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VXY Mogiana em MG
Indice de estações
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Praia Formosa
Barão de Mauá
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: NÃO
ÚLTIMA VEZ: 2008
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E. F. Leopoldina (1909-1975)
RFFSA (1975-1996)
PRAIA FORMOSA
Município do Rio de Janeiro, RJ
Linha do Norte - km 0   RJ-1418
Altitude: 0   Inauguração: 01.12.1909
Uso atual: casa para funcionários (2011)   com trilhos
Data de construção do prédio atual: 1909/1911
 
 
HISTORICO DA LINHA: A linha que unia o centro do Rio de Janeiro a Petrópolis e Três Rios foi construída por empresas diferentes em tempos diferentes. Uma pequena parte dela é a mais antiga do Brasil, construída pelo Barão de Mauá em 1854 e que unia o porto de Mauá (Guia de Pacobaíba) à estação de Raiz da Serra (Vila Inhomerim). O trecho entre esta última e a estação de Piabetá foi incorporada pela E. F. Príncipe do Grão Pará, que construiu o prolongamento até Petrópolis e Areal entre os anos de 1883 e 1886. Finalmente a estação de Areal foi unida à de Três Rios em 1900, já pela Leopoldina. Finalmente, o trecho entre o a estação de São Francisco Xavier, na Central do Brasil, e Piabetá foi entregue entre 1886 e 1888 pela chamada E. F. Norte, que neste último ano foi comprada pela R. J. Northern Railway. Finalmente, em 1890, a linha toda passou para o controle da Leopoldina. Em 1926 a linha foi estendida finalmente até a estação de Barão de Mauá, aberta nesse ano, eliminando-se a baldeação em São Francisco Xavier. O trecho entre Vila Inhomerim e Três Rios foi suprimido em 5 de novembro de 1964. Segue operando para trens metropolitanos todo o trecho entre o centro do Rio de Janeiro e Vila Inhomerim.
 
A ESTAÇÃO: A estação da Praia Formosa foi aberta em 1909 (embora uma fonte cite 1911) pela Leopoldina e era uma estação provisória para as suas linhas que seguiam para Petrópolis. Uma notícia publicada no jornal O Estado de S. Paulo de 2/12/1909 mostra que "foi inaugurada a linha do Norte da Estrada de Ferro Leopoldina até a Praia Formosa, sendo construída uma estação ao lado da estação Alfredo Maia".

Atrás da estação, situava-se a estação de Alfredo Maia, da linha Auxiliar da Central do Brasil.

A construção da estação de Barão de Mauá somente se daria em 1926, depois de inúmeras discussões com o Governo que se arrastaram por cerca de 15 anos, e enquanto isto os trens da Leopoldina saíam de Praia Formosa, ou também de São Francisco Xavier, na linha da Central.

Com a abertura de Barão de Mauá, Praia Formosa passou a ser uma estação de cargas que permanecia até o início dos anos 2000 pelo menos em funcionamento e desde 1996 com a concessionária FCA.

Fica aproximadamente a 500 m de Barão de Mauá, do outro lado da
avenida Francisco Bicalho. Na verdade, faz parte do complexo de Barão de Mauá.

"Ontem (29/11/08) passando pela Avenida Francisco Bicalho, em frente a majestosa estação Barão de Mauá deparei com uma triste situação. Diante do carcomido portão amarrado com grossas correntes vi o pátio de Praia Formosa completamente abandonado. A camada de terra sobre os trilhos, uns 5 centímetros, testemunhava que já a algum tempo que nenhum trem desliza por aquelas bandas. Daí, percebi que algumas pessoas já se instalaram nas edificações do local, crianças soltavam pipa descontraidamente e seus pais papeavam enquanto lubrificavam-se com alguns drinks populares. E eles não tem culpa, naturalmente aproveitam-se do vácuo.

Foi aí que percebi a ilusão formada da passagem de nível. O intenso tráfego de carros, ônibus e caminhões realiza um serviço de preservação histórica, mantendo o aço reluzente como nos velhos tempos, a ponto de responder ao azul do céu. Mas, alguns centímetros adiante, o brilho metálico como que por mágica oculta-se sob
opaco marrom enegrecido de sombrio aspecto Até o conjunto de cruzes de Santo André está desfalcado onde algumas foram arrancadas pelas bases. Não pare, não olhe e não escute, não perca o tempo de sua viagem, pois trem aqui só o fantasma. Resolvi atravessar a avenida. Do outro lado, do lado do Barão, ainda pior. Nem as faixas gêmeas eram visíveis já que a natureza reclamava aquele pedaço do alto dos seus 1,20 m de verde. Entrei na gloriosa estação e quase dei meia volta. Deparei com um cemitério de história. De cara uma FA-1 que parecia estar pronta para partir com seus carros para o expresso fantasma noturno rumo a Praia Formosa (Depois de rebitolados. é claro!).

