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VXY Mogiana em MG
Estações da linha
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Eng. P. Magalhães
Prados
C. D'Água da Esperança
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ESTIVE NO LOCAL: NÃO
ESTIVE NA ESTAÇÃO: NÃO
ÚLTIMA VEZ: N/D
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E. F. Oeste de Minas (1881-1931)
Rede Mineira de Viação (1931-1965)
V. F. Centro-Oeste (1965-1975)
RFFSA (1975-1984)
PRADOS
Município de Prados, MG
Linha do Paraopeba - km 67,800 (1960)   MG-1183
Altitude: 888 m   Inauguração: 28.08.1881
Uso atual: abandonada e em ruínas (2011)   sem trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d
 
 
HISTORICO DA LINHA: A Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM) foi aberta em 1880, ligando com bitola de 0,76 cm as estações de Sitio (Antonio Carlos) e Barroso. Mais tarde foi prolongada até São João Del Rey (1881), atingindo Aureliano Mourão em 1887, onde havia uma bifurcação, com uma linha chegando a Lavras em 1888 e a principal seguindo para o norte atingindo finalmente Barra do Paraopeba em 1894. Dela saíam diversos e pequenos ramais. A linha foi extinta em pedaços, tendo sido o primeiro em 1960 (Pompeu-Barra) e o último, em 1984 (Antonio Carlos-Aureliano), com exceção do trecho S.J. Del Rey-Tiradentes que e conserva em atividade até hoje. Também se conserva o trecho Aureliano-Divinópolis, ampliado para bitola métrica em 1960, ligando hoje Lavras a Belo Horizonte.
 
A ESTAÇÃO: A estação de Prados foi inaugurada em 1881.

"Na década de 1970 eu e um amigo viajamos de São João Del Rei a Barroso, passando por Prados, Num percurso de uns 40 km. Este passeio ficou marcado pois tratava-se de uma viagem normal, não turística, com passageiros comuns carregando compras. Na época tive o privilégio de viajar em uma Maria-fumaça de verdade, que deve ter sido uma das últimas no Brasil neste contexto. O mais incrível é que na volta para São João Del Rei, eu e meu amigo descemos na estação de Prados, muito bonita e bucólica, com a intenção de conhecer a cidade, e qual não foi nossa surpresa de que quando o trem partiu só restaram eu e meu amigo na estação, totalmente isolada no meio de um pasto cortado apenas por uma estradinha de terra que cruzava os trilhos do trem próxima à estação.

Olhamos para todos os lados e não vimos nenhuma cidade. Apenas a placa característica de estações escrito "PRADOS". Avistamos uma pessoa a uns 300 m da estação e lhe perguntamos sobre a cidade, quando descobrimos que ela ficava a uns 3 ou 4 km dali, e que nesse dia não haveria mais trem nem ônibus para São João Del Rei, e que a estação estava distante da cidade por reivindicação dos moradores. Fomos até a cidade a pé para compensar a viagem, e encontramos uma cidade maravilhosa, encravada nos morros de Minas, cheio de riquezas minerais, ouro, pedras, entradas de minas, e num final de semana em que estava acontecendo um grande e famoso festival de música clássica. O som de tubas, fagotes, clarinetes, violinos entre outros instrumentos, ecoavam de todos os lugares, entre os morros, de todas as antigas igrejas e dos antigos casarões que alojavam os músicos vindos de vários locais do Brasil.

Era uma reconstituição perfeita, com cheiro de óleo queimado dos trilhos, das fagulhas da locomotiva a vapor, dos freios do trem, a imagem dos passageiros comuns, vestidos com roupas humildes pois o trem ainda era um transporte barato e acessível. A imagem da pequena estação, a condição de só poder chegar a um destino caminhando a pé. A imagem das casas, casarões e igrejas do século passado, os sons irregulares dos instrumentos sendo afinados para tocar Carlos Gomes, Ari Barroso entre outros
" (Marcos Cavaliere, 11/2004).

Com a erradicação da linha, em dezembro de 1984, a estação foi fechada. Em 2003 estava abandonada, tendo sido saqueada, com todas as portas e janelas arrancadas. O piso de tábuas havia sido arrancado e o forro de madeira do teto estava desabando com a unidade. O telhado desabou no segundo semestre desse ano.

Em 2004, Prados continuava sendo destruída aos poucos. Havia um ano, o telhado estava caído, mas estavam lá os portais, uma das porta do armazém e o chão de tábua corrida. Agora, levaram quase todos os portais, desmancharam o fogão de lenha e agora estão levando as telhas (Informações de Bruno Nascimento Campos em 06/2004).

ACIMA: A estação de Prados nos bons tempos (anos 1970?) (Acervo Thiago Lopes de Resende).


ACIMA: A estação de Prados está jogada à própria sorte em agosto de 2007. Uma pena. Não é parte da história da cidade que se vai, é praticamente toda ela. A beleza simples desta estação é o retrato de uma época que não pode ser simplesmente atirada ao lixo (Fotos Eduardo Lanna).


(Fontes: Bruno Carvalho Leal; Alberto del Bianco; Hugo Caramuru; Bruno Nascimento Campos; Thiago Lopes de Resende; Marcos Cavaliere; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960)
     

A estação em 1881. Acervo Familia Almeida Franco

Acima e à direita, Prados nos bons tempos, c. 1980. Foto acervo Hugo Caramuru, cedida por Bruno Campos

A estação de Prados em 1981. Foto Alberto del Bianco

A estação de Prados, em junho de 2003, pouco antes de o telhado desabar. Foto Bruno Nascimento Campos.

A estação de Prados, em junho de 2003, pouco antes de o telhado desabar. Foto Bruno Nascimento Campos.

A estação de Prados, em junho de 2003, pouco antes de o telhado desabar. Foto Bruno Nascimento Campos.

A estação de Prados, em junho de 2003, pouco antes de o telhado desabar. Foto Bruno Nascimento Campos

A estação, já com o teto desabado, em junho de 2004. Foto Bruno Campos
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A estação de Prados em 2011. Foto Bruno Carvalho Leal/Panoramio
   
     
Atualização: 18.08.2018
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.