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Q R S T U
VXY Mogiana em MG
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Tamanduateí
Ipiranga
Mooca
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SPR-1935
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 2010
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São Paulo Railway (1886-1946)
E. F. Santos-Jundiaí (1946-1975)
RFFSA/CBTU (1975-1992)
CPTM (1992-)
IPIRANGA
Município de São Paulo, SP
Linha-tronco - km 71,625 (1935)   SP-1056
Altitude: 737 m   Inauguração: 01.04.1886
Uso atual: estação de trens metropolitanos   com trilhos
Data de construção do prédio atual: 1960
 
 
HISTORICO DA LINHA: A São Paulo Railway - SPR ou popularmente "Ingleza" - foi a primeira estrada de ferro construída em solo paulista. Construída entre 1862 e 1867 por investidores ingleses, tinha inicialmente como um de seus maiores acionistas o Barão de Mauá. Ligando Jundiaí a Santos, transportou durante muito anos - até a década de 1930, quando a Sorocabana abriu a Mairinque-Santos - o café e outras mercadorias, além de passageiros de forma monopolística do interior para o porto, sendo um verdadeiro funil que atravessava a cidade de São Paulo de norte a sul. Em 1946, com o final da concessão governamental, passou a pertencer à União sob o nome de E. F. Santos-Jundiaí (EFSJ). O nome pegou e é usado até hoje, embora nos anos 70 tenha passado a pertencer à RFFSA, e, em 1997, tenha sido entregue à concessionária MRS, que hoje a controla. O tráfego de passageiros de longa distância terminou em 1997, mas o transporte entre Jundiaí e Paranapiacaba continua até hoje com as TUES dos trens metropolitanos.
 

A ESTAÇÃO: A estação do Ipiranga foi aberta em 1886 e um dos motivos para isso foi o descarregamento de material para a construção do Museu do Ipiranga.

Mais tarde, foi transformada em estação de trens de subúrbio.

Durante a revolução de julho de 1924, ela foi sede do 2o batalhão de artilharia das forças legalistas do Governo do Estado. Em 1960, foi reconstruída.

Ali ao lado, alimentada por trilhos de desvios que saem desta estação, a antiga fábrica da Ford e um monte de armazéns, para onde seguia o desvio Aranha (uns dizem que esse desvio era somente o dos armazens, outros que ele nomeava todos os desvios).

"Além dos desvios que serviam a fábrica da Ford, havia um outro que saia do mesmo ponto e seguia entre a Esso (os tanques que aparecem na foto, abaixo) e um monte de armazéns que tinham por lá, na Rua Cadiriri. O nome desse desvio era Desvio Aranha, pelo menos assim estava escrito em grandes letras que ocupavam a parede toda de um desses armazéns da Cadiriri. A gente brincava muito nesse lugar, tinha muito córrego e, para a alegria de nossas mães, sempre levávamos um monte de girinos para casa depois das expedições" (Wanderley Duck, 03/2007). "Esse enorme desvio (ou ramal) industrial está lá até hoje e ativo (Desvio Aranha). É provável que seja o maior desvio da EFSJ, com quase 3 km. Ao lado da EFSJ, ele atendia a Ford Ipiranga. Quando ele fazia a curva, onde passava, no retorno, embaixo do final do viaduto da Pacheco Chaves (e andava "prá trás"), atendia as fábricas que estão do outro lado da Av. Henry Ford, e que não faziam fundos com a EFSJ. Hoje, só atende a apenas duas fábricas, que insistem em receber bobinas e chapas de aço via férrea. A maioria das outras fábricas que sobraram recebem por caminhões, mesmo ainda tendo seus desvios. Com o fim da Ford Ipiranga em 1996, ao seu lado (ou melhor: em seus desvios - lado EFSJ), funciona uma empresa chamada Transnovag, que faz a baldeação das bobinas e chapas de aço que chegam por trem, para o caminhão. E, mais inconcebível ainda, é o fato de empresas que ainda tem seus desvios, ter que arcar com a baldeação para o caminhão, para o mesmo andar dois quarteirões para descarregar, e se ainda usassem direto o trem, isso não seria necessário. O desvio é da EFSJ e as entradas nas fábricas é particular. A Ford - que é a antiga Willys - é hoje uma fábrica "fantasma", abandonada, desde 2000, quando transferiu a montagem de caminhões dessa unidade para o ABC, e dizem que foi comprada por uma empresa de aço, o que faria com que seus desvios fossem reativados. Meu pai trabalhou lá de 1978 a 1982 e conta que chegou a ver os cegonheiros da RFFSA recebendo Corcel II e Picapes F1000 e F4000, rumo ao RJ e MG. Mas, por conta das pedradas que o trem recebia quando passava no Trecho da Zona Leste da EFCB, o serviço foi cancelado pela Ford, lá por 1984 (e pela GM de São Caetano do Sul, em 1985). Houve a tentativa de se fugir da zona leste, pela alça Suzano-Rio Grande da Serra, como me contou um maquinista da EFSJ que trabalhou com esse trem, mas não adiantou muito. Havia um trem de peças que a Ford recebia e que vinha direto de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, via Noroeste, e que era baldeado para a larga em Bauru. Esse trem parou em 1988. Esse centro nervoso de embarque e recebimento de cargas que era o trecho Mooca-Ipiranga no seu auge atendeu cerca de 64 industrias, entre fábricas e armazéns. Hoje atende apenas quatro. Cinco, agora, já que o sucateiro (logo isso) que se pode ver no canto superior esquerdo da foto de 1982 foi ativado recentemente pela MRS" (Thomas Corrêa, 03/2007).

