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VXY Mogiana em MG
Indice de estações
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Barão de Vassouras
Barão de Juparanã
Pedreira do Paraíso
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Saída para o ramal de Jacutinga (1910-1970): Quirino
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: SIM
ÚLTIMA VEZ: 2012
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E. F. Dom Pedro II (1865-1889)
E. F. Central do Brasil (1889-1975)
RFFSA (1975-1996)
BARÃO DE JUPARANÃ
(antiga DESENGANO e JUPARANÃ)
Município de Valença, RJ
Linha do Centro - km 132,154 (1937)   RJ-1373
Altitude: 340,655 m   Inauguração: 17.12.1865
Uso atual: Prefeitura de Valença - várias funções (2017)   com trilhos
Data de construção do prédio atual: 1865
 
 
HISTORICO DA LINHA: Primeira linha a ser construída pela E. F. Dom Pedro II, que a partir de 1889 passou a se chamar E. F. Central do Brasil, era a espinha dorsal de todo o seu sistema. O primeiro trecho foi entregue em 1858, da estação Dom Pedro II até Belém (Japeri) e daí subiu a serra das Araras, alcançando Barra do Piraí em 1864. Daqui a linha seguiria para Minas Gerais, atingindo Juiz de Fora em 1875. A intenção era atingir o rio São Francisco e dali partir para Belém do Pará. Depois de passar a leste da futura Belo Horizonte, atingindo Pedro Leopoldo em 1895, os trilhos atingiram Pirapora, às margens do São Francisco, em 1910. A ponte ali constrruída foi pouco usada: a estação de Independência, aberta em 1922 do outro lado do rio, foi utilizada por pouco tempo. A própria linha do Centro acabou mudando de direção: entre 1914 e 1926, da estação de Corinto foi construído um ramal para Montes Claros que acabou se tornando o final da linha principal, fazendo com que o antigo trecho final se tornasse o ramal de Pirapora. Em 1948, a linha foi prolongada até Monte Azul, final da linha onde havia a ligação com a V. F. Leste Brasileiro que levava o trem até Salvador. Pela linha do Centro passavam os trens para São Paulo (até 1998) até Barra do Piraí, e para Belo Horizonte (até 1980) até Joaquim Murtinho, estações onde tomavam os respectivos ramais para essas cidades. Antes desta última, porém, havia mudança de bitola, de 1m60 para métrica, na estação de Conselheiro Lafayete. Na baixada fluminense andam até hoje os trens de subúrbio. Entre Japeri e Barra Mansa havia o "Barrinha", até 1996, e finalmente, entre Montes Claros e Monte Azul esses trens sobreviveram até 1996, restos do antigo trem que ia para a Bahia. Em resumo, a linha inteira ainda existe... para trens cargueiros.
 
A ESTAÇÃO: A estação de Desengano foi inaugurada em 1865. Na época, ficava "na estrada da Polícia e freguezia de Valencia" (no decreto 4373 de 20 de maio de 1869).

O ramal de Jacutinga, de bitola métrica e também da EFCB (também chamado de Rede Fluminense) vinha seguindo a linha do Centro desde Barão de Vassouras, trecho em que a linha tinha bitola mista, onde se encontrava vindo da estação de Vassouras. A estação de Barão de Juparanã era, portanto, uma estação que atendia às duas linhas.

"Sentem-se nesta estação todas as falhas apontadas na estação do Comercio (ou seja, a plataforma (da estação de Desengano) não é coberta, de maneira que os passageiros têm de entrar nos carros e subir expostos à chuva ou ao sol)" (Relatório apresentado a S. Ex. o Sr. Conselheiro Joaquim Antão Fernandes Leão, Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Commercio e Obras Públicas, pelo Conselheiro Manoel da Cunha Galvão, em 29/10/1868).

Aníbal Magalhães
conta que o curioso nome Desengano teria vindo na verdade de um sítio que existia no local da estação, de nome Desengano Feliz. Porém, há outra história que diz que a
disputa entre os valencianos, comandados pelo Barão de Juparanã, Manuel Jacintho Nogueira da Gama, presidente da Câmara de Valença, venceram a disputa com os vassourenses, representados pela família Teixeira Leite. O Barão teria vencido a disputa fazendo a linha passar pelo território de Valença tendo doado à E. F. Dom Pedro o terreno para a passagem da linha e a estação. Para comemorar a vitória, deu o nome de Desengano por causa da decepção de seus rivais.

Ali previa-se (ver texto na coluna acima) o crescimento de uma grande cidade, fato que, por um motivo ou por outro, jamais veio a ocorrer.

Por volta de 1920, seu nome foi alterado para Juparanã.

Nos anos 1940, voltou a se chamar Desengano, e mais tarde Barão de Juparanã.

Aníbal Magalhães
levanta outra questão: por que uma estação tão grande tendo inclusive uma torre com um relógio teria sido construída num simples arraial como Desengano? A pergunta ainda não tem uma resposta concreta.

A estação servia também para que, em caso de interrupção na linha na Serra do Mar, como aconteceu em 15 de fevereiro de 1944 - quando desabou parte do túnel oito - a estação recebia trens do Rio de Janeiro que se dirigiam a São Paulo e a Belo Horizonte pela linha Auxiliar, fazendo a baldeação para a bitola larga.

Em 2017 o enorme prédio era ocupado pela prefeitura de Valença, cidade à qual pertence o distrito de Barão de Juparanã; em 2015, foi restaurado (ver fotografia ao pé da página) e em 2017 abrigava diversas salas que pertencem à prefeitura local para atendimento ao público.

