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VXY Mogiana em MG
Indice de estações
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Triunfo
Leitão da Cunha
Trajano de Morais
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ESTIVE NO LOCAL: NÃO
ESTIVE NA ESTAÇÃO: NÃO
ÚLTIMA VEZ: N/D
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E. F. Leopoldina (1891-1965)
LEITÃO DA CUNHA
Município de Trajano de Morais, RJ
Ramal de Santa Maria Madalena - km 324 (1962)   RJ-1837
Altitude: 440 m   Inauguração: 17.08.1891
Uso atual: abandonada (2015)   sem trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d
 
 
HISTORICO DA LINHA: O ramal que ligava Entroncamento (Conde de Araruama) a Ventania (Trajano de Morais) teve a linha entregue em 1878 até Conceição e no ano seguinte até Triunfo (Itapuá) e Ventania, pela E. F. Barão de Araruama. Somente em 1896, já com as linhas de posse da Leopoldina, foi entregue a continuação até Visconde do Imbé e em 1897 a Manoel de Morais. Antes disso, em 1891, o engenheiro Ambrosino Gomes Calaça havia aberto uma linha entre Ventania e Santa Maria Madalena, estabelecendo outro ramal. Logo após a inauguração, a linha foi vendida À E. F. Santa Maria Madalena, e em 1907 à Leopoldina. Dependendo da época, a linha principal era Conde de Araruama-Madalena, ou Conde de Araruama-Manoel de Morais, com o outro trecho sendo o ramal, ou seja, passando por baldeação ou espera em Trajano de Morais. Em 31/08/1965, o trecho a partir de Triunfo foi suprimido para trens de passageiros, ou seja, o entroncamento de Trajano de Morais já não era alcançado. Em 1966 ou 1967, o que restava do ramal acabou de vez. Ficou, entretanto, o trecho entre Conde de Araruama e Conceição de Macabu ainda funcionando para a Usina Victor Sence, até o início dos anos 1990. Com a sua desativação, os trilhos foram arrancados.
 
A ESTAÇÃO: A estação de Leitão da Cunha foi inaugurada em 1891.

"Minha família tem origens italianas na região de Santa Maria Madalena e Trajano de Morais. Ao resgatar a história de meus antepassados italianos e brasileiros, eu acabo por resgatar um pouco da história dos locais por onde passaram... Isso é muito bom! Ando à procura do óbito de um de meus tataravós, Francesco Perissinotto. Até hoje eu não consegui obte-lo apesar da ajuda que tenho do pessoal. Eu somente sei que ele faleceu na Estação de Leitão da Cunha, atropelado pela locomotiva. Ele trazia imigrantes que chegavam no Rio de Janeiro para Santa Maria Madalena e, ao levar água para uma senhora que passava mal, caiu e a locomotiva passou por cima dele. Há uma possibilidade de que eu consiga obter, pelo menos, o registro do acidente. Naquela época, havia o inspetor" (Francisco Barros, 11/2003).

"Em 1953, em Leitão da Cunha, eu, Elias de Toledo Pinto, amparado pela Sra Percilia, uma parteira da região, chegava nesse mundo. Minha casa era um pouco antes da estação, no sentido Trajano de Morais, perto de uma pequena igreja. Meu pai Aydes Alves Pinto, minha mãe Izabel Pinto, meu avô, Ricardo Campana, da Fazenda Cambota, depois de alguns anos, nos mudamos para Trajano, onde, o meu pai que em 1963, se aposentou pela E F Leopoldina. Cheguei a participar da despedida do trem, em Trajano, bem como acreditar que um dia ele voltaria.... Hoje,sou um pequeno empresário no Rio de Janeiro, ainda passo por lá, sendo a última vez dia 13.11.2004, quando visitei meu tio Francisco, que mora em Doutor Loretti" (Elias de Toledo Pinto, 19/11/2004).

A última viagem no ramal, com a locomotiva partindo da estação de Santa Maria Madalena, foi relatada nove anos depois do fim por um escritor local: "Lembro-me bem do derradeiro dia em que o trem deixou a estação. Com sonoro e melancólico toque do sino é dada a saída precisamente às 6 horas e 20 minutos. Muita gente lá estava para a despedida. Vagarosamente vai deslizando pelos trilhos até a curva da chácara do Américo Lima. Aí faz uma paradinha, ouvindo-se um agudo e angustioso apito, fazendo de conta como se fosse um adeus para sempre. E lá se foi pela estrada afora, deixando uma baforada de fumaça que pouco a pouco foi desaparecendo. O carro misto de 1a e 2a classe estava todo ornamentado de hortênsias azuis e rosas, repleto de passageiros. Por onde ele passou, Loreti, Trajano de Moraes, Leitão da Cunha, o trecho da serra, vendo-se lá embaixo o rio Triunfo e o Conceição, as manifestações de despedida foram as mais sentidas e expressivas (...)" (Octavio Fajardo Rodrigues, 1975).

O trem parou em 1965 em Leitão da Cunha. Será? O relato, embora deixe dúvidas fala que isso pode ter ocorrido dois anos antes: "Papai, Jacob Everlan da Costa Martins, foi o agente-chefe de estação. Fomos a última família a morar na casa da ferrovia ao lado da estação de Leitão da Cunha. Nossa mudança seguiu com o último trem a circular por ali. Isso ocorreu por volta de 1963. Com a extinção da ferrovia todo o lugarejo perdeu a função de reunir pessoas que pudessem ali viver. O êxodo rural ocorreu e hoje é isso: abandono e solidão" (Deborah Areias, 08/2008).

Em 2015, a antiga estação estava aparentemente abandonada, não parece funcionar nada lá. Estava conservada (levando em consideração a idade), paredes, portas e telhado estavam inteiros.

ACIMA: Em Leitão da Cunha, em 1923. ABAIXO: Idem, 1923 (Fotos Fon-fon, 2/6/1923).


ACIMA: E quando ainda havia trem, nos anos 1940, e propaganda nas paredes da plataforma da estação, e a alegria de ser fotografada ali, e uma vida mais tranqüila em Leitão da Cunha... (Acervo Edson de Lima Lucas).

(Fontes: Edson de Lima Lucas; Eduardo Bekman; Elias de Toledo Pinto; Octavio Fajardo Rodrigues; Francisco Barros; Marcelo Abreu Gomes; Deborah Areias; Edmundo Siqueira: Resumo Histórico da Leopoldina Railway, 1938; Fon-fon, 1923; Cyro Pessoa Jr.: Estudo Descritivo das Estradas de Ferro do Brasil, 1886; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; Guias Levi, 1932-80; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
     

A estação nos anos 1940. Acervo Edson de Lima Lucas

A estação nos anos 1940. Acervo Edson de Lima Lucas

A estação em 01/2004. Foto cedida por Marcelo Abreu Gomes, de Conceição de Macabu, RJ

A estação em 01/2004. Foto cedida por Marcelo Abreu Gomes, de Conceição de Macabu, RJ

A estação em 2008. Foto Deborah Areias

A estação em 2015. Foto Eduardo Bekman
     
Atualização: 14.08.2017
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.