Hoje a estação serve aos
trens metropolitanos da CPTM. Mais sobre a estação Ipiranga em 2011 aqui.
ACIMA: Concorrência para a instalação de uma banca de jornais na estação (O Estado de S. Paulo, 16/8/1949).

ACIMA: Inundação na estação do Ipiranga em 1926. Segundo Thomas Correa, essa locomotiva pode ser uma 4-8-0T, exatamente o único exemplar da SPR que não se tem foto alguma... (Fon-Fon, 30/1/1926).
ACIMA: Mapa de 1997, mostrando a estação de Ipiranga, do lado sul do viaduto da rua Capitão Pacheco Chaves, e a leste dela, o desvio Aranha em quase sua totalidade, tendo dentro dos terrenos da antiga fábrica da Ford algumas de suas ramificações (O Guia SP). ABAIXO: Esquema do bairro em 1957. O viaduto sobre a linha, na rua dos Patriotas, ainda não existia (Folha da Manhã, 15/9/1957).


ACIMA: A estação do Ipiranga em 1970 tendo ao lado o viaduto Capitão Pacheco Chaves e a fábrica da Ford. Os desvios Aranha não são vistos por causa do ângulo em que a foto foi tirada, mas estão ali e funcionando nessa época (Acervo Wanderley Duck).

ACIMA: A fábrica da Ford em 1982: pode-se ver aqui claramente parte do desvio à direita, em cima. O pátio da estação e o viaduto podem ser vistos à esquerda. (Foto extraída de um catálogo com fotos aéreas das plantas de todas as industrias automotivas no Brazil, chamado; Automotive Industry in Brazil - 1982. Nele podemos ver as linhas do desvio, do outro lado da Henry Ford. Acervo Thomas Correa).

(Fontes: Alexandre L. Giesbrecht; Paulo Mendes; Daniel Gentili; Thomas Correa; Renato Gigliotti; Emerson Fontes dos Santos Freire; Wiliiam Gimenez; Wanderley Duck; O Estado de S. Paulo, 1949 e 12/5/1960; O Guia SP, 1997; Revista da Semana, 1924; SPR: Relação oficial de estações, 1935; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)

     

A estação do Ipiranga, em 20.03.1906. A segunda pessoa na plataforma, com um quepe, é Arnaldo Ramos chefe da estação e bisavô de Emerson Fontes dos Santos Freire, que forneceu a informação. Foto cedida por Wanderley Duck

Soldados do 2o batalhão de artilharia posam na estação, durante a revolução de 1924. Foto da Revista da Semana, de 09/08/1924


A estação, ao fundo, em 07/1924. À sua frente, soldados do 2o batalhão de artilharia. Foto da Revista da Semana, de 09/08/1924

A estação em 1967. Acervo Paulo Mendes

A estação de Ipiranga vista do alto, em 1970. Foto Wanderley Duck

A estação atual, anos 1990. Foto cedida por Wiliiam Gimenez

A estação em 1/2011. Foto Alexandre L. Giesbrecht
 
     
Atualização: 09.01.2017
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.