Mais algumas locomotivas, uns guindastes e até a imponente AS-616 jaziam podres, sendo que esta última por um requinte melancólico exibia-se com uma trepadeira que saindo do chão alcançava o
corpo da bela locomotiva. E não acabou aí. Quem estava lá ao lado daqueles vovôs e vovós era um trem reencarnado. Sim! O ex-futuro novo Barrinha. Seu estado impecável contrastava com o local. Pintura, vidros, portas, engates e interior, tudo estava perfeito. Mas o que ele faz ali? Não sei e já não queria saber de mais nada. Fui embora. Tomando um trem na nada acessível estação da Praça da Bandeira fui até a estação São Cristóvão. Lá, por curiosidade, resolvi dar uma olhada no estado na Leopoldina ali. Bem, tem uma plataforma da Supervia em reforma bem ao lado da métrica.

A preocupação é tamanha com a possível passagem de um trem FCA que uma rampa para a passagem de carrinhos de mão cruzava tranquilamente a linha, fora as ferramentas e materiais largados sobre a mesma. Tomei outro trem e segui o meu destino. No chacoalhar do caminho e vendo as linhas da Central não pude deixar de pensar na Leopoldina, Praia Formosa, FCA. Estamos vendo hoje um desaparecimento das atividades da FCA no Rio de Janeiro. A linha de Caxias até o porto do Rio está abandonada. A linha da Reduc até Campos não vê atividade.

O trecho de São Fidélis é um caco. A ligação Campos-Espírito Santo Idem. Angra a Barra Mansa funciona aos suspiros. Só resta a operação Bauxita e a operação Calcário (CSN) no Rio de Janeiro. Estou certo? Onde errei? O que está acontecendo? Não se amplia e moderniza a Reduc? Não se constrói o Comperj na cara da linha Rio-Campos? As obras do porto do Eike não avançam? Angra não constroi plataformas e navios? O porto do Rio não está sendo modernizado? Campos e o Noroeste Fluminense não estão reativando suas lavouras? Porque a métrica desmantela-se no Estado do Rio de Janeiro?
" (André Luiz Fonseca, 11/2008).

Em 2012, a área já havia sido cedida à Prefeitura do Rio de Janeiro, que lá construiria instalações para as Olimpíadas de 2016. O prédio da velha estação ainda estava de pé, arrumadinho e servindo como dormitório para os funcionários das obras. O armazém parecia abandonado, mas ainda de pé. Ainda havia vagões num canto e outro. Mas isso não deveria sobreviver: ao fim das obras, tudo deveria ir para o chão e nada da velha Leopoldina seria lembrado por ali.

(Veja também BARÃO DE MAUÁ)



ACIMA: No pátio da estação de Praia Formosa, com a estação à esquerda, a LigaCatholica Jesus, Maria, José homenageia o Papa Benedito XV partindo para uma peregrinação (Fon-Fon, 1915)
1920
AO LADO:
Durante a greve desse ano, as dificuldades na estação (O Estado de S. Paulo, 17/3/1920)".

ACIMA: Mapa das linhas da estação da Praia Formosa, mostrando a sua localização em relação às outras estações (Cedido por Marcelo Lordeiro).

ACIMA: Pátio da estação em 1987 (Foto Eliezer Magliano, em 3/10/1987).

ACIMA: Antigos armazens da Praia Formosa, em 2008 (Foto Newton Carneiro).

ACIMA: Acesso abandonado ao pátio de Praia Formosa - vista do viaduto (Foto Eduardo P. Moreira em abril de 2009).

ACIMA: (ao alto) Armazém do pátio, construído em 1918. (embaixo, esquerda) Detalhe do logotipo do armazém. (embaixo, direita): velho vagão jogado no meio do entulho (Fotos Carlos Latuff, 8/9/2012).

(Fontes: Eduardo P. Moreira; Eliezer Magliano; Marcelo Lordeiro; Newton Carneiro; André Luiz Fonseca; Carlos Latuff; Revista da Semana, 1922; Fon-Fon, 1915; O Estado de S. Paulo, 1909; Illustração Brasileira, 1911; Edmundo Siqueira: Resumo Histórico da Leopoldina Railway, 1938; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
     

A estação da Praia Formosa em 1911. Foto da revista Illustração Brasileira

O Presidente Epitacio Pessoa desembarca na estação da Praia Formosa tendo retornado de trem de Petropolis. Revista da Semana, 6/5/1922

Pátio da estação em 2003. Foto Carlos Latuff

A estação em 8/9/2012. Foto Carlos Latuff
 
     
Atualização: 23.11.2018
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.