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Q R S T U
VXY Mogiana em MG
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São Silvestre
Bom Jesus
Jacareí
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ram. S. Paulo EFCB-1950
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 2000
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E. F. Central do Brasil (1894-1975)
RFFSA (1975-1996)
BOM JESUS
Município de Jacareí, SP (veja o bairro)
Ramal de São Paulo - km 416,120   SP-1047
Altitude: 572 m   Inauguração: 05.08.1894
Uso atual: demolida   com trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d (já demolido)
 
 
HISTORICO DA LINHA: Em 1869, foi constituída por fazendeiros do Vale do Paraíba a E. F. do Norte (ou E. F. São Paulo-Rio), que abriu o primeiro trecho, saindo da linha da SPR no Brás, em São Paulo, e chegando até a Penha. Em 12/05/1877, chegou a Cachoeira (Paulista), onde, com bitola métrica, encontrou-se com a E. F. Dom Pedro II, que vinha do Rio de Janeiro e pertencia ao Governo Imperial, constituída em 1855 e com o ramal, que saía do tronco em Barra do Piraí, Província do Rio, atingindo Cachoeira no terminal navegável dois anos antes e com bitola larga (1,60m). A inauguração oficial do encontro entre as duas ferrovias se deu em 8/7/1877, com festas. As cidades da linha se desenvolveram, e as que eram prósperas e ficaram fora dela viraram as "Cidades Mortas"... O custo da baldeação em Cachoeira era alto, onerando os fretes e foi uma das causas da decadência da produção de café no Vale do Paraíba. Em 1889, com a queda do Império, a E. F. D. Pedro II passou a se chamar E. F. Central do Brasil, que, em 1896, incorporou a já falida E. F. do Norte, com o propósito de alargar a bitola e unificar as 2 linhas. O primeiro trecho ficou pronto em 1901 (Cacheoira-Taubaté) e o trecho todo em 1908. Em 1957 a Central foi incorporada pela RFFSA. O trecho entre Mogi e São José dos Campos foi abandonado no fim dos anos 1980, pois a construção da variante do Parateí, mais ao norte, foi aos poucos provando ser mais eficiente. Em 31 de outubro de 1998, o transporte de passageiros entre o Rio e São Paulo foi desativado, com o fim do Trem de Prata, mesmo ano em que a MRS passou a ser a concessionária da linha. O transporte de subúrbios, existente desde 1914 no ramal, continua hoje entre o Brás e Estudantes, em Mogi e no trecho D. Pedro II-Japeri, no RJ.
 
A ESTAÇÃO: A estação de Bom Jesus foi aberta em 1894. As informações dizem que ali nunca teria havido um prédio, mas uma pequena parada com uma plataforma, talvez apenas aquelas coberturas de madeira ou trilhos sustentando um pequeno telhado de telhas de barro ou de fibrocimento.

Em janeiro de 1916, a estação, que havia sido fechada pela Central do Brasil (não sei quando nem por que), foi reaberta a pedido da Câmara Municipal de Jacareí, "ficando o seu custeio a cargo do Sr. Manuel Lopes Leal, proprietário da fazenda da sede da 'Industria Pastoril'" (O Estado de S. Paulo, 5/1/1916). No artigo do jornal, este se referiu à "estação do km 418", que, efetivamente, era Bom Jesus. Conferindo no Guia Levi de 1917 (ano seguinte), a estação já tinha nome.

"Meu bisavô, na época já com todos os filhos e alguns já casados e com 6 filhos, adquiriu uma fazenda em Bom Jesus bem na parte que passa perto do rio Paraíba. principalmente, por ficar perto de Sabaúna, para a família crescer junta em termos de vendas de produtos como frutas, verduras, café, etc. e também pela linha férrea, pois ela passava dentro ou muito perto da fazenda. Ali havia um lago e riachos, o que ajudava muito, pois produziam tudo por lá, vinho, queijos e pães para consumo próprio, além de pêssegos, pêras. Caquis, uvas, café, alface, banana, que eram vendidos e transportados pela ferrovia para o Rio e São Paulo. Meu bisavô construiu ali a escola, o posto de saúde e outros melhoramentos. A fazenda já foi vendida há muito tempo, logo após a morte do meu bisavô na década de 1950 ou 1960, não lembro direito; hoje a Rodovia Carvalho Pinto passa dentro do local onde ela ficava. Eu estive lá pela última vez em 1988, onde havia escombros pelo menos da escola, uma parte da fazenda era na época um hotel fazenda, que acho que não existe mais" (Rogerio Diaz Gimenez, 02/2005).

Com a desativação do ramal nos anos 1990, ficou no trecho abandonado da linha, entre as estações de César de Souza e São José dos Campos, e foi demolida.

Já estava demolida em 1994, quando a linha, depois de quase dez anos de paralisação, voltou a ser utilizada em caráter precário devido a um acidente na variante do Parateí. Como a RFFSA precisava de uma estação para trocar staff, pegou o bar que existia ali, a uns 200 metros da estação e não junto da linha (estava separado dela pelo leito da estrada) e o usou como estação.

O bar ainda existia por ali em 2006. A plataforma havia estado coberta com muito mato e sujeira, mas tinha sido limpa. Perto dela, o tal bar e várias casas abandonadas, além de uma igreja. O acesso à antiga estação era fácil, desde que se conhecesse a região e suas estradas não pavimentadas, num trecho em que a linha passa muito longe da área urbana e das estradas asfaltadas.

(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local; Rogerio Dias Gimenez; Coaraci Camargo; Kelso Medici; O Estado de S. Paulo, 1916; Max Vasconcellos: Vias Brasileiras de Comunicação, 1928; Guias Levi, 1932-80; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
     

A plataforma da estação ainda recebia o trem turístico, em agosto de 1984. Foto Kelso Medici

Restos da plataforma coberta de mato, em 28/10/2000. Foto Ralph M. Giesbrecht

Limparam o mato da plataforma, em 5/11/2006. Foto Coaraci Camargo

Nilce Baleeiro observa, talvez esperando o trem que não virá, enquanto Coaraci Camargo fotografa a plataforma, em 5/11/2006.
   
     
Atualização: 11.12.2016
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.