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| Cia. Mogiana de
Estradas de Ferro (1877-1886) |
ATERRADINHO
Município de Casa Branca, SP |
| Linha-tronco original - km ? |
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SP-0957 |
| Altitude: - |
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Inauguração: 1877 |
| Uso atual: demolida |
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sem trilhos |
| Data de construção do
prédio atual: 1883? (já demolida) |
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| HISTORICO DA LINHA: A linha-tronco
da Mogiana teve o primeiro trecho inaugurado em 1875, tendo chegado
até o seu ponto final em 1886, na altura da estação de Entroncamento,
que somente foi aberta ali em 1900. Inúmeras retificações foram feitas
desde então, tornando o leito da linha atual diferente do original
em praticamente toda a sua extensão. Em 1926, 1929, 1951, 1960, 1964,
1972, 1973 e 1979 foram feitas as modificações mais significativas,
que tiraram velhas estações da linha e colocaram novas versões nos
trechos retificados. A partir de 1971 a linha passou a ser parte da
Fepasa. No final de 1997, os trens de passageiros deixaram de circular
pela linha. |
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A ESTAÇÃO: A estação do
Aterradinho foi uma das estações mais antigas e de vida mais
curta da história da Mogiana. Local do qual não se conhecem fotografias,
pertencia à linha-tronco original da ferrovia. A menção mais
antiga a ela é também a mais importante: o Imperador Dom Pedro
II visitou Casa Branca em novembro de 1877, numa
visita que tinha como objetivo a inauguração do trecho entre Mogi-Mirim
e Casa Branca, bem como da própria estação da cidade.
Porém, com as fortes chuvas do final daquele ano, a finalização do
trecho final teve de ser adiada para o início de 1878... a viagem
foi mantida, e o Imperador acabou descendo no Aterradinho,
para, de lá, ser transportado de carruagem para a cidade, pois a linha
chegava somente até ali. A estação, portanto, já
era citade no final de 1877. Porém, o relatório do Presidente
da Província de São Paulo de 1884 cita a construção
da estação do Aterradinho no ano anterior (1883).
O que existia ali seria provisório, mesmo porque ela somente
seria necessária mesmo a partir de 1881, com a abertura do
primeiro trecho da linha que dali saía e seguiria para Laje,
São Simão e Ribeirão Preto. Mais
tarde, a estação foi utilizada como ponto de partida para a "linha
do Ribeirão Preto", que era, na verdade, o prolongamento da linha-tronco
da Mogiana, que, até o final de 1881, ia somente até a estação de
Casa Branca. O trecho a seguir , extraído do relatório
da Mogiana de 20/09/1880, explica o motivo: "A linha de Entre Rios
convém entroncar-se na linha primitiva, seis kilometros antes de Casa
Branca (...) por causa da disposição de terreno".
Note-se
ESTAÇÃO
DE SERTÃOZINHO
Há pelo menos uma literatura, da qual não consegui
o nome, que menciona que a estação do Sertãozinho
(nada a ver com a cidade e estação de Sertãozinho,
no município do mesmo nome), constante nos relatórios
da Mogiana de 1878 como inaugurada no início desse ano,
seria, na verdade, a estação do Aterradinho.
Por que teria mudado de nome, não se sabe. Note-se que
a referência a Dom Pedro II descendo no Aterradinho
no final de 1877 (ver texto maior) foi escrita anos depois,
portanto o nome usado não teria sido Sertãozinho,
que ainda não estava inaugurada - a linha não
estava pronta, como podemos ler. Sabe-se também que a
estação teria sido fechada nesse mesmo ano de
1878, mas a possibilidade de ela ser a de Aterradinho,
eventualmente reaberta depois com esse nome, realmente existe.
(Ver SERTÃOZINHO-1878) |
TRENS
- De acordo com os guias de horários, os trens de passageiros
- pararam nesta estação de 1878 a 1887. Veja aqui
horários
em 1886 publicado no Almanach 1887 de Júlio de
Souza Amaral Gurgel
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que Entre Rios era o nome pelo qual a cidade
de Ribeirão Preto foi conhecida por um curto espaço
de tempo, entre 1877 e 1880. Era mais fácil, devido ao terreno, a
nova linha sair do tronco, antes da chegada deste a Casa Branca.
Assim, trens desembarcavam passageiros no Aterradinho, que
esperavam pelo novo comboio que saía de Casa Branca
tendo como destino Ribeirão Preto. Era assim necessário, porque,
curiosamente, o trem saía de Casa Branca para Ribeirão
antes que chegasse o outro, vindo de Campinas. Em 01/11/1881,
a linha do Ribeirão Preto era inaugurada até a estação
de Lage, 22 km à frente. Somente em agosto de 1882 ela chegava
a São Simão, e no final de 1883, a Ribeirão Preto.
A estação do Aterradinho foi suprimida em 30
de junho de 1886, segundo o relatório da Mogiana, desse ano: "desde
30/06/1886 que ficaram os trens para Ribeirão Preto partindo da estação
de Casa Branca, supprimindo-se a parada do Aterradinho e baldeação
dos passageiros de Casa Branca. Conforme o projecto executado, a linha
do Ribeirão Preto parte (agora) de Casa Branca acompanhando paralelamente
na extensão de um kilometro a linha do Tronco, separando-se desta
no logar onde está colocado o triangulo, para alcançar a linha do
Ribeirão Preto no km 170+800 m. A distancia deste ponto a Aterradinho
é a mesma que a Casa Branca". Outro trecho do mesmo relatório,
repete, mais à frente: "Mudou-se o ponto de partida da linha do
Ribeirão Preto de Aterradinho para Casa Branca, construindo-se para
esse fim uma linha de 4.200 m de extensão". Finalmente, o relatório
do ano de 1887 escreve que "o posto de signal de Aterradinho, tornando-se
inutil lá, pela supressão da estação, foi mudado para Casa Branca,
onde determina a entrada dos trens do tronco e da linha do Ribeirão
Preto". O Almanach da Provincia de S. Paulo para 1887 ainda
dava os horários em que os trens passavam por lá: o P1 saía de Campinas
às 9:30 e chegava a Aterradinho às 14:37, e a Casa Branca
treze minutos mais tarde; enquanto isto, o P3 , que saía de Casa
Branca às 14:20, já estava no Aterradinho desde as 14:32,
esperando os passageiros de Campinas. Em Aterradinho
não se vendiam bilhetes. Nenhum dos relatórios da Mogiana da época
cita qualquer bilhete vendido ali, ao contrário de todas as outras
estações. Era, na verdade, uma parada, que, aparentemente, pode não
ter tido nenhum prédio construído. Sobrou apenas o nome do córrego
e da lagoa próximos, que aliás devem ter sido o que deu o nome à estação.
Esta, por sua vez, ficou somente para a história. Não se conhecem
fotos da estação.
(Fontes: Júlio de Souza Amaral Gurgel: Almanach
para 1887; Cia. Mogiana: Relatórios anuais, 1875-1900; Mapa
- acervo R. M. Giesbrecht) |
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| Atualização:
17.05.2016
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