| HISTORICO DA LINHA: O
ramal teve origem na Cia. Ramal Férreo do Rio Pardo, empresa particular
aberta em 1884 entre Casa Branca e São José do Rio Pardo, e adquirida
em junho de 1888 pela Cia. Mogiana, que a transformou no ramal de
Mococa, prolongando os seus trilhos em 1890 para atingir Canoas, estação
11 km à frente de Mococa e terminal do ramal. A partir de 1903, da
estação de Ribeiro do Vale passou a sair o ramal de Guaxupé, que seguia
até essa cidade. Em 31/12/1960, o trecho final do ramal entre Mococa
e Canoas foi extinto, e em 7/11/1966, o trecho entre Ribeiro do Vale
e Mococa também o foi. O que sobrou do ramal, de Casa Branca até 1977,
quando a queda de uma ponte entre S. J. Rio Pardo e Ribeiro do Valle
interditaram definitivamente a linha. Em 1986 o trecho entre Casa
Branca e S. J. Rio Pardo foi reativado por um curtíssimo espaço
de tempo. Por volta de 1992 os trilhos foram retirados. |
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A ESTAÇÃO: A estação teria sido
inaugurada em 1890, nas margens do rio Canoas, na divisa
com o Estado de Minas Gerais. A estação foi aberta
ao tráfego, entretanto, somente em 15/04/1891 (relatórios
da Mogiana de 1890 e 1891; O Estado de S. Paulo, 1/11/1891).
Uma das fazendas ali existentes era a de Conceição
(também chamada de Antonina), de acordo com notícia
de 1898 (O Estado de S. Paulo, 6/11/1898).
De Canoas, na divisa com Minas Gerais, deveria continuar
o ramal até Cajuru, mas o plano foi abandonado. Em
1900, o deputado mineiro Julio Tavares anunciou a construção
de um ramal dali para Montebello (região de Muzambinho),
em Minas Gerais - que nunca foi construído.
O relatório referente a 1913 da Mogiana cita também
o projeto do chamado ramal da Boiada, partindo de Canoas,
com 29,7 quilômetros e terminando no ribeirão da Boiada.
Projeto abandonado.
Em 18/10/1917, foi autorizado pelo governo federal o prolongamento
do ramal até a cidade de Monte Santo, em Minas, onde,
aliás, a Mogiana já tinha uma estação,
no ramal de Passos. Este projeto também foi abandonado.
Mais tarde, a Mogiana chegou a Cajuru partindo de Santos
Dumont, passando por Santa Rosa de Viterbo (1912).
A estação de Canoas permaneceu como ponta do
ramal até 31/1/1960, quando foi desativada (*RM-1961 e OESP,
1/1/1961) juntamente com o trecho final do ramal. Em 28/2/61,
o mesmo jornal anunciava o desmonte da linha.
Hoje está adaptada para estábulo, na fazenda Angico,
ficando a cerca de duzentos metros a leste da estrada Mococa-Canoas.
Na verdade, o único detalhe que lembra a estação é o frontão, típico
das estações da Mogiana. O bairro ainda hoje é uma área
sem ruas asfaltadas, um bairro de sítios e chácaras
com baixíssima concentração de habitantes.
O bairro se limita com Minas Gerais, no município de Arceburgo.
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AO LADO: Em 1913,
abriram uma linha de veículos automotores (algum tipo
de jardineira?) ligando Mococa a Canoas - era a concorrência
ao trem entre as duas localidades (O Estao de S. Paulo, 18/4/1913).
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TRENS
- Os trens de passageiros pararam nesta estação
de 1890 a 1966. Na foto à esquerda, o trem do ramal está
deixando a estação de Mococa em 1961. Clique sobre
a foto para ver mais detalhes sobre esses trens. Veja aqui horários
em 1948 (Guias Levi). |

ACIMA: Armazém da antiga ferrovia
ou de particulares no extremo do que um dia foi o pátio de
Canoas. Está do outro lado da rodovia municipal de terra (que
liga Mococa à divisa com Minas passando por Canoas) em relação
à antiga estação e seu pátio - que não
era pequeno. ABAIXO: Ponte sobre o rio Canoas e que liga o
estado de São Paulo (do lado de cá) a Minas Gerais no
município de Arceburgo. As duas placas de ferro oxidado, uma
em cada lado da ponte, assinalam a divisa no meio do rio, mas nada
dá para se ler nelas hoje em dia. A ponte está a cerca
de 2 km da estação ferroviária (Fotos Ralph M.
Giesbrecht em 26/8/2011).


ACIMA: O trecho final da linha
do ramal de Mococa aparece na parte baixa do mapa de 1939 - CLIQUE
SOBRE ELE PARA VER UMA AREA MAIOR (Arquivo Publico Mineiro).
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ACIMA:
Fim do ramal (OESP, 31/12/1960). AO LADO: Críticas
à agência dos Correios em Canoas em 1904 (OESP,
29/3/1904).
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(Fontes:
Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local; Hermes Y. Hinuy; Adriano Martins;
O Estado de S. Paulo, 1891, 1898, 19/10/1917, 1960 e 1961; Cia. Mogiana:
relatórios anuais, 1875-1969; IBGE, 1960; Mapa - acervo R.
M. Giesbrecht) |