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CLIQUE SOBRE O MAPA ACIMA PARA VER AS LINHAS NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO POR VOLTA DE 1955
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ESTIVE NO LOCAL: SIM
ESTIVE NA ESTAÇÃO: NÃO
ÚLTIMA VEZ: 2008
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E. F. Dom Pedro II (1858-1889)
QUINTA
Município de Rio de Janeiro, RJ
Linha do Centro - km 3,43 (1925)   RJ-1232
Altitude: -   Inauguração: 1858
Uso atual: demolida e reconstruída (1925/26)   com trilhos
Data de construção do prédio atual: 1926
 
 
HISTORICO DA LINHA: Primeira linha a ser construída pela E. F. Dom Pedro II, que a partir de 1889 passou a se chamar E. F. Central do Brasil, era a espinha dorsal de todo o seu sistema. O primeiro trecho foi entregue em 1858, da estação Dom Pedro II até Belém (Japeri) e daí subiu a serra das Araras, alcançando Barra do Piraí em 1864. Daqui a linha seguiria para Minas Gerais, atingindo Juiz de Fora em 1875. A intenção era atingir o rio São Francisco e dali partir para Belém do Pará. Depois de passar a leste da futura Belo Horizonte, atingindo Pedro Leopoldo em 1895, os trilhos atingiram Pirapora, às margens do São Francisco, em 1910. A ponte ali constrruída foi pouco usada: a estação de Independência, aberta em 1922 do outro lado do rio, foi utilizada por pouco tempo. A própria linha do Centro acabou mudando de direção: entre 1914 e 1926, da estação de Corinto foi construído um ramal para Montes Claros que acabou se tornando o final da linha principal, fazendo com que o antigo trecho final se tornasse o ramal de Pirapora. Em 1948, a linha foi prolongada até Monte Azul, final da linha onde havia a ligação com a V. F. Leste Brasileiro que levava o trem até Salvador. Pela linha do Centro passavam os trens para São Paulo (até 1998) até Barra do Piraí, e para Belo Horizonte (até 1980) até Joaquim Murtinho, estações onde tomavam os respectivos ramais para essas cidades. Antes desta última, porém, havia mudança de bitola, de 1m60 para métrica, na estação de Conselheiro Lafayete. Na baixada fluminense andam até hoje os trens de subúrbio. Entre Japeri e Barra do Piraí havia o "Barrinha", até 1996, e finalmente, entre Montes Claros e Monte Azul os trens de passageiros sobreviveram até 1996, restos do antigo trem que ia para a Bahia. Em resumo, a linha inteira ainda existe... para trens cargueiros.
 
A ESTAÇÃO: A estação da Quinta - ou da Quinta da Boa Vista - teria sido inaugurada em 1858, no início do funcionamento da linha, de forma a atender exclusivamente os embarques da família imperial. Existem notícias em jornais de 1859 que o Imperador já embarcava nesta estação.

Era chamada também de Estação Imperial.

A suposição é que tenha sido fechada com a deposição do Imperador em novembro de 1889, mas não obtive dados adicionais sobre o assunto.

Em 1907 era sede do escritório da 1a Residência da Central do Brasil.

Em 1925, teve de ser demolida para a duplicação da linha Auxiliar (ver caixas abaixo). Porém, o material da demolição foi em grande parte reutilizado na sua reconstrução, fato que se deu no ano seguinte (1926). Com a reconstrução, a 1a Residência voltou a funcionar no local (ver caixas abaixo).

"O prédio original da antiga Estação da Quinta da Boa Vista foi demolido em 1925.

Com o incêndio do Museu Nacional no Palácio Imperial de São Cristóvão, veio à tona o assunto do prédio abandonado, que afirmam ter sido a antiga estação da Quinta da Boa Vista, que servia à família imperial. Mas, será que esta bela construção era, de fato, a antiga Estação da Quinta Imperial?

Vejam o que escreveu Max de Vasconcellos, em sua obra 'Vias Brasileiras de Comunicação - Estrada de Ferro Central do Brasil':
'Nesse trecho, ainda à direita da linha, destaca-se, na eminencia central da Quinta da Boa Vista, o antigo palácio dos Imperadores, hoje Museu Nacional. O palácio era servido pela estação 'Imperial', que se localizava também à direita da linha. Essa estação foi
demolida em 1925, para dar passagem a novas linhas. Revive porém no prédio (que lhe conservou a feição arquitetônica) do escritório central da 1ª Inspetoria de Linha e que se acha situado à esquerda, em frente ao próprio local onde existiu a estação'.

O prédio que ainda resiste ao tempo, era na verdade, onde funcionava a 1ª Inspetoria de Linha, e não, a antiga Estação da Quinta Imperial, demolida em 1925, para permitir o assentamento de novas linhas da Central do Brasil (Linha Auxiliar), que estavam então sendo duplicadas.

O que entendi dessa história, com minhas palavras, com base em nota publicada na época: 'A Central do Brasil se viu obrigada a demolir o prédio da antiga estação para assentar as novas linhas. Utilizando o mesmo material, o prédio foi reconstruído, em local fronteiro ao da antiga estação (esse que existe até hoje), para que a antiga estação que servia à família imperial não desaparecesse, ainda que não tivesse a mesma função. Foi, a meu juízo, uma forma de compensação, e também em respeito ao patrimônio, que, repetindo as palavras da nota da Central, lhe era particularmente tão caro. A demolição e a reconstrução do prédio, com as mesmas características da estação demolida, causa certa confusão, levando àqueles que desconhecem este fato, a entender que o prédio que se encontra de pé, era o da antiga estação da Quinta Imperial'
(Clair Rodrigues, 8/9/2018).

Esta reconstrução continuava em seu lugar em 2016, ao lado da linha onde hoje trafegam os trens metropolitanos da Supervias, separadas por um muro alto.

ACIMA: Mapa da virada dos séculos XIX/XX que mostra a linha da Central (em preto, sul-norte) e cruzando com ela um córrego (também em preto). A estação da Quinta está à direita da linha, no centro da figura. Abaixo, à esquerda da linha, a estação de São Cristóvão (Autor desconhecido).

ACIMA: Na estação da Quinta em 1907: na época, o prédio era o escritório da 1a Residência da Central do Brasil (O Malho, 19/10/1907).

1925
AO LADO -
A estação foi demolida (O Estado de S. Paulo, 24/6/1925).

ACIMA: Antes da demolição em 1925, a estação já havia perdido terrenos à sua volta (O Jornal, 24/6/1925).

1926
AO LADO -
A estação foi entregue após sua reconstrução (O Estado de S. Paulo, 18/8/1926).
     

Estação da Quinta, sem data e ainda sem o muro. Extraído do livro "A formação das estradas de ferro no Rio de Janeiro", coleção Luiz Octavio Oliveira.

Estação (reconstruída) da Quinta, em 2004. Foto Carlos Latuff


Estação (reconstruída) da Quinta, em 2004. Foto Carlos Latuff

Estação (reconstruída) da Quinta, em 2004. Foto Carlos Latuff

Estação (reconstruída) da Quinta, em 2016. Foto Luiz Felipe Lopes Dias

Estação (reconstruída) da Quinta, em 2016. Foto Luiz Felipe Lopes Dias
     
Atualização: 09.09.2018
Página elaborada por Ralph Mennucci Giesbrecht.