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VXY Mogiana em MG
Índice de estações
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Pocinhos
Puxinanã
Campina Grande
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Ramal de C. Grande-1958
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ESTIVE NO LOCAL: NÃO
ESTIVE NA ESTAÇÃO: NÃO
ÚLTIMA VEZ: S/D
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Rede Ferroviária do Nordeste (1958-1975)
RFFSA (1975-1997)
PUXINANÃ
Municípios de Campina Grande (1958-1961);
Puxinanã (1961-2009), PB
Ramal de Campina Grande - km 241 (1960)   PB-3544
  Inauguração: 1958
Uso atual: demolida   com trilhos
Data de construção do prédio atual: 1951 (já demolida)
 
HISTORICO DA LINHA: O ramal de Campina Grande teve seu primeiro trecho entregue em 2 de outubro de 1907, entre a estação de Itabaiana, na linha da Great Western que ligava Recife a Natal, e a cidade paraibana de Campina Grande. Do outro lado do Estado da Paraíba, entre 1923 e 1926, a Rede de Viação Cearense alcançava a cidade de Souza, partindo de sua linha-tronco que ligava Fortaleza a Crato, no Ceará, a partir da estação de Arrojado. De Souza, a RVC avançou até Pombal (1932) e depois a Patos (1944). O trecho de 164 km entre Patos e Campina Grande somente seria entregue ao tráfego em 1958, e era justamente esta a linha que ligava o Nordete Ocidental ao Oriental, ou seja, o Ceará ao resto do Brasil. Hoje este ramal é um dos mais movimentados, em termos de cargueiros, do Nordeste, ligando Recife a Fortaleza e dali a São Luiz do Maranhão. O tráfego de passageiros no ramal foi desativado nos anos 1980.
 
A ESTAÇÃO: A estação de Puxinanã foi inaugurada oficialmente em 1958 pela RFN, na ligação ferroviária Patos-Campina Grande, mas a construção da estação foi terminada alguns anos antes. Porém, sete anos antes... a estação ferroviária de Puxinanã foi inaugurada em 4 de Abril de 1951, pela RFN. A estação de Puxinanã se chamava Floripes Coutinho, em homenagem ao importante chefe político da região de Pocinhos e Puxinanã falecido na década de 1930. De acordo com a matéria da revista Manaíra, de Campina Grande, de junho de 1951, “dezenas de automóveis não conduziriam no dia 4 de Abril do corrente ano a quantidade de homens e mulheres que três lastros trouxeram à Puxinanã nesse dia para assistirem a inauguração do trecho da Rêde Ferroviária do Nordeste. A festividade foi imponente dentro daquele ambiente de alegria e simplicidade em que os Drs. Pedro e Camilo Collier se apresentavam risonhos e cheios de satisfação pela conquista de mais um povoado ligado à rainha da Borborema através do prolongamento da estrada de ferro Campina Grande-Patos. Ali muitas famílias poderão construir as suas casas residenciais e terem tranzações diárias com Campina Grande tamanha a facilidade de transporte adquirida com a realização excepicional da Empreza Construtora Camilo Collier Ltda. A inauguração, naquele dia, na área jurídica de Puxinanã, do trecho da estrada de ferro que liga Campina Grande ao Estado do Ceará foi presenciada por autoridades federais e estaduais. Destacamos entre as pessoas presentes o sociólogo Lopes de Andrade representante do Exmo. Sr.. Governador José Américo de Almeida, prefeito Elpídio de Almeida, major Antonio Rodembusch vice-prefeito de Campina Grande, major Brigadeiro Alvaro Recker, Cel. Braulio Domingos, Cte. Militar da Rede 7ª, Cap. R. H.. Dobson, representante do Cte. Da 7ª Região Militar, Eng. Vicente de Brito Pereira, diretor do DNEF, Eng. Cornélio Júnior, chefe do D. Fiscal, Eng. Lauriston Pessoa Monteiro, chefe da DC-3, Eng. Gercino Pontes, diretor da RFN, Sr. João Justino Leite, Inspetor de Tráfego de RFN, srs. Aquilino Porto e Caminha França respectivamente, chefes de Tráfego e Linhas, drs. Cláudio Albuquerque do DNEF, Hortencio Ribeiro e outras pessoas de destaque”. É interessante notar que, apesar da festa de 1951, somente em 1958 a linha até Patos foi aberta com um trem regular: basta se verificar os guias ferroviários entre 1951 e 1958. Existiriam trens esporádicos para servir as cidades por onde a linha já estava operante? Não consegui esta resposta. Por muito tempo a estação serviu de parada para passageiros no ramal de Campina Grande. Também servia de transporte para mercadorias provenientes da região. O prédio apresentava uma volumetria retangular com platibandas, a plataforma de embarque e desembarque era de concreto armado, possibilitando a total desobstrução do espaço destinado aos passageiros, o imóvel apresentava traços que lembravam o Art D'ecó; o armazém e as duas casas da velha estação seguiam o mesmo estilo arquitetônico da estação. A estação era semelhante estruturalmente com as estações de Pocinhos, Soledade e Juazeirinho. A estação de Puxinanã foi desativada na década de 1980 pela RFFSA. Infelizmente o prédio foi demolido alguns anos atrás restando apenas a plataforma de embarque no local. "A estação se chamava Floripes Coutinho (só a estação, pois a cidade se chama Puxinanã mesmo), nome de um importante político da região de Pocinhos e Puxinanã, falecido na décade de 1930. Na época do prolongamento da linha de Campina Grande na região (1949), mais de 2.000 tiros de dinamite foram dados para abrir passagem, isso por causa do terreno pedregoso e elevado do município de Puxinanã: diversos cortes em rochas foram feitos. Desta forma hoje Puxinanã é conhecido como a "A cidade dos lagedos", devido à grande quantidade de grandes rochas na região que se estende até Pocinhos. O município de Puxinanã foi emancipado em 1961" (Jonatas Rodrigues, 2006). Apesar da afirmação de Rodrigues que o nome da estação era diferente do da cidade, em nenhum guia ferroviário da época este nome aparecia: era Puxinanã mesmo. Desta forma o município é conhecido como “A cidade dos lajedos”. Em 1958 a RFN terminou e entregou a ligação ferroviária entre Patos e Campina Grande. Esta linha possibilitou a ligação entre as principais capitais nordestinas, e conseqüentemente, a ligação entre o Nordeste com o Sudeste e Sul do Brasil. A estação foi desativada nos anos oitenta depois da desativação do tráfego de passageiros. Tempos depois todo o complexo ferroviário foi demolido: estação, armazém e vila. Infelizmente não houve a preocupação de preservação de um marco tão importante para a cidade de Puxinanã.
(Fontes: Jonatas Rodrigues, 2006-9; Manaíra, Campina Grande, 1951; Guias Levi, 1932-1980; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
     

Inauguração da estação em 1951 (ver texto acima). Foto extraída da revista Manaíra de Junho/1951. Cessão Jonatas Rodrigues

Estação de Puxinanã tal como seria na época de sua abertura em 1958. Desenho Jonatas Rodrigues

Restos da plataforma e da estação em 10/2009. Foto Jonatas Rodrigues

Restos da plataforma e da estação em 10/2009. Foto Jonatas Rodrigues
   
     
Atualização: 01.11.2009
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.