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VXY Mogiana em MG
...
Tamanduateí
Ipiranga
Mooca
...

SPR-1935
 
 
São Paulo Railway (1886-1946)
E. F. Santos-Jundiaí (1946-1975)
RFFSA (1975-1994)
CPTM (1994-2007)
IPIRANGA
Município de São Paulo, SP
Linha-tronco - km 71,625 (1935)   SP-1056
  Inauguração: 01.04.1886
Uso atual: estação de trens metropolitanos   com trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d
 
HISTORICO DA LINHA: A São Paulo Railway - SPR ou popularmente "Ingleza" - foi a primeira estrada de ferro construída em solo paulista. Construída entre 1862 e 1867 por investidores ingleses, tinha inicialmente como um de seus maiores acionistas o Barão de Mauá. Ligando Jundiaí a Santos, transportou durante muito anos - até a década de 30, quando a Sorocabana abriu a Mairinque-Santos - o café e outras mercadorias, além de passageiros de forma monopolística do interior para o porto, sendo um verdadeiro funil que atravessava a cidade de São Paulo de norte a sul. Em 1946, com o final da concessão governamental, passou a pertencer à União sob o nome de E. F. Santos-Jundiaí (EFSJ). O nome pegou e é usado até hoje, embora nos anos 70 tenha passado a pertencer à REFESA, e, em 1997, tenha sido entregue à concessionária MRS, que hoje a controla. O tráfego de passageiros de longa distância terminou em 1997, mas o transporte entre Jundiaí e Paranapiacaba continua até hoje com as TUES dos trens metropolitanos.
 

