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Frei Timóteo
Jataizinho
Ibiporã
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 2004
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E. F. São Paulo-Paraná (1932-1944)
RVPSC - linha Ourinhos-Cianorte (1944-1975)
RFFSA (1975-1996)
JATAIZINHO
(antiga JATAHY-PARANÁ e VILLA JATAHY)
Município de Jataizinho, PR
Linha Ourinhos-Cianorte - km 484 (1960)   PR-1484
Altitude: 346 m   Inauguração: 03.05.1932
Uso atual: ALL (2010)   com trilhos
Data de abertura do prédio atual: n/d
 
 
HISTORICO DA LINHA: A Cia. Ferroviaria. Noroeste do Paraná foi aberta ao tráfego em 1924 ligando Ourinhos, na linha-tronco da E. F. Sorocabana, em São Paulo, a Cambará, no Paraná e, no mesmo ano, teve o nome alterado para Cia. Ferroviaria São Paulo-Paraná. Foi comprada logo depois pelos ingleses da Cia. de Terras do Norte do Paraná. Prolongada até Apucarana em 1942 e povoando a região, virgem até 1929, foi vendida ao Governo Federal em 1944 e incorporada imediatamente à RVPSC. Foi prolongada, em diversas fases, até atingir Cianorte, em 1972, onde parou. O tráfego de passageiros, dividido entre os trechos Ourinhos-Maringá e Maringá-Cianorte, parou em 1981 no primeiro trecho, onde rodava com trens de passageiros que vinham de São Paulo, e um pouco antes no outro, onde trafegava em trens mistos. Atualmente circulam apenas trens cargueiros da ALL, atual concessionária, no ramal, e o trecho Maringá-Cianorte está abandonado.
 
A ESTAÇÃO: A estação de Jataí, depois Jataí-Paraná e finalmente Jataizinho, foi inaugurada em 1932, como ponta de linha da E. F. São Paulo-Paraná, aguardando as obras da ponte sobre o rio Tibagi, muito próxima a ela, para cruzar o rio e alcançar Londrina - o que se deu somente em 1935.

"Em Jataizinho, a estação estava fechada, porém não tão abandonada assim. Havia uma certa conservação, ao menos melhor que a de Uraí. Deparamo-nos lá com alguns veículos de manutenção da ALL, da equipe de correção geométrica. Revendo fotos antigas, da mesma ferrovia, percebi que a caixa-dágua está como nova, que apenas uma camada leve de ferrugem a cobriu" (Douglas Razaboni, novembro de 2001).

"Meu pai, Ferrúcio Manfrinato, aí por 1930, deixou São Pedro, perto de Piracicaba, para tentar a sorte no Norte do Paraná, cujo centro importante era Londrina, que seria o polo da colonização e chegada dos trilhos da Estrada de Ferro São Paulo-Paraná. Naquele tempo, tudo mato. A ponte ferroviária estava em construção. Meu pai era trabalhador braçal, antes ajudava meu avô em lavoura de café. Chegou a ser um microempresário de indústria de gordura animal e açougue e dono de hospedaria e restaurante. O ponto principal, que me atinge, é a estação ferroviária do então Jataí-Paraná, pois minha casa ficava vizinha e eu, com 10 a 13 anos, ganhava uns trocados carregando mala da estação até ponto de ônibus ou ao Hotel Jataí, de João Manfrinato. Todo dia era como uma festa a chegada do trem vindo de Ourinhos com passageiros procedentes de São Paulo e de outras partes do Brasil, do Nordeste e às vezes até estrangeiros. O trem apitava na curva longínqua, resfolegava; ao chegar batia o sino, sendo que a estação também tinha sino. Daí os viajantes desembarcavam dos vários vagões, e os moleques estavam prontos para pegar as malas.

Enquanto aguardávamos a chegada do trem, nós garotos brincávamos por ali e o mais habitual, para evitar o sol quente, era jogar pedrinhas embaixo da caixa d'água. Havia dois jogos, um com 5 pedrinhas e outro com 20. E a gente passava às vezes mais de hora "jogando", com brincadeiras, piadas, algazarra, próprias de crianças. Alguma
briguinha também. Às vezes também bolinhas de gude. E correrias tipo esconde-esconde, utilizando os vagões estacionados no pátio, pois havia outros dois desvios com uns 300 m de extensão. Ali havia extração de areia do Rio Tibagi e olarias de fabricação de telhas e tijolos, e os produtos, transportados em vagões-gôndolas para vários destinos. Então, a sombra da caixa d'água, de ferro e forma aproximadamente cúbica era o nosso ponto ou refúgio num tempo em que a gente nem reparava na forma e aspecto dela e, somente após um bom tempo é que a gente, com saudade, vendo-a ainda nas fotos de 2001 em seu aspecto original, relativamente bem conservada, lhe dá uma importância histórica associada a um sentimento de veneração por algo que não atinge os estranhos não vinculados ao papel que, durante muitos anos, desempenhou" (Paulino Manfrinato, Curitiba, PR, 06/2005).

A estação servia, pelo menos até 2010, à concessionária ALL. Em 2000, tinha 4 desvios no pátio. A caixa d'água, essa foi demolida, sabe-se Deus por que.


ACIMA: No dia da inauguração do trecho Jataí-Londrina, em 1935 (Foto George Craig Smith).

ACIMA: Construção da ponte ferroviária sobre o rio Tibagy em 1934. A ponte foi entregue ao tráfego em 28 de julho de 1935 (O Estado de S. Paulo, 11/11/1934). ABAIXO: Mapa da linha em 1935 (Acervo Sud Mennucci/Ralph M. Giesbrecht).

(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local; Paulino Manfrinato; José Carlos Neves Lopes; Antonio Rapette; Wanderley Duck; Douglas Razaboni; Fernando Domeze; Cia. Melhoramentos Norte do Paraná; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960)
     

Estação de Jataí-Paraná, no dia da inauguração, em 1932. Foto cedida por Wanderley Duck


A estação, anos 1930. Autor desconhecido


Estação de Jataí-Paraná, em 1939. Foto do acervo de José Carlos Neves Lopes, enviada por Antonio Rapette

A caixa d'água da estação, em 11/2001. Foto Douglas Razzaboni

Plataforma da estação, em 11/2001. Foto Douglas Razzaboni

Fachada da estação, em 11/2001. Foto Douglas Razzaboni

Na plataforma, dados de kmtragem e altitude... (11/2001) Foto Douglas Razzaboni

A estação em junho de 2008. Foto Fernando Domeze
 
     
Atualização: 09.10.2017
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.