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A ESTAÇÃO: A estação do Ipiranga foi aberta
em 1886, e um dos motivos para isso foi o descarregamento de material
para a construção do Museu do Ipiranga. Mais tarde, foi transformada
em estação de trens de subúrbio. Durante a revolução
de julho de 1924, ela foi sede do 2o batalhão de artilharia
das forças legalistas do Governo do Estado. Nos anos 50,
foi reformada e ampliada. Ali ao lado, alimentada por trilhos de
desvios que saem desta estação, a antiga fábrica
da Ford e um monte de armazéns, para onde seguia o desvio
Aranha (uns dizem que esse desvio era somente o dos armazens,
outros que ele nomeava todos os desvios). "Além dos desvios
que serviam a fábrica da Ford, havia um outro que saia do mesmo
ponto e seguia entre a Esso (os tanques que aparecem na foto, abaixo)
e um monte de armazéns que tinham por lá, na Rua Cadiriri. O nome
desse desvio era Desvio Aranha, pelo menos assim estava escrito
em grandes letras que ocupavam a parede toda de um desses armazéns
da Cadiriri. A gente brincava muito nesse lugar, tinha muito córrego
e, para a alegria de nossas mães, sempre levávamos um monte de girinos
para casa depois das expedições" (Wanderley Duck, 03/2007).
"Esse
Acima,
mapa de 1997 (O Guia SP), mostrando a estação de Ipiranga,
do lado sul do viaduto da rua Capitão Pacheco Chaves, e a
leste dela, o desvio Aranha em quase sua totalidade, tendo dentro
dos terrenos da antiga fábrica da Ford algumas de suas ramificações.
enorme desvio (ou ramal) industrial está lá até hoje, e ativo
(Desvio Aranha). É provável que seja o maior desvio da EFSJ, com
quase 3 km. Ao lado da EFSJ, ele atendia a Ford Ipiranga. Quando
ele fazia a curva, onde passava, no retorno, embaixo do final do
viaduto da Pacheco Chaves (e andava "prá trás"), atendia as fábricas
que estão do outro lado da Av. Henry Ford, e que não faziam fundos
com a EFSJ. Hoje, só atende a apenas duas fábricas, que insistem
em receber bobinas e chapas de aço via férrea. A maioria das outras
fábricas que sobraram recebem por caminhões, mesmo ainda tendo seus
desvios. Com o fim da Ford Ipiranga em 1996, ao seu lado (ou melhor:
em seus desvios - lado EFSJ), funciona uma empresa chamada Transnovag,
que faz a baldeação das bobinas e chapas de aço que chegam por trem,
para o caminhão. E, mais inconcebível ainda, é o fato de empresas
que ainda tem seus desvios, ter que arcar com a baldeação para o
caminhão, para o mesmo andar dois quarteirões para descarregar,
e se ainda usassem direto o trem, isso não seria necessário. O desvio
é da EFSJ e as entradas nas fábricas é particular. A Ford
- que é a antiga Willis - é hoje uma fábrica "fantasma",
abandonada, desde 2000, quando transferiu a montagem de caminhões
dessa unidade para o ABC, e dizem que foi comprada por uma empresa
de aço, o que faria com que seus desvios fossem reativados. Meu
pai trabalhou lá de 1978 a 1982 e conta que chegou a ver os cegonheiros
da RFFSA recebendo Corcel II e Picapes F1000 e F4000, rumo ao RJ
e MG. Mas, por conta das pedradas que o trem recebia quando passava
no Trecho da Zona Leste da EFCB, o serviço foi cancelado pela Ford,
lá por 1984 (e pela GM de São Caetano do Sul, em 1985).
Houve a tentativa de se fugir da zona leste, pela alça Suzano-Rio
Grande da Serra, como me contou um maquinista da EFSJ que trabalhou
com esse trem, mas não adiantou muito. Havia um trem de peças que
a Ford recebia e que vinha direto de Santa Cruz de La Sierra, na
Bolívia, via Noroeste, e que era baldeado para a larga em Bauru.

Na foto acima, a estação do Ipiranga
em 1970 tendo ao lado o viaduto Capitão Pacheco Chaves e
a fábrica da Ford. Os desvios Aranha não são
vistos por causa do ângulo em que a foto foi tirada, mas estão
ali e funcionando nessa época (Acervo Wanderley Duck).
Esse trem parou em 1988. Esse centro nervoso de embarque
e recebimento de cargas que era o trecho Mooca-Ipiranga no seu auge
atendeu cerca de 64 industrias, entre fábricas e armazéns. Hoje
atende apenas quatro. Cinco, agora, já que o sucateiro (logo isso)
que se pode ver no canto superior esquerdo da foto de 1982 foi ativado
recentemente pela MRS" (Thomas Corrêa, 03/2007).

Na foto acima, de 1982, a fábrica da Ford
em 1982: pode-se ver aqui claramente parte do desvio à direita,
em cima. O pátio da estação e o viaduto podem
ser vistos à esquerda. (Foto extraída de um catálogo com
fotos aéreas das plantas de todas as industrias automotivas no Brazil,
chamado; Automotive Industry in Brazil - 1982. Nele podemos ver
as linhas do desvio, do outro lado da Henry Ford. Acervo Thomas
Correa).
Hoje, num prédio completamente diferente do anterior,
a estação serve aos trens metropolitanos da CPTM. (Fontes:
Thomas Correa, 2007; Renato Gigliotti, 03/2007; Emerson Fontes dos
Santos Freire, 2005; Wanderley Duck, 2007; Revista da Semana, de
09/08/1924; Paulo Mendes; Wiliiam Gimenez; Relação
oficial de estações da São Paulo Railway, 1935)
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