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Q R S T U
VXY Mogiana em MG
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Charqueada
São Pedro
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seção Ituana - 1935

IGGSP-1928
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 2007
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Cia. União Sorocabana e Ytuana (1892-1907)
Sorocabana Railway (1907-1919)
E. F. Sorocabana (1919-1966)
SÃO PEDRO
Município de São Pedro, SP
Ramal de Piracicaba - km 295,538   SP-2869
    Inauguração: 01.07.1893
Uso atual: demolida   sem trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d (já demolido)
 
 
HISTORICO DA LINHA: O ramal de Piracicaba foi construído pela Cia. Ituana a partir de 1873, partindo da estação de Itaici, na linha, também da Ituana, entre Jundiaí e Itu. Em 1892, houve a fusão com a Sorocabana, formando a Cia. União Sorocabana e Ytuana (CUSY). Em 1893 o ramal chegou a São Pedro, ponto terminal, 58 km à frente de Piracicaba, onde havia chegado em 1877. A Ituana foi definitivamente incorporada pela Sorocabana em 1907, com a compra da CUSY pelo grupo americano de Percival Farquar. O ramal - algumas vezes chamado também de ramal de São Pedro - teve o trecho final, entre Piracicaba e São Pedro, suprimido em 1966 e seus trilhos foram retirados em 1969. O tráfego de passageiros entre Itaici e Piracicaba acabou em 1976, enquanto trens de carga continuaram trafegando cada vez menos até meados dos anos 80. Por volta de 1990, os trilhos, já abandonados, foram retirados pela agora FEPASA.
 
A ESTAÇÃO: Embora a estação de Charqueada tenha sido inaugurada em 1888, somente cinco anos depois a Ituana conseguiu chegar a São Pedro, com uma construção do trecho final do ramal feita com extrema morosidade. No ano anterior (1892), a Ituana já havia sido incorporada à Sorocabana, com o nome de Cia. União Sorocabana e Ituana. Desativada em 1966, a estação não resistiu muito: foi demolida, e, em seu lugar, existe hoje uma escola que, pelo aspecto do prédio, já deve estar lá há pelo menos uns 15 anos. À frente, do outro lado da rua, ficava o armazém, substituído hoje por um moderno supermercado. Não há nem vestígios do que um dia foi o único meio de transporte confortável para se chegar a São Pedro. "Já se vão 40 anos que não passa mais trem lá e é até perigoso perguntar alguma coisa do tipo "Onde ficava a estação?" ou 'Aqui passava trem onde?', que te olham com mais espanto do que para um ET. Há um banco de jardim que ainda está mais ou menos conservado, dentro do parque do Grande Hotel São Pedro. A inscrição é: 'Águas Sulfídricas e Termaes de São Pedro - Linha Sorocabana - Estado de São Paulo'. No Guia Levi de maio de 1941 tinha um anúncio bem na página dos horários da linha Jundiaí-São Pedro dizendo: "Quem vai a São Pedro não deve saltar em Jundiahy, mas sim prosseguir a viagem pela Cia. Paulista até Rio

Claro, onde o trem chega à 11:47, em correspondência com o omnibus que sai de Rio Claro as 12 horas e chega em São Pedro (Thermas) ás 12:50, em viagem directa,

"Quem chega (a São Pedro) pela E. F. Sorocabana, que ali tem uma pequena, mas graciosa e comoda estação, defronta com uma praça abandonada, coberta de capim, uma igrejinha no meio, um quiosque de pau-a-pique em ruínas parecendo um galinheiro velho e um coreto para musica, ripado de madeira roliça, em completo abandono. Da estação até a cidade segue-se uma rua longa e poeirenta, que os habitantes irrigam pachorrentamente com canecas na ponta de uma vara e com água de uma poça reprezada na sargeta" (J. B. de Souza Amaral, Folha da Manhã, 22/4/1941),
sem interrupção. As passagens, por conseguinte, devem ser compradas para Rio Claro e não para São Pedro". De fato, pelo horário do guia, indo pela Sorocabana, o trem da CP saía de SP ás 8h30, chegava em Jundiaí às 9h33. Tinha que se fazer a baldeação. O trem da Sorocabana saia somente às 10h18, ficava 10 min em Itaici e chegava às 14h29 em Piracicaba, ficava lá 15 minutos (saia às 15h44) e chegava em São Pedro às 18h00! 2h15 min para ir de Piracicaba até São Pedro, o que se faz hoje em 25 min de carro. Resta saber se o responsável pelo anúncio era a CP ou a empresa de termas de São Pedro, cujos donos já tinham uma certa crítica com a EFS... poderiam perder clientes pelo simples fato da viagem ser cansativa" (Paulo Filomeno, 08/2005). "São Pedro em 1935 era uma cidade morta. Sua Câmara Municipal arrecadava Rs 95.082$000 por ano. O melhor prédio, alugado, rendia duzentos mil réis mensais. O melhor hotel era uma casa onde mal se poderia habitar por algumas horas e dispunha de meia dúzia de quartos para albergar alguém de má sorte, que uma chuva mais pesada retivera na cidade. Molhados, seus caminhos eram intransitáveis. São Pedro, que a Sorocabana ligava a Piracicaba num percurso incômodo e fastidioso de 60 km em quase três horas de viagem, dormia tranquila na pacatez e humildade de seu casario quase despovoado. Cidade sem trato, pobre de comércio, de rendas e de administração. Mal servida de luz, de água potável, de esgotos, era o retrato desses núcleos que a civilização de há um século petrificou. Terras esgotadas, lavoura decadente, incapacidade de se reerguer com recursos próprios. Esta descrição de São Pedro foi feita por meu pai, Octavio Moura Andrade, em texto inédito de seu arquivo, retrata bem a distância e o isolamento em que se encontrava São Pedro quando aqui veio ter, pela primeira vez, em 1934, de trem. O que mais nos espanta é saber hoje, tempo do jato, do helicóptero, das rodovias, que o único meio de acesso a São Pedro nos anos 1930 e início da década de 1940 era por trem. A viagem de São Pedro a Piracicaba, hoje feita em menos de meia hora, demorava quase três horas numa locomotiva a vapor que resfolegava para puxar um trem quase sem carga ou passageiros. Como as janelas dos vagões eram precárias, era comum o uso de "guarda-pó", longas capas de brim por sobre as roupas para protegê-las das fagulhas e fuligem lançadas pela locomotiva. Para que se tenha uma idéia da precariedade dessa ferrovia em 1941, lembro que a máquina de lavar garrafas comprada por meu Pai e instalada no então

