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VXY Mogiana em MG
Indice de estações
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Arrojado Lisboa
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Linha do Paraopeba - 1931
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ESTIVE NO LOCAL: NÃO
ESTIVE NA ESTAÇÃO: NÃO
ÚLTIMA VEZ: S/D
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E. F. Central do Brasil (1917-1975)
RFFSA (1975-1996)
ARROJADO LISBOA
Município de Belo Vale, MG
Linha do Paraopeba - km 515,274 (1928)   MG-1221
Altitude: 820 m   Inauguração: 20.06.1917
Uso atual: abandonada (2008)   com trilhos
Data de construção do prédio atual: 1917
 
 
HISTORICO DA LINHA: A linha do Paraopeba, assim chamada porque durante boa parte de sua extensão acompanha o rio do mesmo nome, foi construída em bitola larga, provavelmente para aliviar o tráfego de trens entre o Rio de Janeiro e Belo Horizonte que até sua abertura tinha de passar pela zona de mineração da Linha do Centro, até General Carneiro, onde saía a linha para a capital mineira. Além disso, até então havia baldeação para bitola métrica em Burnier, o que dificultava as operações principalmente dos trens de passageiros entre as duas capitais. A linha do Paraopeba, saindo da estação de Joaquim Murtinho, foi aberta até a estação de João Ribeiro em 1914 e até Belo Horizonte em 1917. Dali a General Carneiro foi mantida a bitola de métrica no trecho já existente. Com isso se estabelecia a ligação direta sem baldeações entre o Rio e Belo Horizonte. O trem de passageiros trafegou por ali até 1979, quando, depois de uma ou duas tentativas rápidas de reativação, foi extinto. O movimento de cargueiros continua intenso até hoje, com a concessionária MRS, até a estação do Barreiro, próxima a BH, e depois com a FCA até General Carneiro, agora sim com bitola mista, métrica e larga.
 
A ESTAÇÃO: A estação de Arrojado Lisboa foi inaugurada em 1917. Seu nome homenageia um diretor da Central do Brasil, Miguel Arrojado Lisboa, na época da inauguração da estação.

"Era uma estação pouco utilizada. Atendia ocasionalmente uma mineração de ferro da região e aos fazendeiros das proximidades, inclusive um meu tio, que era proprietário da casa grande que se vê ao lado da linha, ao fundo da estação. Atualmente encontra-se em ruinas. As portas e janelas foram retiradas e o telhado está caindo. A foto (abaixo), de 1960, onde aparece uma grande casa de fazenda, ao fundo da estação, foi de um tio meu. Passei muitas férias lá quando era garoto. Esperávamos os trens, quando o chefe da estação anunciava a chegada. Uma batida no sino anunciava um trem que vinha em sentido BH-Rio e duas, quando era em sentido contrario. A meninada vinha doida, de onde estivesse, correndo para a estação pra ver o trem. O trem quase nunca parava ali naquela pequena estação e o agente, no telegrafo, recebia as ordens e emitia uma autorização para o trem seguir, mas tinha que entregar ao maquinista, sem que o trem parasse. Assim, imprimia a ordem e enrolava o papel, colocava em um arco de taquara, de mais ou menos 60 cm de diâmetro e pendurava em uma engenhoca na plataforma. Algo como uma pinça de metal que se abria ao menor contato. O maquinista, com um braço fora da janela da maquina, enfiava a mão pelo arco e assim recebia a ordem de prosseguir. Retirava a ordem e jogava o arco ao lado da estrada. A alegria da molecada era correr para pegar o arco depois da passagem do trem" (Henrique Nelson Castro, 2004, Belo Horizonte, MG).

"Lugar muito bonito, bucólico, somente duas casas ao lado da Estação que, lamentavelmente, permanece no estado de penúria, completamente depredada e saqueada, não ruiu totalmente ainda por algum milagre. O casarão ao fundo (da foto abaixo de 1960) foi todo reformado, bem como teve o tamanho muito reduzido, possivelmente trabalho de um restaurador contratado pela família proprietária. Na parte de cima, que mostra um carregamento de minério, passa a estradinha que percorremos. Bem em frente à estação, ainda na parte de cima, uma outra residência, esta de construção atual. As duas são as únicas açi existentes e, curiosamente, não fomos abordados nem por cachorros e nem por crianças curiosas com a nossa presença. Tambem constatamos que, apesar de demonstrarem uma visível condição financeira, os donos de ambas as casas jamais devem ter pensado em gastar um pouco de dinheiro na restauração da estação. Verdadeiramente, uma pena. O muro de pedra que no passado suportava o carregamento de minério ainda está lá, intacto. O desvio da linha, hoje utilizado pela MRS, o é de forma casual e está em estado muito ruim, num enorme contraste com a linha principal, esta muito bem conservada. Hoje os trens da MRS passam por Arrojado Lisboa, na mais completa indiferença" (Gutierrez L. Coelho, 2/11/2008).




AO LADO: Notícia de elevação da parada a estação em 1920. Ainda era uma notícia de importância. Já hoje... (A Noite, 19/5/1920).


AO LADO: Descarrilamento de carro de gado próximo à estação em 1939 (O Estado de S. Paulo, 3/3/1939).


ACIMA: O pátio meio fantasmagórico da antiga estação de Arrojado Lisboa em 2 de novembro de 2008, jogado às traças (Foto Gutierrez L. Coelho, 2008). ABAIXO: Um curral ao lado da linha na estação de Arrojado Lisboa (Autor e data desconhecidos).

(Fontes: Henrique Nelson Castro; Gutierrez L. Coelho; O Estado de S. Paulo, 1939; A Noite, 1920; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; Guia Levi, 1932-80; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
     

A estação nos anos 1960. Acervo Henrique Nelson Castro

A estação, ainda inteira, provavelmente anos 1990. Autor desconhecido

A estação totalmente depredada em 10/2003. Foto Henrique N. P. Castro

A estação totalmente depredada em 10/2003. Foto Henrique N. P. Castro

A estação totalmente depredada em 10/2003. Foto Henrique N. P. Castro

A estação em pior estado ainda, 5 anos depois, em 2/11/2008. Foto Gutierrez L. Coelho
     
Atualização: 28.05.2017
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.