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VXY Mogiana em MG
Índice de estações
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Granja
Doutor Privat
Camocim
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ramal de Camocim - 1950
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ESTIVE NO LOCAL: NÃO
ESTIVE NA ESTAÇÃO: NÃO
ÚLTIMA VEZ: N/D
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Rede de Viação Cearense (1915-1975)
RFFSA (1975-c.1980)
DOUTOR PRIVAT
Município de Camocim, CE
Ramal de Camocim - km 348,842 (1960)   CE-3483
Altitude: 10 m   Inauguração: 12.09.1926
Uso atual: em ruínas (2007)   com trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d
 
 
HISTORICO DA LINHA: O ramal de Camocim originalmente foi o trecho inicial da E. F. do Sobral (Camocim-Sobral), aberto nos anos 1881 e 1882. Em 1909, toda a E. F. de Sobral foi juntada com a E. F. de Baturité para se criar a Rede de Viação Cearense, imediatamente arrendada à South American Railway. Em 1915, a RVC passa à administração federal. A linha da antiga E. F. de Sobral chega a seu ponto máximo em Oiticica, na divisa com o Piauí, em 1932, mas, em 1950, com a ligação de Sobral a Fortaleza pelo ramal de Itapipoca, o trecho Sobral-Camocim passou a ser um ramal apenas, saindo da linha Norte, formada a partir de então. Trens de passageiros percorreram o ramal até agosto de 1977. A linha foi então desativada e, embora oficialmente tenha sido erradicada em 1994, seus trilhos foram retirados bem antes dessa data.
 
A ESTAÇÃO: A estação de Doutor Privat foi inaugurada em 1926. Seu nome havia sido dado em homenagem a um dos diretores que abriram a ferrovia em 1881, José Privat, que também fez o projeto da igreja matriz de Camocim nessa mesma época. A estação e a casa do agente, ainda existente e também abandonada, foram edificadas em uma das extremidades das terras de Edvaldo Soeiro Frota. Em 1960 já era apenas uma parada: "Nesse ângulo (da foto) , rumo a Camocim, nota-se que a vegetação é rasteira; onde um dia os trilhos passaram, a natureza colabora e evidencia a história (a vegetação não desenvolve). A R.V.C. - Rede de Viação Cearense , inaugurou-a em 12/09/1926 e sem nenhum progresso no local, é desativada em 1931 e até a extinção da ferrovia em 1977, serviu como ponto de apoio da via permanente. Um pouco mais adiante em 200 m à esquerda, antes, existiu a vila São José" (Ney Robinson, 01/2007). Ney afirma que os dados de sua narrativa
"O povoado talvez nunca tenha sido maior do que (hoje), mas o abandono cruel é visível desde a destruição da pequena estação da RVC, quase a seu lado, até a pobreza atroz de suas moradas. Na Escola não há aulas, pois está em reparos, o Posto de Saúde está fechado, pois está caindo aos pedaços, a água do chafariz é salobra, a Igreja está de pé, mas o padre não vai lá, pois certamente sujará os sapatos no estrume de gado. Os habitantes já estão contando as poucas visitas dos políticos neste ano de eleições municipais. Dr. Privat morreu de uma queda de cavalo, mas hoje não há cavalos, nem burros, nem jumentos, nem motos, só cabras e porcos a procura de comida" (José Xavier Filho, 6/3/2008)
foram extraídos de literatura oficial da RVC. A relação de estações publicada na revista Ilustração Brasileira de 1922 também não cita a estação. O Guia Geral de 1960 cita a data de 1915 para a inauguração, o que faz-nos então concluir que esta data está errada, permanecendo a de 1926 como efetiva. A estação estava em ruínas em 2007. "Entre 1964 (ano que nasci) e 1977 fiz a viagem da minha vida pelos trens de Sobral a Eng° Privat, nas férias de meio e fins de ano. Lembro-me quando às
16:00 hs a locomotiva aproximava-se da estação Dr. Privat e apitando advertia da parada (sem permissão) há muito desativada, em frente à casa para que mamãe e a meninada descesse. A locomotiva parava dentro do corte. Nesse instante o mais alto ramo do pereiro sombreava os trilhos e o sol se punha por trás da grande casa. Era uma grande alegria. Farinhadas, leite no curral, milho e feijão verde. Era a chuva que caia ensopando o massapé firme. Aos sábados ou domingos (não recordo), havia um trem cargueiro retornando para Sobral logo cedo, o maquinista parava o trem, ao que papai os recebia para um delicioso café na casa. Papai nos colocava na cabine da locomotiva para um passeio até a parada do Privat. Ele mesmo conduzia a locomotiva Whitcomb a diesel. Foram momentos inesquecíveis da minha meninice e que por essas locomotivas nutri grande paixão. Que saudade... cresci com meus irmãos correndo e brincando naquele chão, na calçada da estação e no grande espaço oferecido pela grande casa, a Vila S.José" (Ney Robinson, 01/2007).
(Fontes: Ney Robinson; Antonio Camocim Ribeiro; José Xavier Filho; Illustração Brasileira: 2145 Quilômetros pelo Nordeste Brasileiro, 1922; IBGE: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, vol. XVI, 1959; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
     

A estação em ruínas, em 2005. Foto Ney Robinson

A casa do agente da estação, em 2005. Foto Ney Robinson

A estação ainda em ruínas em 2015. Foto Antonio Camocim Ribeiro
   
     
Atualização: 28.05.2015
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.