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Rede Mineira de Viação (1931-1965)
V. F. Centro-Oeste (1965-1970)
JOAQUIM MATOSO
Município de Santa Rita do Jacutinga, MG
Linha da Barra - km 266,625 (1960)   MG-2594
  Inauguração: 01.01.1931
Uso atual: n/d   sem trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d
 
HISTORICO DA LINHA: O primeiro trecho da linha da Barra foi aberto pela V. F. Sapucaí em 1891. Chegou a Baependi em 1895 e parou. Do outro lado, os trechos entre Santa Rita do Jacutinga e Passa-Três, no Estado do Rio, foram construídos a partir de 1879 pela E. F. Santa Isabel do Rio Preto, a E. F. Pirahyense e a E. F. Santana, depois absorvidas pela Sapucaí. De Santa Rita a Baependi, seguiram da primeira para chegar a Baependi somente em 1910. Apenas nesse ano, então, consolidou-se a linha da Barra, com esse nome por causa de Barra do Piraí. Os trens de passageiros circularam até 1942 entre Barra do Piraí e Passa-Três, terminal da linha no Estado do Rio; até 1961, entre Santa Rita do Jacutinga e Barra do Piraí; até 1970, entre Bom Jardim e Santa Rita; até 1972 entre Soledade e Aiuruoca; e até 1977 entre Aiuruoca e Bom Jardim. Os trilhos de toda a linha já foram retirados.
 
A ESTAÇÃO: A estação de Joaquim Matoso foi inaugurada em 1931. Atendia, entre outras, à Estância Jacutinga. Fechou com a linha, nos anos 1960. "O topônimo Vargem do Sobrado tem sua origem em um sobrado, que lá existiu. (...) Nessas terras, á margem esquerda do rio Jacutinga, foi edificada uma casa, em estilo colonial rural, dois pavimentos, caiada de branco, janelas retangulares e retangular, também, sua planta baixa. A parte residencial era, somente, no segundo pavimento. Uma escada interna dava acesso á sala de visitas. Bem, os visitantes eram muitos, pois o círculo de amizades da família era amplo. (...) O sobrado, como já foi registrado, não mais existe. Ruiu sua construção forte, em peças de madeira de lei, mais frágil, em suas paredes de "pau-a-pique" - um trançado de ripas de palmeira massa obtida de mistura de terra e água. No telhado, usaram telhas coloniais, em forma de grandes bicas. A denominação da vargem continua, apesar de tombado o sobrado. A Vargem do Sobrado já teve sua época de intensa vida social cíclica, dependendo das datas das Missas. Jamais ela constitui um povoado, mas o ponto de convergência de todos os fazendeiros residentes naquele núcleo centro-oeste do município. De início, a capela pequena era situada abaixo da colina, ás margens da estrada, que seguia para a fazendo do Socorro. Foi edificada em cumprimento de promessa feita, pelo Cel. Archimimo Mendonça, à N. Senhora do Perpétuo Socorro, por ocasião de moléstia de sua esposa Alice Osório de Mendonça. Como a devoção se foi ampliando, tornou-se pequena a capelinha, para receber os fiéis. Eram muito concorridas as Missas dominicais, ali celebradas por Monsenhor Marciano. Concluiu-se que seria mais prudente a elevação de casa maior, para receber a imagem, cuja origem é bizantina e sempre se apresenta em estampa emoldurada. A família Mendonça obteve imagem em gesso e, na época, era rara, embora, não antiga. Os habitantes da região se cotizaram e edificaram a atual capela. Os herdeiros legalizaram a doação do terreno, incluindo o do barracão e estrada de acesso. Por várias vezes, a capela serviu de escola estadual e municipal. O Estado, em certa época, extinguiu a escola da Vargem do Sobrado e com ela a sua denominação, Escola Estadual "Cassiano Ferreira de Mendonça". Foi um ato tranqüilo e normal: desapareceu a única homenagem ao comandante de Batalhão de Rio Preto, que lutou, na cidade de Sta. Luzia , ao lado e sob a chefia do Duque de Caxias... Como se notava algo de misteriosamente grandioso - e ao mesmo tempo modesto - nas festividades da Vargem do Sobrado! Principalmente, no espaço de tempo compreendido entre as décadas de 20 e 50. A capela , o sobrado acolá, duas casinhas ao pé da colina, uma lojinha denominada "venda", a porteira divisória, nos limites da fazenda do Socorro com o território do sobrado, a estrada arenosa constituíam aquele mundo. Ah!... havia o campo de futebol, sim senhores , um campo de futebol! A festa compreendia a Santa Missa celebrada em horário indeterminado, porquanto o Monsenhor possuía a angélica paciência de aguardar a presença de todos. Mas isso ocorria até meio dia, pois, naquela época , ainda não fora introduzida a Missa Vespertina, no ritual católico. Missa rezada em latim e orações respondidas pelo sacristão Antônio da Izídia. Era ele o sacristão rural, pois, o titular da matriz foi o Tatão Sacristão, o melhor turiferário que já se viu e, em matéria de liturgia de acólito, possuía conhecimento profundo. Mas pode-se imaginar o latim do suplente Antônio da Izídia?! Após à Missa, havia o leilão, usando-se o que se convencionou chamar barracão. Sobre a mesa com toalha alva, ficavam pratos, vasos de flores, cestas de papel colorido, objetos doados e que, em todo município, se chamam prendas. O leilão não atingia maiores projeções. De quando em vez, era organizada uma procissão, à tarde, devido á falta de luz elétrica. E os fiéis cantavam alguns hinos religiosos: "Queremos Deus", louvores a N. Senhora e uma Ave Maria alegre e, extremamente original em sua melodia e que, no final, fazia surgir uma expressão... "nasceu Jesus". A essa reunião, compareciam todos os fazendeiros e colonos das imediações. Chamavam-se colonos todas as famílias com residência dentro dos limites das fazendas. Assim sendo, iam à Vargem do Sobrado: (...), entre outros, (...) o casal Geraldo e Alzira Mendonça, da Estância Jacutinga, bem próxima já da estação ferroviária de Joaquim Matoso (...) É certo, havia mais pessoas. (...)" (A Vargem do Sobrado, Célia Mendonça da Fonseca, do site http://www.hottopos.com/videtur8/sobrado.htm)
     
   
     
     
Atualização: 09.10.2005
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.