| HISTORICO DA LINHA: O
ramal de Tuiuti, nome inicial do ramal da Mogiana que corria todo
ele em território mineiro, teve sua origem na E. F. Muzambinho,
adquirida pela Mogiana junto ao Governo daquele Estado em 30/07/1907,
antes inclusive da ferrovia ter suas obras iniciadas. Em 1913, a linha
foi finalmente aberta de Guaxupé a Muzambinho, e em 1914 chegava
a Tuiuti, antigo nome da estação de Juréia, onde
se encontrava com a linha da Rede Mineira que vinha de Cruzeiro, na
Central do Brasil, no leste do Estado de São Paulo e atravessava
todo o sul do Estado de Minas Gerais. Em 1944, o ramal passou a se
chamar ramal de Juréia. Finalmente, em 7/11/1966 o ramal foi
fechado definitivamente pela Mogiana, e os trilhos retirados alguns
anos depois. |
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A ESTAÇÃO: A ferrovia somente chegou a Muzambinho
em 1913, mas tal fato deveria ter ocorrido bem antes. A cidade já
existia desde o século XIX, e no início do século
foi constituída a E. F. Muzambinho, que acabou desapropriada
pela União, repassada para o governo mineiro, daí
para a E. F. Sapucahy, que a repassou para a Mogiana. Isto
tudo antes que qualquer obra efetiva houvesse sido feita. Foi efetivamente
a Mogiana que obteve a concessão, em 1908, para ligar Muzambinho
a Dores do Guaxupé. E, efetivamente, o primeiro trecho
entregue do ramal foi esse, com Muzambinho como ponta de ramal.
Abaixo, nas caixas, pode-se notar que a inauguração
da estação, prevista para janeiro de 1913, foi, por
algum motivo, adiada para abril desse mesmo ano.
Em 1914, um ano depois, o ramal foi prolongado até Tuiuti,
três estações à frente, para ali se encontrar
com a Rede Mineira de Viação, que vinha com
sua linha desde Cruzeiro, no ramal de São Paulo
da Central do Brasil, cruzando assim boa parte do sul
do Estado de Minas Gerais.
"A estação de trem ficava na baixada, o acesso
às plataformas era difícil, e o transporte da mercadorias
até a estação ou de lá até a
cidade era feito por carroças ou pequenos e antigos caminhões"
(Gustavo da Silva, Muzambinho).
A estação de Muzambinho foi desativada com
o ramal, em 7/11/1966.
O prédio fica dentro do perímetro urbano, ocupado
em 2016 pela Cooperativa dos Cafeicultores de Muzambinho, estando
bem conservado. À frente da antiga estação,
foi construída, em 1936, uma exótica praça,
com imensos bancos de pedra lavrada, tendo com peça principal
um tanque seco, encimado por um obelisco de gosto discutível.
É de se notar que a plataforma da estação fica
muito próxima ao barranco ao lado do rio Moçambo (ou
Muzambo, como diz o povo); fica difícil de entender como
o pátio ferroviário espalhava seus desvios. Só
quem viu poderia explicar. É até possível que
parte do antigo pátio tenha desbarrancado ou tenha sido removido
após a desativação da linha.
ACIMA:
Trem de lastro próximo a chegar a Muzambinho em 1912
(O Estado de S. Paulo, 26/9/1912).
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1913
AO LADO: Aviso de inauguração
da estação de Muzambinho e de mais duas em 1913
(O Estado de S. Paulo, 1/1/1913).
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1913
AO LADO: Aviso de inauguração da
estação de Muzambinho e de mais duas em 1913
(O Estado de S. Paulo, 1/1/1913).
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ACIMA: Inauguração da estação
de Muzambinho em 1913 - CLIQUE SOBRE A FOTO PARA VER A REPORTAGEM
TODA (A Época, 7/4/1913). ABAIXO:
Localização da estação de Muzambinho
(embaixo, localizada na curva em W da linha preta grossa em 1939)
(CLIQUE SOBRE O MAPA PARA VER A ÁREA AMPLIADA) (Arquivo
Publico Mineiro)


ACIMA: Muzambinho em 1925 (Acervo Thadeu
Varoni). ABAIXO: Na estação de Muzambinho,
o que deve ser o chefe da estação e sua família,
provavelmente nos anos 1920 (http:// muzambinhominasgerais.blogspot.com).
(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa
local; Adriano Martins; Eduardo Roxo Nobre; Wanderley Duck; A Época,
1913; O Estado de S. Paulo, 1912 e 1913; Cia. Mogiana: Relatórios
anuais, 1900-69; http://muzambinhominasgerais.blogspot.com; Cia.
Mogiana: relatório oficial de estações, 1937;
Álbum da Mogiana, c.1914; Mapas - acervo R. M. Giesbrecht)
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