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VXY Mogiana em MG
Indice de estações
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Coronel Felício Lima
Benfica
Dias Tavares
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Saída para o ramal de Lima Duarte: Igrejinha
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ESTIVE NO LOCAL: NÃO
ESTIVE NA ESTAÇÃO: NÃO
ÚLTIMA VEZ: N/D
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Linha do Centro - 1931
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E. F. Dom Pedro II (1887-1889)
E. F. Central do Brasil (1889-1975)
RFFSA (1975-1996)
BENFICA
Município de Juiz de Fora, MG
Linha do Centro - km 288,626 (1928)   MG-0285
Altitude: 685 m   Inauguração: 01.02.1887
Uso atual: escala de maquinistas da MRS   com trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d
 
 
HISTORICO DA LINHA: Primeira linha a ser construída pela E. F. Dom Pedro II, que a partir de 1889 passou a se chamar E. F. Central do Brasil, era a espinha dorsal de todo o seu sistema. O primeiro trecho foi entregue em 1858, da estação Dom Pedro II até Belém (Japeri) e daí subiu a serra das Araras, alcançando Barra do Piraí em 1864. Daqui a linha seguiria para Minas Gerais, atingindo Juiz de Fora em 1875. A intenção era atingir o rio São Francisco e dali partir para Belém do Pará. Depois de passar a leste da futura Belo Horizonte, atingindo Pedro Leopoldo em 1895, os trilhos atingiram Pirapora, às margens do São Francisco, em 1910. A ponte ali constrruída foi pouco usada: a estação de Independência, aberta em 1922 do outro lado do rio, foi utilizada por pouco tempo. A própria linha do Centro acabou mudando de direção: entre 1914 e 1926, da estação de Corinto foi construído um ramal para Montes Claros que acabou se tornando o final da linha principal, fazendo com que o antigo trecho final se tornasse o ramal de Pirapora. Em 1948, a linha foi prolongada até Monte Azul, final da linha onde havia a ligação com a V. F. Leste Brasileiro que levava o trem até Salvador. Pela linha do Centro passavam os trens para São Paulo (até 1998) até Barra do Piraí, e para Belo Horizonte (até 1980) até Joaquim Murtinho, estações onde tomavam os respectivos ramais para essas cidades. Antes desta última, porém, havia mudança de bitola, de 1m60 para métrica, na estação de Conselheiro Lafayete. Na baixada fluminense andam até hoje os trens de subúrbio. Entre Japeri e Barra Mansa havia o "Barrinha", até 1996, e finalmente, entre Montes Claros e Monte Azul esses trens sobreviveram até 1996, restos do antigo trem que ia para a Bahia. Em resumo, a linha inteira ainda existe... para trens cargueiros.
 
A ESTAÇÃO: A estação de Benfica foi inaugurada em 1887.

Por um curto espaço de tempo, no início do século 20, veio a se chamar Ludovino Martins, mas logo retornou a seu nome original.

Dela saíam os trilhos do ramal de Lima Duarte, de 1914 até o final dos anos 1960. Esse ramal foi erradicado, dele sobrou apenas o desvio que segue para uma instalação fabril em Igrejinha, ainda utilizado pela MRS, concessionária da linha.

A estação foi, ainda, sede da Polícia Florestal na região por algum tempo. Em 2010 servia como escala para os maquinistas da MRS.



ACIMA: Tiro de Guerra de Juiz de Fora na estação de Benfica em 1921 (Acervo Jorge A. Ferreira)

1922
AO LADO:
Caem barreiras próximas à estação de Benfica (O Estado de S. Paulo, 16/2/1922).

1924
AO LADO:
Trem vindo de Pirapora foi retido em Benfica (O Estado de S. Paulo, 28/8/1924).
ACIMA e ABAIXO: Estação e pátio de Benfica em 2009 (Fotos Jorge A. Ferreira)..

O Jornal do Commercio de Juiz de Fora, em um dos números de dezembro de 1908, assim descrevia Benfica: "Bemfica é triste. Vasto descampado; pastagens infindas, onde vagam manadas de bois estarrecidos e nostalgicos, vindos de longe, de muito longe, dos confins de Minas ou dos planaltos de Goyaz. Uns deitados, ruminando tristemente; as humidas narinas gotejantes, as longas orelhas cahidas e os doces olhos immoveis, fitos na miragem longinqua das brisas frescas, a beira do rio manso, abundoso e trepido, onde pastam felizes, bellas e amáveis juvenças. Outros de pé, a passos lentos, tropegos e desequilibrados, tosando melancholicamente a herva rasteira, restos e rejeitos de outras boiadas, com as longas caudas fustigando as ancas. Monotonia sem fim. Apenas, aqui e ali, baixas culturas adustas, onde se estorcem ao sol estival, as folhas murchas, os caules pendidos, os milharaes que tosta o veranico ardente. Ao fundo passa o rio sonolento, placido e morno, semi-sepulto entre as altas barrancas, como vasta e pesada bôa, que o mormaço enlanguece. A população é simples e bondosa. Nos dois hoteis do logar conversam de negocios boiadeiros requeimados pelos sóes das grandes jornadas. São tipos másculos e decididos de bellos homens do campo. Vestem-se de lãs e brins mineiros, ali tecidos e tintos. Altas botas, espóras rutilas, talas de grandes argolões, com que tangem as bestam e racham a cabeça ao primeiro atrevido, que de improviso, se lhes atravesse no caminho... Trazem todos afiadas facas á cava do collete e um jogo de pistolas á cinta. Commercio - quasi nenhum, - a não ser o da Feira, que definha consideravelmente. De onze a doze mil rezes, que ali se vendiam todos os meses, vendem-se, hoje apenas novecentas. A visinha Feira do Sitio foi a sua morte" (Extraído do Álbum do Município de Juiz de Fora - Albino Esteves - 1915).
2012
ABAIXO: Linha - em primeiro plano - que é a saída do ramal de Lima Duarte. Ainda existe ali pois há tráfego da MRS até Igrejinha, onde a linha foi retirada após a estaçãozinha (Foto Jorge A. Ferreira, 2012).
(Fontes: Jorge A. Ferreira; Albino Esteves: Álbum do Município de Juiz de Fora, 1915; Jornal do Commercio, Juiz de Fora, 1908; Max Vasconcellos: Vias Brasileiras de Communicação, 1928)
     

A estação de Benfica, com a locomotiva em primeiro plano, em 2000. Foto Jorge A. Ferreira

Pátio da estação em 2000. Foto Jorge A. Ferreira

A estação em 2000. Foto Jorge A. Ferreira

A estação reformada, em 06/2005. Foto Jorge A. Ferreira

A estação reformada, em 06/2005. Foto Jorge A. Ferreira

A estação e pátio em 5/2010. Foto Jorge A. Ferreira
     
Atualização: 01.09.2018
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.