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| Cia.
Mogiana de Estradas de Ferro (1911-1961) |
TATUCA
Município
de Luiz Antonio, SP |
| Ramal de
Jataí - km 39,740 (1938) |
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SP-2909 |
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Inauguração: 13.06.1911 |
| Uso atual: demolida |
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sem
trilhos |
| Data de construção do
prédio atual: 1911
(já demolido)
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| HISTORICO
DA LINHA: O ramal de Jataí foi construído entre 1910 e 1913, como
uma variante da linha-tronco da Mogiana, entre as estações de São
Simão e de Ribeirão Preto, pelo seu lado oeste, como uma linha de
defesa de zona contra a Cia. Paulista. Durante a sua construção, em
1911, as duas empresas chegaram a um acordo e o ramal acabou servindo
agora para transbordo de mercadorias e passageiros, através de um
novo ramal, de Monteiros a Guatapará, construído em 1914. Em 1961,
o trecho entre São Simão e Monteiros foi desativado, e o ramal de
Monteiros foi unido ao trecho até Ribeirão Preto formando o ramal
de Guatapará. Em 1976, foi fechado definitivamente e os trilhos retirados
dentro de Ribeirão no mesmo ano, e o restante até 1979. |
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| A ESTAÇÃO:
A estação de Tatuca foi inaugurada em 1911, juntamente com
Gironda e Capão da Cruz. Esta estação
era utilizada pela Mogiana principalmente para carregar lenha. Era
uma vila ferroviária grande, pois era ponto de cruzamento de estradas.
Ficava na Fazenda Tatuca, propriedade do Coronel Tatuca
(Antonio Fernandes Nogueira), que morava na sede. Segundo os
ferroviários antigos, na vila, à noite, tudo devia ser trancado, pois,
em volta, havia muitas onças-pintadas, que invadiam as casas e a estação.
Tatuca foi suprimida pela Mogiana no ano de 1954 (*RM-1954),
bem antes do fechamanto do ramal, em 1961. "Durante toda a minha
primeira infância, dos dois aos sete anos, meu pai trabalhou como
chefe de estação de trem. Nesse período, moramos em duas estações
da Estrada Mogiana. Primeiro em uma que se chamava Anil, em Minas.
Depois a gente mudou para outro lugar chamado Tatuca, já bem perto
de Ribeirão Preto, em São Paulo. O lugar chamava Tatuca por causa
do fazendeiro de mesmo nome, que tinha a maior fazenda da região.
Criança ainda, ouvia histórias que davam conta de que esse fazendeiro,
o Coronel Tatuca, açoitava um bandido famoso a época, um tal Dioguinho
(Diogo da Rocha Figueira). Quem me contava essas histórias eram o
meu pai, as pessoas que freqüentavam a estação, e o maquinista, o
"Seu" Domingos. A única casa que tinha naquele lugar, além da nossa,
era a dele, do "Seu" Domingos. Meu pai, além de chefe da estação,
era telegrafista. Nessa época, 1945, talvez 1946, o lugar já enfrentava
certa decadência, o ciclo do café já tinha passado, não era mais a
estação importante que fora muitos anos antes. Era então estação de
pouco movimento, só passavam um trem de manhã e um outro trem à noite.
Às vezes passava algum trem de carga, que raramente transportava carga,
só passava. Havia também um armazém imenso, que, diziam, no apogeu
da cultura do café, vivia abarrotado de café até o teto. As histórias
que ouvia sobre esse tal Dioguinho o comparavam a Lampião. Era bandido,
mas justiceiro. Matava as pessoas a mando do Coronel Tatuca, mas,
contavam, sempre era pra vingar alguma coisa. Comentavam, também,
que era pessoa culta, também filho de fazendeiros, mas teria acontecido
alguma desgraça com a família dele, e passou a fazer a justiça com
as próprias mãos. Vivemos dois anos mais ou menos em Tatuca. A estação
era a nossa casa, a gente morava na própria estação. De Tatuca, lembro
dos japoneses que começavam a ocupar a região, das fazendas, dos japoneses
que iam para a estação tomar o trem, que eles não falavam português,
e sim uma língua muito confusa. Então, não sei como, uma moça lá,
japonesa, ficou sabendo que minha mãe costurava, que fazia vestido
de noiva que queriam que minha mãe costurasse. Minha mãe não falava
uma palavra em japonês, e elas, uma palavra em português. Mas, milagrosamente,
conseguiram explicar que o que queriam era aquele vestido da tal revista,
aí trouxeram o pano e tal. O meu divertimento era o trem. Tinha dois
trens de passageiros. Um que vinha de Ribeirão de manhã. E, à noite,
chegava o que voltava. O meu grande divertimento era ver o trem passar.
O trem parava na estação mesmo que não houvesse passageiro para subir
ou para descer. Tinha de parar, era obrigatório. Lembro-me de outro
personagem de minha infância. Era um maquinista, que morava meio afastado,
o "Seu" Domingos, um negro muito interessante. Não lembro muito do
rosto dele, mas sei que era um grande contador de "causos". Então
depois que o trem passava, acho que era 8 horas da noite, ou seja,
o serviço tinha acabado, trem só amanhã, a gente ficava sentada na
plataforma da estação, meu pai, minha mãe, "Seu" Domingos e, às vezes,
a mulher do boiadeiro, porque o boiadeiro viajava muito também e a
mulher do boiadeiro ficava muito sozinha. Aí "Seu "Domingos ficava
contando histórias, tanto da região, quanto de outros lugares. Gostava
muito das histórias de bicho que contava, principalmente de onças,
na região tinha muita onça àquela época. Não lembro das histórias,
lembro apenas das sensações que aquelas histórias me causavam, e eram
sensações muito boas, de alegria" (Do livro Walderez de
Barros - Voz e silêncios, IMESP, 2004, de Rogério Menezes). |
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Estação de Tatuca, c. 1915. Foto do álbum
da Mogiana |

Estação de Tatuca, anos 1940. Foto Aristides Silva,
acervo Vanderley Zago |
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| Atualização:
14.07.2006
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