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Q R S T U
VXY Mogiana em MG
Indice de estações
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Francisco Fragoso
Governador Portella
Barão de Javari
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Saída para o ramal de Jacutinga: Monsores
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ESTIVE NO LOCAL: NÃO
ESTIVE NA ESTAÇÃO: NÃO
ÚLTIMA VEZ: N/D
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E. F. Melhoramentos (1898-1903)
E. F. Central do Brasil (1903-1965)
E. F. Leopoldina (1965-1975)
RFFSA (1975-1996)
GOVERNADOR PORTELLA
Município de Miguel Pereira, RJ
Linha Auxiliar - km 111,730 (1928)   RJ-1303
Altitude: 634 m   Inauguração: 28.03.1898
Uso atual: museu (2008)   com trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d
 
 
HISTORICO DA LINHA: A chamada Linha Auxiliar foi construída pela E. F. Melhoramentos a partir de 1892 e em 1898 foi entregue o trecho entre Mangueira (onde essa linha e a do Centro se separam) e Entre Rios (Três Rios). O traçado da serra, construído em livre aderência e com poucos túneis, foi projetado por Paulo de Frontin, um dos incorporadores da estrada. Em 1903, a E. F. Melhoramentos foi incorporada à E. F. Central do Brasil e passou a se chamar Linha Auxiliar. Ferrovias foram incorporadas a ela, assim como ramais construídos, dando origem à Rede de Viação Fluminense, que tinha como tronco a Linha Auxiliar, sendo tudo gerido pela Central. Na mesma época, o ramal de Porto Novo, que saía de Entre Rios, teve a sua bitola estreitada para métrica e tornou-se a continuação da Linha Auxiliar até Porto Novo, onde se entroncava com a Leopoldina. No final dos anos 1950, este antigo ramal foi incorporado à E. F. Leopoldina e a Linha Auxiliar passou a terminar de novo em Três Rios, onde havia baldeação. A linha, entre o início e a estação de Japeri, onde se encontra com a Linha do Centro pela primeira vez, transformou-se em linha de trens de subúrbios, que operam até hoje; da mesma forma, a linha se confunde com a Linha do Centro entre as estações de Paraíba do Sul e Três Rios, onde, devido à diferença de bitolas entre as duas redes, existe bitola mista. Nos anos 60, toda a linha passou para a Leopoldina. A linha da Auxiliar teve o traçado alterado nos anos 1970 quando boa parte dela foi usada para a linha cargueira Japeri-Arará, entre Costa Barros e Japeri, ativa até hoje, bem como para trens metropolitanos entre o Centro e Costa Barros. Entre Japeri e Três Rios, entretanto, a linha está abandonada já desde 1996.
 
A ESTAÇÃO: "Pára o trem em várias estações, Paes Leme, Sertão, Bonfim, Vera Cruz e Conrado Niemeyer, até alcançar risonho centro de população, com aspectos de progresso, Portella. Em Portella o viajante escolhe. Segue para Entre Rios, na composição vinda de Belém, ou toma novo comboio, de máquina a gasolina, rumo de Vassouras" (Revista Eu Sei Tudo, 02/1930). Era, portanto, nesta estação que saía a linha para o ramal de Jacutinga, que

ACIMA: Mapa (parcial) do município de Miguel Pereira nos anos 1950. Notar o entroncamento em Governador Portela. Desta estação, sai para oeste o ramal de Jacutinga, seguindo para Vassouras (IBGE: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, vol. VII, 1958). ABAIXO: Estação de Governador Portela, 1914: dia da inauguração do ramal de Santa Rita do Jacutinga (Illustração Brasileira, 1/6/1914).
passava por Vassouras e chegava a Santa Rita do Jacutinga, já em Minas Gerais, onde se encontrava com a Rede Mineira de Viação, linha da Barra. Em 1970, o ramal foi suprimido. As instalações das oficinas de Governador Portela foram demolidas no começo de 2002, num trecho da antiga Auxiliar já abandonado desde 1996. Segundo se informa, o prédio da antiga estação serve hoje de museu, com o acervo tendo vindo da estação de Miguel Pereira,
esta transformada em supermercado. "Em Governador Portela existia a maior oficina mecânica de reparos, manutenção e pesquisa da Rede Ferroviária. Nessas regiões, a ferrovia era fundamental ao comércio e pequenas indústrias locais.