AO LADO: Descarrilamento em 1939 (O Estado de S. Paulo, 14/5/1939).

AO LADO: Acidente em 1939 (O Estado de S. Paulo, 2/7/1939).
ACIMA: Localização de Barão de Juparanã em relação a Valença - CLIQUE SOBRE O MAPA PARA VER TODO O MUNICIPIO DE VALENÇA (IBGE, 1960).
"A 17 de dezembro de 1865, segundo fôra designado por S. M. o Imperador, teve lugar a inauguração do transito pelo tunnel grande da estrada de ferro de D. Pedro II, e da nova ponte sobre o rio Parahyba, no Desengano, bem como da secção daquella estrada entre a estação de Vassouras, no rio das Mortes, e a do Desengano no municipio de Valença. O trem imperial, composto da carruagem de Suas Magestades, de um carro de primeira classe e (collocado junto da machina) um de bagagens, achou-se na estação de S. Christovão ás 6 horas da manhã (...). Desde a corte, com excepção da Barra do Pirahy, é o Desengano o unico lugar que tem amplas proporções para uma grande cidade, da qual estão lançados os primeiros fundamentos, existindo já bastantes edifícios, além de outros em construcção, casas de negocio, um bom hotel, etc. A estação do Desengano occupa uma das faces da praça, e está na frente de um alinhamento recto que tem cerca de 1050 braças, isto é, pouco mais que a extensão do tunnel grande, do qual, portanto, se fórma alli idéa exacta. É um grande e lindo edifício que tem nas extremidades dous bellos pavilhões e no centro uma elegante torre, em que está collocado um excellente relogio. Contém, nos pavilhões e nas salas das extremidades, accommodações para os empregados da estação, escriptorios, recepção dos passageiros, etc., e no centro um armazém da conveniente capacidade para um ponto que deve ser de considerável trafego. Este edifício contractado por 20:000$000 pelo Sr. coronel Manoel Jacintho Carneiro Nogueira da Gama, e que só isso custou aos cofres públicos, foi avaliado pelos engenheiros da estrada de ferro em 50:000$000, sendo a differença generosamente supprida pela Sra. Marqueza de Baependy. É esta, sem contestação, de todas as estações da estrada de ferro de D. Pedro II a que merece ser vista e apreciada como belleza de edificio. Alli forão Suas Magestades e Altezas recebidos pela camara municipal de Valença, presidida pelo Sr. Barão do Rio Preto, comparecendo um extraordinário concurso de cidadãos de todas as classes que possuídos do maior entusiasmo, rompérão em vivas a Suas Magestades e Altezas, que pela primeira vez pisavão o territorio de Valença".
AO LADO: Transcrito do Almanack Laemert, 1865 - Mantida a ortografia original.

TRENS - Os trens de passageiros pararam nesta estação de 1865 até 1980. Ao lado, o trem Rio-Belo Horizonte, que fazia esse percurso. Clique sobre a foto para ver mais detalhes sobre esses trens. Veja aqui horários em 1968. Paravam também trens do ramal de Jacutinga (Guias Levi).

ACIMA: A fotografia mostra pessoas da cidade de Valença aguardando em 1922 na plataforma de Juparanã a chegada do Dr. Alberto Pentagna, político da cidade, mais tarde prefeito e em 1927 vice-governador do Estado (Acervo Luiz Francisco Moniz Figueira). ABAIXO: Foto frontal da estação, em 29/09/2012. Ela está em más condições externamente; o relógio não funciona. Marcava 10:25, mas quando tirei a foto era de tarde (Foto Ralph M. Giesbrecht).
(Fontes: Ralph M. Giesbrecht, pesquisa local; Sergio Murilo; Celeste dos Santos Nascimento; Cristoffer R.; Luiz Francisco Moniz Figueira; Gutierrez L. Coelho; Anibal Magalhães; Jorge Alves Ferreira; Marco Giffoni; Acervo Luiz Francisco Moniz Figueira; Colecção de 44 vistas photográphicas da Estrada de Ferro Pedro 2º, 1881; O Estado de S. Paulo, 1939; Central do Brasil: relatório anuak, 1937; Almanack Laemert, 1865; Max Vasconcellos: Vias Brasileiras de Communicação, 1928; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
     

A estação em 1881. Colecção de 44 vistas photográphicas da Estrada de Ferro Pedro 2º, 1881

A estação de Desengano, foto sem data. Acervo Anibal Magalhães

A estação de Desengano, em desenho de 1908. Cedido por Marco Giffoni

Ao fundo, a estação em 1950. Em primeiro plano, a linha, vinda de Barão de Vassouras, se abre em duas: à esquerda, métrica, do ramal de Jacutinga; à direita, larga. Acervo Cristoffer R.

A estação de Barão de Juparanã, em 26/05/1998. Foto Ralph M. Giesbrecht

A estação de Barão de Juparanã, em 26/05/1998. Foto Ralph M. Giesbrecht

A estação, ainda com uma baita infiltração, em 12/2004. Foto Gutierrez L. Coelho

A estação em 02/2006. Foto Jorge A. Ferreira

A estação em 14/6/2009. Foto Jorge A. Ferreira

A estação sendo restaurada em junho de 2015. Foto Celeste dos Santos Nascimento
   
     
Atualização: 11.06.2017
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.