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VXY Mogiana em MG
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Ataliba Leonel
Piraju
Cel. Francisco J. Leite
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Saída para a Tramway de Piraju (1915-37): Cel. Francisco J. Leite
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ramal de Piraju-1935

IBGE - 1960
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 2010
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E. F. Sorocabana (1906-1966)
PIRAJU
Município de Piraju, SP (veja a cidade)
Ramal de Piraju - km 411,294 (1960)   SP-2080
Altitude: 589 m   Inauguração: 03.10.1906
Uso atual: museu (2016)   sem trilhos
Data de construção do prédio atual: 1908
 
 
HISTORICO DA LINHA: O ramal de Piraju, com 26,041 km, foi aberto ao tráfego em 3 de outubro de 1906, e na época era na verdade a continuação da linha do Tibagi, nome na época do tronco da Sorocabana. A linha tinha apenas duas estações, Ataliba Leonel e Piraju, e partia da estação de Manduri. Em 1908, com a linha do Tibagi continuando a partir de Manduri, a linha de Piraju passou a ser o ramal de Piraju. A linha foi construída, na verdade, com a Câmara Municipal de Piraju bancando parte do seu custo. O ramal foi um dos dois últimos, ao lado do ramal de Santa Cruz do Rio Pardo, ali próximo, dos curtos ramais da Sorocabana a ser desativado, no final de 1966. Em seguida, os trilhos foram retirados e tudo caiu no abandono.
 
A ESTAÇÃO: A estação de Piraju, inaugurada em 1906 como ponta da linha do Tibagi, transformou-se dois anos mais tarde no ponto terminal do ramal de Piraju, visto que o que viria a se tornar o tronco da Sorocabana continuou a partir de Manduri para oeste. Na verdade, o ramal Manduri-Piraju foi custeado pela Prefeitura de Piraju, interessada em ter a Sorocabana coletando café em suas terras. Construída e aberta em 05/04/1908, portanto dois anos depois de sua inauguração, na época de Percival Farquar, empresário americano dono da Sorocabana a partir de 1907 e de uma enorme rede ferroviária no Brasil da época, a nova estação seguia uma tipologia arquitetônica diferente das demais estações construídas pelo governo, tendo sido projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo. Antes dela existia uma estação provisória. Vale lembrar também que quem construiu a estrada de rodagem que ligou a estação, longe da cidade, à ponte sobre o rio Paranapanema foi a Sorocabana.

A partir de 1915, passou a ligar a estação à cidade, e dali a Sarutaiá, uma linha de bondes com 26 km - mesma extensão do ramal - que, segundo Werner Vana, tem importância histórica devido a dois fatos: a conexão com a estação da Sorocabana, e pelo fato de Piraju ser na época a menor cidade do Estado de São Paulo. Na época da inauguração dos bondes, a cidade tinha menos de 4000 habitantes.

Os bondes foram desativados nos anos 1930, 30 anos antes do fim das operações no ramal.

Em 1937, o conjunto da estação passou por grandes transformações: novas unidades residenciais foram construídas, além de outro armazém, maior que o original. A estação foi ampliada no piso superior: lá era a residência do chefe da estação e, por causa da família numerosa, foram construídos mais dois quartos.

Com a desativação do ramal ferroviário em 1966, o local ficou em estado de semi-abandono. Os armazéns ainda foram usados até 1971 para estoque de café produzido na região, em sacas que passaram a ser enviadas de caminhão para a estação de
Bernardino de Campos, onde eram transportadas pelos trens da Sorocabana.

A estação, bem como todo o ativo do ramal, passou não para a Fepasa, em 1971, mas para o Governo do Estado. Foi usado pela Prefeitura e alguns outros usos, depois foi invadida, e depois foi abandonada.

Um acordo entre a Prefeitura e o Estado, onde este último doou a área para o município, permitiu o uso provisório dos galpões o que, de fato, resultou em certo nível de conservação dos imóveis. A doação exigiu que o conjunto fosse usado para fins culturais. A estação continua abandonada, mas os armazéns estão sendo utilizados como oficina cultural com apoio do Senac, já desde 1997.

Finalmente, em 2009, iniciou-se a restauração do prédio da estação, incluindo a recuperação de seus detalhes e suas pinturas. O museu na estação e no armazém foram finalmente abertos ao público em 2016.

Maiores detalhes sobre a estação de Piraju podem ser vistos no excelente livro ARQUEOLOGIA DA ARQUITETURA: ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE PIRAJU - ENSAIO DE ARQUELOGIA DA ARQUITETURA DE RAMOS DE AZEVEDO, POR DAISY DE MORAIS, EDITORA HABILIS, 2007.

OBRAS OCORRIDAS NA ESTAÇÃO E SEU PÁTIO DE ACORDO COM RELATÓRIOS DA EFS: 1934 - Abastecimento de água


ACIMA: Em 1913, o já ex-Presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, o primeiro à esquerda sentado no tílburi, visita o Brasil e pára em Piraju, aonde foi pelo trem da Sorocabana; Roosevelt estava descendo para o sul, de onde voltaria para o Mato Grosso, onde se encontraria com o General Rondon. Aqui, ele está em frente à estação da cidade (Autor desconhecido - Acervo Elias Vieira). ABAIXO: A estação em reforma, em fotografias de maio de 2009 (Fotos Reinaldo Bernardes Rodrigues).

AO LADO: Folha da Manhã, SP, 1/2/1942.

AO LADO: O mau estado dos armazéns levou à reforma total do conjunto no ano de 1937 (O Estado de S. Paulo, 15/1/1937.


(Fontes: Ralph M. Giesbrecht - pesquisa local; Reinaldo Bernardes Rodrigues; Antonio C. Belviso; Elias Vieira; Adriano Martins; E. F. Sorocabana: relatórios anuais, 1900-69; O Estado de S. Paulo, 27/12/1906 e 1937; Folha de Piraju, 2000-01; Folha de S. Paulo, 1942; Daisy de Morais: Arqueologia da Arquitetura - Estação Ferroviária de Piraju - Ensaio de Arqueologia da Arquitetura de Ramos de Azevedo, Ed. Habilis, 2007; A Cigarra, 1915; IBGE, 1960; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht).
     

A estação de Piraju na época da inauguração do prédio da estação, em 1908. Foto de livro comemorativo da Sorocabana Railway, 1909

A estação de Piraju na época da inauguração do prédio da estação, em 1908. Foto de livro comemorativo da Sorocabana Railway, 1909

No dia da inauguração do bonde, em 1915. Foto da revista A Cigarra, 1915

A estação em festa aguarda a chegada do Presidente do Estado, Jorge Tibiriçá, na inauguração do prédio da estação, em 05/04/1908. Foto cedida por Antonio C. Belviso

A estação abandonada, em 22/10/2000. Foto Ralph M. Giesbrecht

A estação abandonada, em 22/10/2000. Foto Ralph M. Giesbrecht

A estação abandonada, em 22/10/2000. Foto Ralph M. Giesbrecht

A estação em 09/2002. Foto Adriano Martins

A estação vista da cidade, em 09/2002. Foto Adriano Martins

A estação em fase final de restauro, em 9/2009. Foto Reinaldo Rodrigues

A estação já como museu, em 10/2016. Foto Reinaldo Rodrigues
 
     
Atualização: 29.10.2016
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.