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A ESTAÇÃO: "Nos últimos anos do século
19, dois grandes acontecimentos (em Cortês): o primeiro foi
a organização da Companhia da Estrada de Ferro de
Ribeirão a Bonito, cuja construção interrompida
deixava em Cortez o seu ponto terminal. Com 29 quilômetros
de estrada, o ramal foi psteriormente, em 1904, anexado à
Great Western; o segundo foi a fundação, a 7 km de
Cortez, da Usina Pedrosa, pelos descendentes do Barão do
Bonito, aproveitando o estímulo do Barão de Lucena,
que governava o Estado. A usina foi inaugurada em 1892 e trouxe
melhores condições econômicas para a região"
(Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, IBGE,
volume XVIII, 1958). A usina foi centro de conspiração
no período pré-revolução de 1930. Carlos
Cavalcanti, mais tarde Governador do Estado, era na época
gerente da Usina e refugiou ali diversos revolucionários,
entre os quais João Alberto, que chegou a construir
(quando? nessa época? alguns quilômetros de estrada
de ferro da usina, usando nome falso (João Dias).
Sinais dos trens da RFN e da Usina ainda eram marcantes nos anos
1950, como afirma a enciclopédia do IBGE de 1958. "Em
1929, a usina possuía um grande número de propriedades agrícolas,
com capacidade de produção de 70.000 toneladas de cana. Tinha uma
via férrea de 34 quilômetros, cinco locomotivas e 110 carros e vagões.
Possuía capacidade para processar 500 toneladas de cana e fabricar
4.000 litros de álcool em 22 horas. Na época da moagem trabalhavam
na fábrica cerca de 200 operários (...) Em 1965, a usina foi vendida
(...) Os novos donos acabaram com as estradas de ferro e locomotivas,
transformadas em ferro-velho, compraram tratores e caminhões e iniciaram
a construção de estradas de rodagem" (www.fundaj.gov.br/notitia).
Em 1907 (vejam que outra fonte dá outra data), a Great Western
do Brasil incorporou a Estrada de Ferro de Ribeirão a
Bonito, com o compromisso de reconstruir parte da ferrovia,
que já tinha tráfego, e a apresentar os estudos ao
Governo para o prolongamento de Cortez até a cidade
de Bonito. Desde quando operava esta ferrovia? As pouquíssimas
informações me levam a supor década de 1890.
E quando a GWB a incorporou,

Acima, a linha do ramal dentro do município
de Cortez, anos 1950. Curiosamente, não há nenhuma
menção à localização da Usina
Pedrosa, na época a principal atividade econômica da
cidade, nem às suas linhas férreas, que ainda existiam,
e nem à estação de Ilha de Flores, que estava
entre as estações de Cortez e de Linda Flor, estas
sim, assinaladas no mapa (Enciclopédia dos Municípios
Brasileiros, IBGE, volume XVIII, 1958).
estava provavelmente com problemas, pois, acima, vê-se
que ela teria de investir no seu leito para recuperá-la.
A data de inauguração citada acima (1 de julho de
1907) é apenas a data de incorporação da estação
e da ferrovia à GWB (segundo uma das fontes). Outras referências
a esta antiga ferrovia dão-lhe o nome
de E. F. de Ribeirão a Pesqueira, tendo como
principal acionista o Barão de Serinhaem. Pode ter sido esta
o objetivo inicial da ferrovia: afinal, Pesqueira está
numa linha quase reta entre as cidades de Ribeirão,
de onde saía o ramal, Cortez, Bonito e ela.
O ramal jamais passou de Cortez. A estação
de Ilha de Flores ainda está de pé, meio descaracterizada
com um puxado: "Dentro da Usina Pedrosa está a estação de
Ilha de Flores, sem trilhos, mas com os armazéns e vila intacta
(Rodrigo Cabredo, 01/2008).
(Fontes: Rodrigo Cabredo, 2008; www.museudouna.com.br;
www.cprh.pe.gov.br/ downloads; www.fundaj.gov.br/notitia; www.bndes.gov.br/conhecimento/revista/rev1707;
IBGE: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, volumes
IV e XVIII, 1958; Estevão Pinto: História de uma estrada
de ferro no Nordeste, 1949; Marcelo P. Freitas, Maria Emilia L.
Freire e Mariá Silva Faria: Os caminhos do açúcar
em Pernambuco, IPHAN-Pernambuco, 2010; Guia Geral das Estradas de
Ferro do Brasil, 1960; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
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