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Estações de Minas Gerais
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RMV - Linha da Barra
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Joaquim Matoso
Imbuzeiro
Santa Rita do Jacutinga
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V. F. Sapucaí (1893-1910)
Rede Sul-Mineira (1910-1931)
Rede Mineira de Viação (1931-1965)
V. F. Centro-Oeste (1965-1970)
IMBUZEIRO
Município de Santa Rita do Jacutinga, MG
Linha da Barra - km   MG-2593
  Inauguração: 15.01.1893
Uso atual: n/d   sem trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d
 
HISTORICO DA LINHA: O primeiro trecho da linha da Barra foi aberto pela V. F. Sapucaí em 1891. Chegou a Baependi em 1895 e parou. Do outro lado, os trechos entre Santa Rita do Jacutinga e Passa-Três, no Estado do Rio, foram construídos a partir de 1879 pela E. F. Santa Isabel do Rio Preto, a E. F. Pirahyense e a E. F. Santana, depois absorvidas pela Sapucaí. De Santa Rita a Baependi, seguiram da primeira para chegar a Baependi somente em 1910. Apenas nesse ano, então, consolidou-se a linha da Barra, com esse nome por causa de Barra do Piraí. Os trens de passageiros circularam até 1942 entre Barra do Piraí e Passa-Três, terminal da linha no Estado do Rio; até 1961, entre Santa Rita do Jacutinga e Barra do Piraí; até 1970, entre Bom Jardim e Santa Rita; até 1972 entre Soledade e Aiuruoca; e até 1977 entre Aiuruoca e Bom Jardim. Os trilhos de toda a linha já foram retirados.
 
A ESTAÇÃO: A estação do Imbuzeiro foi inaugurada em 1893. Atendia, entre outras, à fazenda Várzea do Sobrado. Fechou com a linha, nos anos 1960. "Vargem do Sobrado é a denominação de localidade situada na planície da confluência do córrego do Coelho, com o rio Jacutinga. Há, nela, terrenos férteis para a pecuária, apropriados á cultura do milho e uma parte alagadiça, com plantas nativas: angelica silvestre, banana do brejo, taboa, etc., área que, para o plantio de arroz, necessita de drenagem e preparação adequada. Da Vargem do Sobrado, olhando-se na direção sudeste, avistam-se ao longe, em primeiro plano, os sinais do antigo traçado inclinado da linha da extinta Rede Mineira de Viação. Sua pequena estação ainda se encontra lá erguida, com o deslocado nome de Imbuzeiro, mais adequado á localidade do nordeste. Por essa estrada, outrora com intenso movimento, passavam, diariamente, dois trens de passageiros e várias composições de carga, com dormentes para reposições ou lenha, muita lenha, caprichosamente, empilhadas em pranchas. O vapor das locomotivas era obtido pela queima da lenha. O percurso consistia, (...) até 1967, da ligação entre Soledade (MG) e Barra do Piraí (RJ). Os trens de passageiros, extremamente limpos, sem o carvão da Central do Brasil, eram compostos de vagões de carga, por onde descia o leite para as duas cooperativas de laticínios de Santa Rita, um vagão dividido ao meio, com o chefe do trem e a outra metade para os correios e o funcionário responsável. O vagão de passageiros, também, era composto de bancos de madeira, 2a classe e a outra, com poltrona estofadas com um muito especial forro de palhinhas amarelas. Havia o "trem de cima" e o "trem de baixo", dependendo de sua procedência. Houve época em que corria uma composição de luxo, trem noturno que, pelos seus usuários, recebeu o nome de "almofadinha." (...) O topônimo Vargem do Sobrado tem sua origem em um sobrado, que lá existiu. (...) O sobrado, como já foi registrado, não mais existe. Ruiu sua construção forte, em peças de madeira de lei, mais frágil, em suas paredes de "pau-a-pique"- um trançado de ripas de palmeira massa obtida de mistura de terra e água. No telhado, usaram telhas coloniais, em forma de grandes bicas. A denominação da vargem continua, apesar de tombado o sobrado. (...) sr. Álvaro era o chefe da estação de Imbuzeiro (...) Havia uma linha telefônica, na Vargem do Sobrado, no transcurso das décadas de 20 a 40. Ligava a estação da estrada de ferro RMV á fazenda de Luís Monteiro Ventura, fazenda do Socorro, Estância Jacutinga e a Fazenda dos Moinhos, onde residia um colono dos irmãos Antônio e Geraldo Mendonça. (...) Da estação do RMV avistava-se, muito bem, a estrada que ligava a fazenda do Socorro à Vargem do Sobrado. No decorrer da Revolução de 1930, Santa Rita foi considerada local estratégico devida à proximidade de fronteiras estaduais. Em vista disso, nossa vila foi, prontamente, invadida por forças fiéis ao presidente Washington Luis, representadas por soldados da polícia do Estado do Rio. Os invasores se aproximaram de poucas autoridades da vila, apossaram-se de trens de ferro e, uma parte ficou sediada em Imbuzeiro. Diariamente, a composição subia até à antiga estação de Residência, á procura de soldados ou civis rebeldes. Enquanto isso, não deixavam de cobrir, com a mira de uma metralhadora, a estrada, que se avistava abaixo. Era a estrada que ligava a fazenda do Socorro à Vargem do Sobrado e, conseqüentemente, à vila de Santa Rita. Do alto, atiravam nos raros cavaleiros, que se dispunham a correr o risco. Felizmente, a polícia não oferecia bom treinamento, os soldados não possuíam boa mira, a metralhadora era antiquada, a intenção era somente assustar, manter um certo grau de intranqüilidade... O fato é que jamais alguém foi atingido. (...) A facilidade de comunicação de trens, em Barra do Piraí, fazia com que a esparsa população da Vargem do sobrado fosse assinante de jornais do Rio de Janeiro. Assim sendo, diariamente três ou mais fazendeiros recebiam, no dia, sem falha, o órgão dos Diários Associados, o Jornal. Era levado, da estação aos seus assinantes, pelo menino leiteiro, isto é aquele que tangia os burros com as latas de leite."
(A Vargem do Sobrado, Célia Mendonça da Fonseca, do site http://www.hottopos.com/videtur8/sobrado.htm)
     
   
     
     
Atualização: 18.06.2007
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.