ACIMA: A imprensa em 1945 publicava anúncios sobre Águas de São Pedro, que é um município encravado (é o menor município brasileiro em área) no de São Pedro. Neles, sugeria que a melhor condução para lá era via trens da Cia. Paulista, que percorria trechos eletrificados entre São Paulo e a região. Nem falavam da linha da Sorocabana, com maus serviços e curvas demais, mas que ligava as duas cidades diretamente. Havia, no entanto, necessidade de troca de locomotivas da CP em Nova Odessa, se o trem fosse até Piracicaba - este ramal não era eletrificado, embora tivesse a mesma bitola que o tronco da Paulista. Em Piracicaba, uma "jardineira" havia de seguir para São Pedro, pois a Paulista não iria usar a linha de sua concorrente... e ainda havia a possibilidade de uma linha aérea direta da Capital para São Pedro, por incrível que pareça, naqueles tempos(Folha da Manhã, 1/12/1945).
"engarrafamento", atual Shopping Center de Águas de São Pedro, pesando 14 t, hoje carga de qualquer caminhão trucado, foi entregue pela Cia. Paulista em Piracicaba e o trem da Sorocabana não tinha capacidade de tracionar esse peso até São Pedro: foi preciso organizar um comboio puxado por trator de esteiras, que levou oito dias para vir de Piracicaba até Águas de São Pedro. Entretanto foi essa ferrovia que trouxe o progresso a São Pedro, ao transportar tijolos vindos de Jundiaí para construir os primeiros fornos da olaria formada por meu pai para a construção do "Grande Hotel São Pedro", e depois dos demais hotéis e prédios em Águas de São Pedro. Outros itens, como cimento, cal, ferro, algumas máquinas mais leves e principalmente inúmeros trabalhadores vindos de outras cidade para as obras de Águas de São Pedro e, depois, parte da brigada - garçons, cozinheiros, arrumadores, etc. - contratada para inaugurar e operar o "Grande Hotel", também vieram nesses trens. Continuou servindo ao progresso de São Pedro e de Águas de São Pedro, trazendo laranjas de Limeira para serem transformadas na "Laranjada São Pedro" e depois levando esse e outros produtos para os centros de consumo como Piracicaba, Campinas, São Paulo, etc. Para completar, reproduzo aqui uma estatística organizada em 1.946 por ordem do Dr. Octavio Moura Andrade, que mostra o movimento financeiro de carga embarcada na Estação de São Pedro, entre 1933 e 1945: ESTRADA DE FERRO SOROCABANA - Faturamento da Estação de São Pedro: 1933 - Rs 50.200$; 1934 - Rs 54.234$; 1935 - Rs 54.920$; 1936 - Rs 73.822$; 1937 - Rs 92.533$; 1938 - Cr$ 106.608,60; 1939 - Cr$ 121.745,60; 1940 - Cr$ 180.690; 1941 - Cr$ 374.046,60; 1942 - Cr$ 313.450,90; 1943 - Cr$ 418.564,40; 1944 - Cr$ 776.467,30; 1945 - Cr$ 689.507,30. Assim, nota-se o crescimento do movimento da Estação de São Pedro a partir de 1936, ano em que se iniciaram os primeiros estudos e obras para a construção de Águas de São Pedro, e os grandes aumentos nos anos de 1940, em que foi fundada a essa Estância com a inauguração do "Grande Hotel São Pedro" no dia 25 de julho, e 1941 com o início do funcionamento do "engarrafamento" que produziu além da "Laranjada São Pedro", a "Brasicola", o "Guaraná São Pedro", água tônica e soda limonada, e engarrafou, depois de gaseificadas, as águas minerais "Almeida Salles" e "Gioconda". O ramal de São Pedro foi desativado no final dos anos 1960, quando São Pedro e Águas de São Pedro já eram servidas por rodovia asfaltada
" (Antonio F. de Moura Andrade, 2007).
(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local; Antonio F. de Moura Andrade; Wanderley Duck; Rafael Correa; Folha da Manhã, 1941 e 1945; IGGSP, 1928; Cia. Ytuana, relatórios, 1872-92; E. F. Sorocabana, relatórios, 1892-1969; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
     

A estação de São Pedro, foto sem data. Cedida por Wanderley Duck

O armazém da estação, provavelmente no final dos anos 1960 e já desativado. Acervo Rafael Correa
     
     
Atualização: 16.08.2012
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.