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E. F. Central do
Brasil (1934-1975)
RFFSA (1975-1992)
CPTM (1992-2000) |
ENGENHEIRO
GUALBERTO
Município de São Paulo, SP |
| Ramal de São Paulo - km
493,019 |
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SP-0307 |
| Altitude: 738 ms |
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Inauguração: 1934 |
| Uso atual: demolida em 2000 |
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com trilhos |
| Data de construção do
prédio atual: 1970 |
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| HISTORICO DA LINHA: Em
1869, foi constituída por fazendeiros do Vale do Paraíba a E. F. do
Norte (ou E. F. São Paulo-Rio), que abriu o primeiro trecho, saindo
da linha da SPR no Brás, em São Paulo, e chegando até a Penha. Em
12/05/1877, chegou a Cachoeira (Paulista), onde, com bitola métrica,
encontrou-se com a E. F. Dom Pedro II, que vinha do Rio de Janeiro
e pertencia ao Governo Imperial, constituída em 1855 e com o ramal,
que saía do tronco em Barra do Piraí, Província do Rio, atingindo
Cachoeira no terminal navegável dois anos antes e com bitola larga
(1,60m). A inauguração oficial do encontro entre as duas ferrovias
se deu em 8/7/1877, com festas. As cidades da linha se desenvolveram,
e as que eram prósperas e ficaram fora dela viraram as "Cidades Mortas"...
O custo da baldeação em Cachoeira era alto, onerando os fretes e foi
uma das causas da decadência da produção de café no Vale do Paraíba.
Em 1889, com a queda do Império, a E. F. D. Pedro II passou a se chamar
E. F. Central do Brasil, que, em 1896, incorporou a já falida
E. F. do Norte, com o propósito de alargar a bitola e unificar as
2 linhas. O primeiro trecho ficou pronto em 1901 (Cacheoira-Taubaté)
e o trecho todo em 1908. Em 1957 a Central foi incorporada pela RFFSA.
O trecho entre Mogi e São José dos Campos foi abandonado no fim dos
anos 1980, pois a construção da variante do Parateí, mais ao norte,
foi aos poucos provando ser mais eficiente. Em 31 de outubro de 1998,
o transporte de passageiros entre o Rio e São Paulo foi desativado,
com o fim do Trem de Prata, mesmo ano em que a MRS passou a ser a
concessionária da linha. O transporte de subúrbios, existente desde
1914 no ramal, continua hoje entre o Brás e Estudantes, em Mogi e
no trecho D. Pedro II-Japeri, no RJ. |
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A ESTAÇÃO: Como
nas outras paradas dos subúrbios da E. F. do Norte, supõe-se
que a Quarta Parada tenha sido inaugurada com os trens de subúrbio
que seguiam para a estação da Penha, ponto final
do subúrbio e situada no final do ramal por onde os trens entravam,
na chave da estação de Guaiaúna (depois
Carlos de Campos), em 1886, passando em 1896 a ser operada
pela Central do Brasil, que comprou neste ano a ferrovia paulista.
A supressão dos trens do ramal da Penha parece não
ter eliminado o uso das paradas na linha do ramal de S. Paulo.
Max Vasconcellos, em seu livro "Vias
Brasileiras de Communicação" (1928) cita a Primeira
Parada, mas não dá nenhuma data para sua abertura.
Alguns autores citam a desativação destas paradas (da
1a até a 5a ou a 6a, com exceção da 4a e 5a parada,
que seguiram operando com outros nomes), como tendo ocorrido nos primeiros
anos da década de 1930.
Originalmente Engenheiro Sebastião Gualberto, a estação
foi aberta em 1934 no local da antiga Quinta Parada. Esta,
por sua vez, existia desde a inauguração da linha de
subúrbios da Penha, em 1886.
Foi por anos uma estação provisória. Somente em 1958 é que se construiu
o prédio atual, com as bilheterias, quando se inaugurou a segunda
linha na variante de Poá.
É logo após Gualberto que sai a linha dessa variante. Nos anos
1970, era para ser desativada em favor de uma estação chamada Zilda,
que acabou não sendo finalmente construída.
Por algum tempo, mais próximo de seu fim, foi também
conhecida como Sexta Parada. Portanto, há uma confusão
entre as duas paradas. A Quinta Parada mais recente teria existido
onde em 1982 se construiu a estação do metrô Tatuapé,
e que também atende em outra plataforma a linha atual da CPTM.
A estação tinha um acesso horroroso, de madeira, mal
cuidado, um verdadeiro desrespeito ao usuário. Em 1992, passou a atender
à CPTM. A passagem por ali era obrigatória: subia-se a escada, vindo
da calçada, e no alto, no acesso acima citado, comprava-se o bilhete
e dali se descia para a plataforma. Poucos anos antes, sua cobertura
de plataforma, igual à de Engenheiro Goulart, segundo conta
William Gimenez, foi retirada. Gualberto, como era popularmente
chamada, ficava ao lado da estação Carrão do metrô, aberta
por volta de 1980. Era um grande contraste entre as duas.
"Pelo que me lembro as escadarias de madeira da estação Engenheiro
Sebastião Gualberto (antiga 5a. parada) foram construídas já nos anos
1980 quando da quadruplicação do trecho entre Roosevelt e a supracitada.
Antes o acesso era feito pela frente da estação (junto ao atual viaduto
Conselheiro Carrão), onde segundo me contaram havia uma bem
mais alta tendo mais ou menos o dobro do numero de degraus (mais ou
menos o dobro de altura da escadaria da Gualberto). Foi desativada
quando da inauguração do metrô Patriarca em 1988. Nenhum dos resquícios
de madeira nestas plataformas é original. Pelo menos na estação Gualberto,
quando eu conheci não existia nada de madeira. As plataformas e as
coberturas das duas plataformas eram de concreto. Nos abrigos haviam
a indicação da próxima estação, da anterior, altitude e quilometragem.
A estação lembrava muito a atual estação de Suzano. Quando começaram
a circular os "novos" trens de 9 vagões alaranjados (linha tronco)
e 12 vagões (variante) fizeram estas extensões provisórias de madeira,
pois os trens anteriores eram de 6 vagões e cabiam perfeitamente nas
plataformas de concreto. Eram provisórias, porquê a idéia original
era a de se desativar estas estações quando da chegada do metrô. Isto
ocorreu com a chegada do expresso leste" (Anselmo Augusto,
12/2003).
"Residi na própria rua onde se localizava a
estação Sebastião Gualberto e vivenciei fatos interessantes.
Quando era garoto, a linha dupla do tronco terminava na estação de
Carlos de Campos. Daí em diante a linha era singela até Mogi das Cruzes.
Depois essa linha foi duplicada e totalmente eletrificada. Os primeiros
trens elétricos que surgiram na Central em São Paulo foram os ingleses
Metropolitan Camel série 100 que iam até Itaquera no tronco e até
São Miguel na variante. Mais tarde surgiram outras composições, como
a série 200. Nessa época ainda circulavam composições de subúrbios
puxadas por locomotivas a vapor com carros de madeira. As composições
cargueiras eram tracionadas por locomotivas Alco RS1, RS3 e FA. Conviveram
juntas por algum tempo a tração a vapor, a elétrica e a diesel. Aconteceram
vários acidentes na variante, sendo o pior deles em Engenheiro Goulart,
onde duas composições elétricas colidiram de frente. Em frente à minha
casa existia um sinal que segurava as composições com destino aos
subúrbios. Quando o sinal estava vermelho era porque alguma composição
vinda da variante estava entrando no tronco, cruzando as chaves em
Gualberto com destino à Roosevelt. Alguns trens sempre encontravam
via livre (amarelo), como o trem de aço que ia para o Rio, as RDCs,
outros trens de passageiros e o trem de gado oriundo da região da
Paulista que passava diariamente por volta das 17 horas. Em 1958 ou
1959, eu presenciei uma explosão de uma locomotiva a vapor
Pacific, semelhante à 353, hoje preservada" (Leonardo
Lahuerta, 02/2007).
Em 27/05/2000, foi desativada, com a inauguração do trem expresso
da linha da CPTM. Em 24/09/2000, portanto quase quatro meses depois,
passei por ali, de trem: as telhas da cobertura já haviam sido retiradas
e tudo era abandono. Em 2010 não existia mais nada por ali
que lembrasse que um dia existira ali uma estação ferroviária.