A ESTAÇÃO: A estação do Ipiranga foi aberta em 1886, e um dos motivos para isso foi o descarregamento de material para a construção do Museu do Ipiranga. Mais tarde, foi transformada em estação de trens de subúrbio. Durante a revolução de julho de 1924, ela foi sede do 2o batalhão de artilharia das forças legalistas do Governo do Estado. Nos anos 50, foi reformada e ampliada. Ali ao lado, alimentada por trilhos de desvios que saem desta estação, a antiga fábrica da Ford e um monte de armazéns, para onde seguia o desvio Aranha (uns dizem que esse desvio era somente o dos armazens, outros que ele nomeava todos os desvios). "Além dos desvios que serviam a fábrica da Ford, havia um outro que saia do mesmo ponto e seguia entre a Esso (os tanques que aparecem na foto, abaixo) e um monte de armazéns que tinham por lá, na Rua Cadiriri. O nome desse desvio era Desvio Aranha, pelo menos assim estava escrito em grandes letras que ocupavam a parede toda de um desses armazéns da Cadiriri. A gente brincava muito nesse lugar, tinha muito córrego e, para a alegria de nossas mães, sempre levávamos um monte de girinos para casa depois das expedições" (Wanderley Duck, 03/2007). "Esse
Acima, mapa de 1997 (O Guia SP), mostrando a estação de Ipiranga, do lado sul do viaduto da rua Capitão Pacheco Chaves, e a leste dela, o desvio Aranha em quase sua totalidade, tendo dentro dos terrenos da antiga fábrica da Ford algumas de suas ramificações.
enorme desvio (ou ramal) industrial está lá até hoje, e ativo (Desvio Aranha). É provável que seja o maior desvio da EFSJ, com
quase 3 km. Ao lado da EFSJ, ele atendia a Ford Ipiranga. Quando ele fazia a curva, onde passava, no retorno, embaixo do final do viaduto da Pacheco Chaves (e andava "prá trás"), atendia as fábricas que estão do outro lado da Av. Henry Ford, e que não faziam fundos com a EFSJ. Hoje, só atende a apenas duas fábricas, que insistem em receber bobinas e chapas de aço via férrea. A maioria das outras fábricas que sobraram recebem por caminhões, mesmo ainda tendo seus desvios. Com o fim da Ford Ipiranga em 1996, ao seu lado (ou melhor: em seus desvios - lado EFSJ), funciona uma empresa chamada Transnovag, que faz a baldeação das bobinas e chapas de aço que chegam por trem, para o caminhão. E, mais inconcebível ainda, é o fato de empresas que ainda tem seus desvios, ter que arcar com a baldeação para o caminhão, para o mesmo andar dois quarteirões para descarregar, e se ainda usassem direto o trem, isso não seria necessário. O desvio é da EFSJ e as entradas nas fábricas é particular. A Ford - que é a antiga Willis - é hoje uma fábrica "fantasma", abandonada, desde 2000, quando transferiu a montagem de caminhões dessa unidade para o ABC, e dizem que foi comprada por uma empresa de aço, o que faria com que seus desvios fossem reativados. Meu pai trabalhou lá de 1978 a 1982 e conta que chegou a ver os cegonheiros da RFFSA recebendo Corcel II e Picapes F1000 e F4000, rumo ao RJ e MG. Mas, por conta das pedradas que o trem recebia quando passava no Trecho da Zona Leste da EFCB, o serviço foi cancelado pela Ford, lá por 1984 (e pela GM de São Caetano do Sul, em 1985). Houve a tentativa de se fugir da zona leste, pela alça Suzano-Rio Grande da Serra, como me contou um maquinista da EFSJ que trabalhou com esse trem, mas não adiantou muito. Havia um trem de peças que a Ford recebia e que vinha direto de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, via Noroeste, e que era baldeado para a larga em Bauru.
Na foto acima, a estação do Ipiranga em 1970 tendo ao lado o viaduto Capitão Pacheco Chaves e a fábrica da Ford. Os desvios Aranha não são vistos por causa do ângulo em que a foto foi tirada, mas estão ali e funcionando nessa época (Acervo Wanderley Duck).
Esse trem parou em 1988. Esse centro nervoso de embarque e recebimento de cargas que era o trecho Mooca-Ipiranga no seu auge atendeu cerca de 64 industrias, entre fábricas e armazéns. Hoje atende apenas quatro. Cinco, agora, já que o sucateiro (logo isso) que se pode ver no canto superior esquerdo da foto de 1982 foi ativado recentemente pela MRS
" (Thomas Corrêa, 03/2007).
Na foto acima, de 1982, a fábrica da Ford em 1982: pode-se ver aqui claramente parte do desvio à direita, em cima. O pátio da estação e o viaduto podem ser vistos à esquerda. (Foto extraída de um catálogo com fotos aéreas das plantas de todas as industrias automotivas no Brazil, chamado; Automotive Industry in Brazil - 1982. Nele podemos ver as linhas do desvio, do outro lado da Henry Ford. Acervo Thomas Correa).
Hoje, num prédio completamente diferente do anterior, a estação serve aos trens metropolitanos da CPTM. (Fontes: Thomas Correa, 2007; Renato Gigliotti, 03/2007; Emerson Fontes dos Santos Freire, 2005; Wanderley Duck, 2007; Revista da Semana, de 09/08/1924; Paulo Mendes; Wiliiam Gimenez; Relação oficial de estações da São Paulo Railway, 1935)

     

A estação do Ipiranga, em 20.03.1906. A segunda pessoa na plataforma, com um quepe, é Arnaldo Ramos chefe da estação e bisavô de Emerson Fontes dos Santos Freire, que forneceu a informação. Foto cedida por Wanderley Duck

Soldados do 2o batalhão de artilharia posam na estação, durante a revolução de 1924. Foto da Revista da Semana, de 09/08/1924


A estação, ao fundo, em 07/1924. À sua frente, soldados do 2o batalhão de artilharia. Foto da Revista da Semana, de 09/08/1924

A estação em 1967. Acervo Paulo Mendes

A estação de Ipiranga vista do alto, em 1970. Foto Wanderley Duck

A estação atual, anos 90. Foto cedida por Wiliiam Gimenez
     
Atualização: 19.03.2007
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.