Miguel e Francisco Barreto
engrossavam a lista de
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personalidades presentes ao momento histórico.
O orador da solenidade era o médico e empresário Assis Chateaubriand
Bandeira de Melo. Às seis horas da tarde - depois de um atraso de
quatro horas - os presentes no local avistaram de longe a máquina
- enfeitada com folhas de palmeiras e duas bandeiras do Brasil - e
o apito anunciava a tão esperada chegada do trem à Rainha da Borborema.
O professor Gervácio Batista Aranha explica que na época da inauguração,
Campina Grande possuía apenas cerca de seis mil habitantes, sendo
que quase quatro mil pessoas compareceram ao evento. "Era a realização
de um sonho alimentado por mais de duas décadas pela população e autoridades
locais", frisa. Mas foi necessário um pouco de pressão política para
que o sonho se tornasse realidade. Documentos que tratam do assunto
mostram que o prefeito da cidade na época, Cristiano Lauritzen, foi
duas vezes ao Rio de Janeiro para conseguir recursos e apoio federal
para construção de uma linha

ACIMA: (esquerda) Saguão da estação
de Campina Grande-nova. (direita) Acesso principal à estação.
ABAIXO: (esquerda) Armazém ainda em uso. (direita) Armazém
abandonado (provavelmente de 1907) (Fotos Jonatas Rodrigues em 12/2009).
(CLIQUE SOBRE AS IMAGENS PARA VÊ-LAS EM TAMANHO MAIOR)
férrea para Campina Grande. "Havia muito jogo político nesse sistema,
o que deixou muitas cidades prejudicadas", destaca o professor. O
funcionamento do sistema ferroviário no Brasil está ligado diretamente
às mudanças de costumes e comportamentos na vida da população campinense,
assim como aconteceu com as demais cidades do País que eram atendidas
pelo sistema de ferrovias. A conexão com outros pólos econômicos e
sociais possibilitou aos campinenses o contato com culturas de outras
partes do País, influenciando no modo de viver da sociedade. No transporte
de passageiros, o trem mais famoso na cidade foi o Asa Branca que
fazia a linha entre Recife (PE) e Fortaleza (CE), passando por João
Pessoa e Campina Grande (*nota do autor do site:
o "Asa Branca" não passava por João Pessoa,
e somente passou a correr depois de 1958, quando se ligou por ferrovia
os Estados da Paraíba e do Ceará). Era sagrado.
Todos os dias havia um trem saindo de Pernambuco e outro do Ceará.
O som do trem servia de base de horário para muitas pessoas. "Muitas
famílias modelavam seu dia a partir do horário de chegada do trem.
Se o trem chegava na estação às 9 horas, as tarefas eram divididas
em depois e antes da chegada do trem, explica Gervácio. Sob a alegação
de inviabilidades econômicas o governo federal começou a desativar
diversos trechos pelo País. Hoje, a imagem mais presente no cotidiano
dos campinenses sobre o sistema ferroviário é o funcionamento do trem
do forró, durante os festejos do Maior São João do Mundo. O passeio
sai da Estação Velha com destino ao distrito de Galante. Na estação
também funciona o Museu do Algodão" (Jornal da Paraíba,
03/09/2006). Somente em 1958, a já Rede Ferroviária
do Nordeste terminou e entregou a ligação ferroviária
entre esta estação e a de Patos, no ramal
da Paraíba da RVC, e a RFFSA, já controlando as
duas linhas, incorporou não só o trecho Patos-Campina
Grande como também o trecho Souza-Patos à
rede da RFN. "A estação nova de Campina Grande foi inaugurada
no dia 14 de Fevereiro de 1961 pela RFN, em um lugar mais amplo para
as máquinas poderem fazer suas manobras, no intuito de expandir os
serviços ferroviários em Campina Grande. Sua construção remonta ao
ano de 1957, quatro anos antes, em virtude da comemoração do cinqüentenário
de chegada do trem a Campina Grande. Ela passou recentemente por uma
reforma, a cargo da atual concessionária, a CFN. A edificação apresenta
característica do estilo Modernista, e suas linhas arquitetônicas
lembram o Lyceu Paraibano, da Capital do Estado. Sua fachada é ornamentada
por um painel decorativo, da autoria de Paulo Neves do ano de 1960.
O nº do seu patrimônio inscrito na antiga RFFSA é 1240148. A estação
foi tombada pelo IPHAEP em 2001. Possivelmente, o imóvel abrigará
no futuro o Museu da CFN. Encontra-se em frente à sua plataforma
uma placa alusiva ao Cinqüentenário da chegada do 1º Trem de Ferro
a Campina Grande como 'marco da valorização econômica do interior
Paraibano" (Jônatas Rodrigues, 02/2009).
(Fontes: Jônatas Rodrigues, 2009; Antonio
Emerson Pombo de Farias; Cesar Sacco; Carlos Alberto Martins
da Matta, 2005; Jornal da Paraíba, 03/09/2006; Wikipedia; Guia Geral
das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht) |
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A inauguração da estação velha em
1907. Autor desconhecido. Cessão Jonatas Rodrigues |

A estação velha de Campina Grande, sem data. Cessão
Cesar Sacco |
A estação velha de Campina Grande com a locomotiva
a vapor à frente, exposta, nos anos 1990. Autor desconhecido |

A estação nova nos anos 1990. Autor desconhecido,
acervo Jônatas Rodrigues |

A estação nova de Campina Grande em 2005, ao fundo.
Foto Carlos Alberto Martins da Matta |

A estação velha em 2007. Foto extraída
do site da wikipedia |

Estação de Campina Grande-nova em 12/2009. Foto
Jonatas Rodrigues |
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| Atualização:
06.09.2010
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