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VXY Mogiana em MG
Indice de estações
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Santa Fé
Penha Longa
Chiador
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ESTIVE NO LOCAL: NÃO
ESTIVE NA ESTAÇÃO: NÃO
ÚLTIMA VEZ: S/D
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E. F. Dom Pedro II (1887-1890)
E. F. Central do Brasil (1890-1960)
E. F. Leopoldina (1960-1975)
RFFSA (1975-1996)
PENHA LONGA
Município de Chiador, MG
Linha Auxiliar - km 191,135 (1928)   MG-1320
Altitude: 305,100 m   Inauguração: 09.07.1887
Uso atual: em restauração (2018)   com trilhos
Data de construção do prédio atual: n/d
 
 
HISTORICO DA LINHA: A chamada Linha Auxiliar foi construída pela E. F. Melhoramentos a partir de 1892 e em 1898 foi entregue o trecho entre Mangueira (onde essa linha e a do Centro se separam) e Entre Rios (Três Rios). O traçado da serra, construído em livre aderência e com poucos túneis, foi projetado por Paulo de Frontin, um dos incorporadores da estrada. Em 1903, a E. F. Melhoramentos foi incorporada à E. F. Central do Brasil e passou a se chamar Linha Auxiliar. Ferrovias foram incorporadas a ela, assim como ramais construídos, dando origem à Rede de Viação Fluminense, que tinha como tronco a Linha Auxiliar, sendo tudo gerido pela Central. Na mesma época, o ramal de Porto Novo, que saía de Entre Rios, teve a sua bitola estreitada para métrica e tornou-se a continuação da Linha Auxiliar até Porto Novo, onde se entroncava com a Leopoldina. No final dos anos 1950, este antigo ramal foi incorporado à E. F. Leopoldina e a Linha Auxiliar passou a terminar de novo em Três Rios, onde havia baldeação. A linha, entre o início e a estação de Japeri, onde se encontra com a Linha do Centro pela primeira vez, transformou-se em linha de trens de subúrbios, que operam até hoje; da mesma forma, a linha se confunde com a Linha do Centro entre as estações de Paraíba do Sul e Três Rios, onde, devido à diferença de bitolas entre as duas redes, existe bitola mista. Nos anos 60, toda a linha passou para a Leopoldina. A linha da Auxiliar teve o traçado alterado nos anos 1970 quando boa parte dela foi usada para a linha cargueira Japeri-Arará, entre Costa Barros e Japeri, ativa até hoje, bem como para trens metropolitanos entre o Centro e Costa Barros. Entre Japeri e Três Rios, entretanto, a linha está abandonada já desde 1996.
 
A ESTAÇÃO: A estação de Penha Longa foi inaugurada em 1887 no ramal de Porto Novo da E. F. Dom Pedro II.

"Aí existe, há longos anos, uma afamada indústria de cerâmica; a olaria de vastas proporções é vista à direita. Na planície ao redor, nenhuma cultura, nenhuma plantação, nenhuma árvore frutífera ou de sombra. O terreno, causticado pelo sol, ressequido pelas queimadas periódicas, pontilhado de troncos carbonizados, apresenta uma topografia árida, para não dizer desoladora. Contudo, aquele solo é de espantosa fertilidade para o cultivo de frutos próprios das regiões tropicais. E ali, onde o olhar abrasado do viajante poderia contemplar o verde umbroso de árvores amigas, nada mais vê do que esparsas pirâmides de cupim na pastagem seca e rasteira, como abandonados barretes otomanos sobre velho e amarelado tapete. Sensatamente, não se pode exigir que todo homem, para, com justiça, merecer este título, 'tenha feito um filho, escrito um livro e plantado uma árvore', como disse alguém. Muitos homens, dignos desse nome, não fizeram nem uma dessas três coisas, mais ou menos úteis, mais ou menos trabalhosas. Nos campos, entretanto, onde um motivo de utilidade comercial conjugou o capital e o trabalho para a instalação de grandes propriedades industriais, é natural que se imagine encontrar, ao lado do buliço fecundo da Oficina, a quietação sodalícia do Pomar e do Bosque. Mas o Jeca é pouco amigo da árvore; se a árvore estende sobre os homens a consoladora sombra das suas ramas, não leva o peso do seu voto à balança eleitoral dos chefes municipais" (Max Vasconcellos, sobre Penha Longa, em 1928).

Nos anos 1960, como todo o antigo ramal de Porto Novo, a estação passou para o controle da Leopoldina.

"Sou nascida na cidade de Penha Longa, em MG, há 48 anos. Saí de lá com minha mãe, viúva recente, quando eu ainda era muito pequena e não mais retornei. Naquela ocasião, embarcamos num trem, na estação local, que nos trouxe diretamente ao RJ. Hoje em dia, procuro referências sobre esta minha cidade e não encontro nada. É verdade que ela se acabou? Disseram-me que com o fim do transporte do minério, por trens, naquela região, a cidade esgotou-se e todos foram embora para outros lugares" (Ana Maria Viana, 31/05/2001).

Muitos anos depois da estação ser fechada (anos 1980), e já em setembro de 2003, noticiava-se que a Prefeitura de Chiador queria transformá-la em biblioteca.

Não, Penha Longa não acabou, mas certamente sofreu demais sem o trem, ao contrário do que o Governo, sempre favorecendo a indústria automobilística nos últimos 50 anos ou mais, nos quer fazer acreditar. A estação ainda servia como igreja da Assembléia de Deus em 2008.

Em fins de 2012, estava abandonada, embora mantivesse a placa da igreja. Em 2018, estava sendo restaurada.

1940
À ESQUERDA: Desabamento de aterro entre a estação de Penha Longa e a de Chiador (escrita "Chiados" na reportagem) causa problemas no tráfego. A quilometragem citada foi a de 179, mas as estações ficam nos quilômetros 191 e 195. (O Estado de S. Paulo, 10/1/1940).

ACIMA: A vila de Penha Longa em fevereiro de 2008, povoado bucólico que sobreviveu ao final dos trens de passageiros (Foto Jorge Alves Ferreira).

(Fontes: Gutierrez L. Coelho; Jorge Alves Ferreira; Amarildo Dousseau Mairink; Ana Maria Viana; Max Vasconcellos: Vias Brasileiras de Communicação, 1928; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
     

O trem cargueiro ainda passa pela estação de Penha Longa, em 04/2001. Foto Jorge Alves Ferreira

A estação de Penha Longa, em 04/2001. Foto Jorge Alves Ferreira

A estação de Penha Longa, em 04/2001. Foto Jorge Alves Ferreira

A estação de Penha Longa, em 04/2001. Foto Jorge Alves Ferreira

A estação em 02/2008. Foto Jorge Alves Ferreira

A estação em 12/2012. Foto Gutierrez L. Coelho

A estação em 4/11/2018. Foto Moyses Barbosa
   
     
Atualização: 05.11.2018
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.