À ESQUERDA: Ontem e hoje: a estação em funcionamento e hos últimos anos sem movimento algum. Notar a caixa d'água, colocada ali nos anos 1980 para um trem turístico ("Trem Azul") que funcionou nessa época (Fotos Alexandre Resende e Jorge Alves Ferreira).
Com uma forte tradição ferroviária, formou-se a FALA - Associação de Funcionários da Linha Auxiliar. O presidente dessa Associação, Sr. Fernando Duarte, aponta sobre as comunicações inter regionais realizadas pela linha férrea: 'daqui nós pegávamos o trem e íamos para qualquer cidade da baixada fluminense, onde não só os nossos filhos iam estudar como os deles iam estudar no
ACIMA: Depósito de locomotivas no pátio de Governador Portela, em 1930. Hoje já foi demolido. (Acervo Manoel Monachesi, foto de 9/1/1930). ABAIXO: No pátio de Governador Portela, carros e máquina a vapor da Leopoldina, em janeiro de 1972 - nessa época, já era a Leopoldina quem usava essa linha. A locomotiva já devia estar "encostada" ou servindo apenas como manobreira (Acervo Marcelo Lordeiro).

CFP. Naquela época, anos 1960, o fluxo, via trem, entre as cidades da baixada fluminense mais cidade do Rio de Janeiro com as regiões serranas, não era restrito apenas ao verão, era durante todo o ano. Hoje é que é um fenômeno apenas veranista. Em Governador Portela, havia, ainda vários depósitos. Três deles
"Fiquei muito feliz em poder ver as fotos da estação de Governador Portela, pois foi lá que meu bisavô trabalhou e contraiu tuberculose, vindo a falecer logo depois. Só ouvia minha avó contar sobre a estação e ficava imaginando como seria naquele tempo. Vai aqui o meu agradecimento por você ter me permitido viajar até os anos 1930, mesmo que por breve momento, pois matei uma curiosidade de infância. Meu bisavô era agente noturno, ficava na estação durante toda a madrugada e isso fez com que contraísse a doença fatal. Minha avó, que hoje está com 89 anos, ainda tem lembranças daquele tempo e como sou um viajante da imaginação, sempre imaginei como seria a estação tão falada por ela. Forte abraço, Marco Aurelio, 24/6/2010".
armazenavam cimento, cal, açúcar e cerveja. Nos outros, legumes verduras e frutas. Sobre esse comércio, foi entrevistado por Assunção o Sr. Alvino Baldez, agente de estação no distrito de Conrado, em Miguel Pereira: durante muitos anos a minha função foi fiscalizar os carregamentos vindos da cidade do Rio de Janeiro e baixada fluminense para a nossa região. A minha função requeria muita
atenção. Eu examinava vagão por vagão, conferia a mercadoria e depois autorizava o prosseguimento da viagem. E uma coisa que ainda está viva em minha memória, é a capacidade dos vagões, naquela época, anos 1960. Cada vagão tinha uma capacidade de carregar 30 toneladas. E um caminhão carregava 3 toneladas. Sendo assim, se um trem subia a serra com 20 vagões dando um total de 600 toneladas, para nós transportarmos a mesma quantidade por caminhão, seria necessário uma caravana de 200 caminhões'" (Fim de linha - A extinção de ramais na Leopoldina, 1955-1974, Dilma Andrade de Paula, 2000).
(Fontes: Hugo Caramuru; Alexandre Rezende; Manoel Monachesi; Jorge Alves Ferreira; Illustração Brasileira, 1914; A Careta, 1909; Max Vasconcellos: Vias Brasileiras de Communicação, 1928; IBGE: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, 1958; Dilma Andrade de Paula: Fim de linha - A extinção de ramais na Leopoldina, 1955-1974, 2000; Eu Sei Tudo, 1930; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht).
     

A estação em 1909. Foto A Careta, 18/12/1909

A estação em 1986. Foto Hugo Caramuru

A estação de Governador Portella, em 04/2001. Foto Jorge Alves Ferreira

A estação de Governador Portella, em 04/2001. Foto Jorge Alves Ferreira

A estação de Governador Portella, em 04/2001. Foto Jorge Alves Ferreira

A estação em 22/04/2006. Foto Jorge A. Ferreira

A estação em 2008. Foto Jorge A. Ferreira
   
     
Atualização: 09.11.2014
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.