ACIMA: Inundação na linha em
1966. Note a plataforma atrás (Diario Popular, 28/9/1966).
ABAIXO: As plataformas em 1966 (Diario Popular, 20/9/1966).

ACIMA:
TUE série 100 em Engenheiro Gualberto, sentido Roosevelt. Ainda
existiam somente duas linhas (Foto Carl Heinz Hahmann). ABAIXO:
A estação, ao fundo. Já existiam as quatro linhas
da Central, atual CPTM. Ela está antes do viaduto, sobre a
linha (Autor e data desconhecidas).

ACIMA:
Em 1987, trem da CBTU à esquerda e do metrô à
direita (Autor desconhecido). ABAIXO: Mesma posição:
à esquerda, trem da CPTM e plataformas da estação
de Engenheiro Gualberto (Revista Ferroviária, 1995).

(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa
local; William Gimenez; Luiz Rafael; Leonardo Lahuerta; Anselmo Augusto;
Revista Ferroviária, 1995; Max Vasconcellos: Vias Brasileiras
de Comunicação, 1928; Mapa - R. M. Giesbrecht)
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Plataforma da estação, vista da rua, c.1980. Foto
cedida por William Gimenez |

A estação no dia seguinte à desativação
(28/05/2000). Tapumes impedem o acesso. Foto Ralph M. Giesbrecht |

A plataforma já abandonada, em 13/04/2002. Foto Luiz
Rafael |
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| Atualização:
08.05.2017
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